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Economista prevê
mais dificuldades para consumidores pagarem contas
26-12-2008
As dificuldades para pagar as contas em dia devem ser
maiores para as classes C, D e E no próximo ano,
na opinião do economista e professor da Universidade
de Brasília Roberto Piscitelli. Essa expectativa
pode se configurar, com maior intensidade, no primeiro
trimestre de 2009, por conta da crise financeira internacional,
que no Brasil tem gerado efeitos como redução
do crédito e previsão de desaquecimento
da atividade econômica, com aumento da taxa de
desemprego.
“Os efeitos da crise não poupam sequer
outras classes. Para as classes C, D e E as dificuldades
serão maiores. É natural que isso ocorra
porque muita gente vinha rolando dívida ou substituindo
por outras”, explicou. Agora, segundo Piscitelli,
com a perda de confiança das instituições
financeiras, renovar crédito ou fazer novos financiamentos
fica mais difícil, umas vez que as exigências
tornaram-se maiores. Ele acrescentou que nas classes
mais baixas “as pessoas podem não ter tantas
garantias para oferecer”.
Além disso, o crédito está mais
caro, o que também é um fator de dificuldade
a mais para a população com menor renda.
Segundo dados do Banco Central, a taxa de juros para
as pessoas físicas subiu de 54,9% para 58,7%
ao ano, a mais alta desde março de 2006, que
estava em 59%.
Outro fator observado pelo economista é que
o aumento da taxa de desemprego, que deve ser observado
com maior intensidade no primeiro trimestre de 2009,
também é um fator que pode levar a maior
inadimplência. “Uma outra questão
é a renda. Muitas pessoas podem ter que abrir
mão de parte da renda, com redução
de jornada, menos horas extras, menos turnos de trabalho”,
disse.
Segundo dados do Banco Central, as instituições
financeiras reforçaram suas provissões
de outubro (R$ 61,301 bilhões) para novembro
(63,431 bilhões) deste ano em R$ 2,13 bilhões,
porque com a crise há expectativa de maiores
perdas. Nesse mesmo período, a inadimplência
das pessoas físicas mudou de 7,6% para 7,8%,
a mais alta desde agosto de 2003, que era de 7,9% no
cálculo do BC que considera atrasos superiores
a 90 dias. Em janeiro deste ano, esse percentual era
de 7,1%.
A inadimplência específica da compra de
bens passou de 13,1% para 14,7%, de outubro para novembro
deste ano. No caso da aquisição de carros,
a alta foi menor: de 4% para 4,1%. A inadimplência
do crédito pessoal permaneceu estável
em 5,4%. O BC não tem dados sobre inadimplência
por classes socias. (Agência Brasil)
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