Sem tratamento, TDAH pode afetar vida profissional

25-06-2008

Dificuldade de organização, esquecimento de tarefas simples do dia-a-dia, falta de atenção e concentração, desânimo, impulsividade e inquietação podem ser sinais claros do Transtorno do Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH). Com origem genética e neurobiológica, a doença pode ser detectada já na infância e, caso não seja tratada, é capaz de gerar dificuldades na vida profissional do indivíduo adulto.

No Brasil, estudos apontam que 5% dos adultos sofram do problema. De acordo com Marco Arruda, neurologista da infância e adolescência do Instituto Glia, é importante que o TDAH seja tratado logo nos primeiros sinais de avanço, para que não persista na idade adulta.

“Essa alteração genética provoca mudanças em áreas cerebrais importantes para o comportamento. Nosso cérebro tem circuitos que funcionam comparativamente ao acelerador, breque e embreagem. Com o TDAH, o breque não funciona bem e, assim, há o déficit de atenção, a hiperatividade e a impulsividade. A pessoa age por impulso, sem planejamento adequado, e só depois avalia o que fez”, explica.

A cura só é possível se for tratada na infância, através de diagnóstico clínico feito por um especialista. “Na criança, observa-se cura porque o cérebro está em desenvolvimento”. Nos adultos, em 80% dos casos é possível controlar a doença com medicamentos e tratamento psicoterápico. “O cérebro do adulto já está formado. A medicação é capaz de promover grande melhora dos sintomas e da qualidade de vida do adulto portador de TDAH”, completa o médico.

Segundo Arruda, algumas empresas americanas, em seus processos seletivos, já realizam avaliações preliminares para verificar se o candidato é portador ou não do transtorno. “Estudos mostram que os adultos com TDAH sofrem mais com depressão, têm menor produtividade, maior freqüência de divórcio e insatisfação profissional, migram mais de emprego e também registram maior absenteísmo que os demais”, justifica Arruda.

“Essa triagem prévia em serviços de recursos humanos pode vir a discriminar os portadores. Essa é uma preocupação nossa, dos especialistas e pesquisadores do assunto, e das organizações não-governamentais que congregam portadores”, completa o especialista, que cita exemplos de instituições que fazem esse tipo de trabalho, como a Associação Brasileira do Déficit de Atenção e a Children and Adults with Attention Déficit Hyperactivity Disorder.

Um estudo realizado pelo professor Joseph Biederman e seus colaboradores da Harvard University concluiu que o TDAH resulta em perdas de US$ 77 bilhões anuais somente nos Estados Unidos. Ainda de acordo com a pesquisa, os adultos que convivem com o problema recebem em média cerca de US$ 10 mil por ano a menos que os indivíduos sem o transtorno.

Para facilitar o pré-diagnóstico, Dr. Arruda analisou alguns aspectos sobre o transtorno. No teste, para cada item deve-se escolher o grau que melhor descreve o comportamento do adulto nos últimos seis meses e assinalar o boxe correspondente com um X (só uma resposta para cada linha).

Parte A

Nunca

Raramente

Algumas vezes

Freqüentemente

Muito freqüente

1. Com que freqüência você deixa um projeto pela metade depois de já ter feito as partes mais difíceis?

 

 

 

 

 

2. Com que freqüência você tem dificuldade em fazer um trabalho que exige organização?

 

 

 

 

 

3. Com que freqüência você tem dificuldade em lembrar de compromissos ou obrigações?

 

 

 

 

 

4. Quando você precisa fazer algo que exige muita concentração, com que freqüência você evita ou demora para começar?

 

 

 

 

 

5. Com que freqüência você fica se mexendo na cadeira ou balançando as mãos ou os pés quando precisa ficar sentado(a) por muito tempo?

 

 

 

 

 

6. Com que freqüência você se sente ativo(a) demais e necessitando fazer coisas, como se estivesse "ligado na tomada"?

 

 

 

 

 

Se houver o preenchimento de ao menos quatro boxes vermelhos na parte A, deve-se proceder ao preenchimento da parte B:

Parte B

Nunca

Raramente

Algumas vezes

Freqüentemente

Muito freqüentemente

7. Com que freqüência você faz erros por falta de atenção quando você tem de fazer algo chato ou difícil?

 

 

 

 

 

8. Com que freqüência você tem dificuldade em manter a atenção quando está fazendo algo chato ou repetitivo?

 

 

 

 

 

9. Com que freqüência você tem dificuldade em se concentrar no que as pessoas dizem, mesmo quando elas estão falando diretamente com você?

 

 

 

 

 

10. Com que freqüência você coloca as coisas fora do lugar ou tem dificuldade em encontrar as coisas em casa ou no trabalho?

 

 

 

 

 

11. Com que freqüência você se distrai com atividades ou barulhos a sua volta?

 

 

 

 

 

12. Com que freqüência você se levanta da cadeira em reuniões ou em outras situações onde se espera que você fique sentado(a)?

 

 

 

 

 

13. Com que freqüência você se sente inquieto(a) ou agitado(a)?

 

 

 

 

 

14. Com que freqüência você tem dificuldade em sossegar e relaxar quando tem tempo livre para você?

 

 

 

 

 

15. Quando está conversando, com que freqüência você se pega terminando as frases das pessoas antes delas?

 

 

 

 

 

16. Com que freqüência você tem dificuldade para esperar nas situações em que cada um tem a sua vez?

 

 

 

 

 

17. Com que freqüência você se pega falando em excesso em situações sociais?

 

 

 

 

 

18. Com que freqüência você interrompe os outros quando eles estão ocupados?

 

 

 

 

 

* ASRS-18 (adaptação transcultural para o português por Mattos P, Segenreich D, Saboya E, Louzã M, Dias G, Romano M). Retirado do livro Levados da Breca – Um guia sobre crianças e adolescentes com TDAH.

Interpretação:

1) Se existem pelo menos seis boxes vermelhos marcados nos itens 1,2,3,4,7,8,9,10 e 11, existem mais sintomas de desatenção que o esperado para um adulto.

2) Se existem pelo menos seis boxes vermelhos marcados nos itens 5,6,12,13,14,15,16,17 e 18, existem mais sintomas de hiperatividade-impulsividade que o esperado para um adulto.

Vale lembrar que para o diagnóstico do TDAH, apenas este instrumento não basta, outros aspectos precisam ser considerados pelo especialista. “O diagnóstico do TDAH é clínico, feito com base nos sinais e sintomas que o paciente apresenta. Ele é de competência e responsabilidade médica”, alerta o médico. Site: www.institutoglia.com.br


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