|
O que
se exige dos novos líderes
28-04-2008
*Marcelo Mariaca
Os bons livros de gestão e escritos por CEOs
bem-sucedidos geralmente relacionam todas as qualidades
que o líder deve ter para administrar com sucesso
as corporações. A lista das características,
algumas óbvias e ditadas pelo bom senso, e outras
nem tanto, vem crescendo na medida em que o universo
corporativo se transforma, pressionado pela necessidade
de globalização das empresas. Há
décadas, pouco mais se exigia de um CEO do que
inteligência, habilidade com os negócios
e conhecimento do ramo. O mundo, no entanto, tornou-se
mais complexo e as empresas querem verdadeiros líderes,
e não mais aquele “chefe” do passado
que ficava dando ordens atrás de uma escrivaninha.
A globalização, por exemplo, impôs
que o executivo tenha uma visão mais ampla do
negócio, do mercado e do próprio mundo.
Antes, bastava que operasse na esfera do conhecido –
ou seja, dominasse as operações e atividades
que se realizavam dentro dos muros de sua fábrica
e de seu escritório. Hoje, os líderes
devem ter também a capacidade para trabalhar
com o desconhecido, com as ambigüidades, fora da
área de conforto.
A atuação global também aumentou
os riscos, em todos os aspectos. As empresas lidam com
diferentes legislações, economias e culturas,
o que exige do líder conhecimento das diversas
realidades e, sobretudo, flexibilidade para adaptar-se
à diversidade. Nesse particular, a capacidade
de comunicação tornou-se uma qualidade
imprescindível aos executivos.
Nas empresas insulares do passado, com diversos níveis
hierárquicos, havia uma grande distância
entre os líderes e os stakeholders, como empregados,
fornecedores e clientes. Esses públicos estratégicos
ganharam mais força e poder na sociedade moderna,
o que obrigou as corporações a ampliar
e fortalecer os canais de comunicação
e colocar seus líderes na linha de frente.
Um dos exemplos mais visíveis e curiosos no
caso brasileiro foi a ação que a Ford
do Brasil empreendeu para reconquistar os clientes usando
o então presidente da montadora Antônio
Maciel Neto, como garoto propaganda de seus carros.
É comum, por exemplo, o CEO fazer road shows
para ganhar ou fortalecer a confiança dos acionistas.
Tão logo assumiu a presidência do Santander
no Brasil, o colombiano Gabriel Jaramillo fez um tour
pelas agências do banco para olhar os empregados
nos olhos e comprometê-los com os objetivos da
instituição, que acabava de comprar o
Banespa. Vale lembrar também o exemplo do saudoso
comandante Rolim, que costumava recolher os cartões
de embarque e cumprimentar pessoalmente os passageiros
da TAM. Nos principais lançamentos de produtos,
Steve Jobs, da Apple, e Bill Gates, da Microsoft, atuam
como verdadeiros showmen para seduzir os consumidores.
Esses e muitos outros casos, mais do que ações
de marketing, mostram que os líderes devem suar
a camisa e gastar a sola do sapato para se comunicar
com seus stakeholders. O executivo não pode ser
mais aquele chefe enclausurado no bunker da empresa
disparando ordens por e-mails.
A globalização impôs novas exigências
para os líderes de empresas globais, além
do conhecimento de gestão, da capacidade de inovar,
de se adaptar de forma rápida e eficiente à
nova realidade e de prever cenários e o futuro.
Outro grande desafio é trabalhar com times de
diversos países, multiculturais, e criar relacionamentos
e alianças estratégicas ao redor do mundo
que ajudem a desenvolver os negócios.
*Marcelo Mariaca é presidente
da Mariaca, parceiro global para o Brasil da Lee Hecht
Harrison e da InterSearch Worldwide Ltd., e professor
do MBA da BBS – Brazilian Business School, associada
à Universidade de Richmond.
Matéria relacionada
O
que uma orquestra tem a ensinar às empresas
Leia Também:
Invenção
barateia reciclagem de resíduos da construção
civil
Sebrae
e USP se unem para semear empreendedorismo no campus
Antes
de fazer tatuagem é bom pensar também
na carreira
Demanda
por profissionais de rede está em alta e podem
sobrar vagas
Existe
cura para a "empurrofobia" que vendedor causa
no cliente
Tese
mostra como a publicidade manipula a cultura dos países
Quem
trabalha sentado deve cuidar da coluna
Prefeituras
paulistas usam cooperativas para gerar trabalho
Opção
por trabalho informal não é feita por
acaso
Falta
de salário gera rescisão de contrato
Clique
Aqui e Veja Mais Carreiras & Gestão
Leia
Todas as Últimas Notícias
|