Empresas nacionais de petróleo ganham espaço no mundo

30-06-2008

As ações das grandes empresas petrolíferas nacionais (National Oil Companies – NOCs) têm superado significativamente as ações das companhias petrolíferas internacionais (International Oil Companies – IOCs) ao longo dos últimos cinco anos, tendo atingido seu pico em outubro do ano passado, quando suas ações de alta performance foram, em média, quatro vezes mais elevadas do que aquelas das consideradas maiores empresas do setor. São companhias que estão deixando para trás conceitos tradicionais de nacionalismo e propriedade do estado.

Essa é a conclusão do relatório global da Ernst & Young intitulado “As empresas petrolíferas nacionais são as novas companhias petrolíferas internacionais?”, que destaca a brasileira Petrobras como uma das petrolíferas de atuação crescente no exterior.

O relatório será lançado no Congresso Mundial de Petróleo, em Madri, na Espanha, que acontecerá até o dia 03 de julho. O estudo afirma que mais da metade das cem maiores empresas petrolíferas nacionais do mundo hoje em dia têm operações fora de seus países de origem, enquanto aquelas que até então eram consideradas internacionais estão deixando os países que não são operacionalmente lucrativos.

De acordo com o estudo, a riqueza petrolífera recém-encontrada em muitos países está incentivando as NOCs a lançar-se além de suas fronteiras, criando a geração “i-NOC”. Nos últimos anos, essas empresas têm optado por alimentar suas ambições internacionais por meio de parcerias. No caso da Petrobras, que já opera em mais de 20 países, o estudo ressalta os planos da empresa de investir US$ 15 bilhões em atividades fora do Brasil nos próximos quatro anos. “Em particular, a Petrobras tem ambições globais para seu papel em biocombustíveis por meio da comercialização e distribuição internacional e de sua liderança em produção doméstica e desenvolvimento tecnológico”, afirma o estudo.

“Como guardiões dos recursos nacionais, as NOCs eram tradicionalmente definidas por sua identidade nacional", afirma Andy Brogan, executivo líder do setor de óleo e gás da Ernst & Young e autor do relatório. "Mas o aumento do preço do petróleo testemunhado ao longo dos últimos cinco anos permitiu um aumento do número de NOCs que aumentaram suas ambições. Essas empresas passaram a demonstrar sua capacidade de oferecer crescimento da cotação de suas ações para os investidores privados e a demonstrar seu potencial de crescimento em comparação com as companhias conhecidas como IOCs".

O relatório prevê que a troca de ativos será cada vez mais utilizada pelas NOCs para ganhar acesso aos mercados onde atualmente têm nenhuma ou pouca presença. "Qatar e Argélia já indicaram que se as empresas querem ter acesso às suas reservas de petróleo e gás, é necessária reciprocidade com ofertas de ativos que dêem acesso a mercados ou sejam complementares às atividades existentes", comenta Brogan. Site: www.ey.com.br.


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