Saiba como manter o caixa da empresa saudável

30-12-2008

Com a crise financeira surgem diversos desafios de gestão da pequena empresa. Entre as principais preocupações estão a questão do crédito – fator crucial para o equacionamento da vida financeira das empresas – e a crise de confiança, que influencia diretamente o consumo. Para driblar a onda de instabilidade, a Federação do Comércio do Estado de São Paulo (Fecomercio) alerta aos pequenos empresários sobre os cuidados para administração do caixa, afinal esse é o momento ideal para redimensionar os planos, a previsão de gastos e a situação financeira.

Na visão da entidade, a administração do caixa é estratégica e o empresário pode solucionar os pontos críticos do seu fluxo com antecedência, por intermédio de simulações de diversas alternativas. Como o caixa reflete todas as decisões estratégicas da empresa, ao mesmo tempo em que representa um norte para as próximas decisões do empresários, a Fecomercio destaca algumas medidas importantes na busca por uma gestão de caixa eficaz, que pode mudar o rumo da empresa. Entre elas:

- Negociar com fornecedores: procurar negociar prazos alongados de pagamentos que possibilitem ao empresário ter um capital de giro maior. Renegociar contratos já assumidos, buscando sempre o alongamento de prazos. Verificar as taxas que foram negociadas e buscar uma redução no momento da negociação. Para novos contratos, fazer diversas cotações e comparar sempre prazos e taxas;

- Negociar com clientes prazos de pagamentos mais curtos: procurar sempre negociar com os clientes prazos mais curtos para recebimento de parcelas. Essa redução de prazo, conjugado com o alongamento das negociações com fornecedores poderá dar fôlego à empresa no que diz respeito ao capital de giro;

- Avaliar a forma de remuneração do capital da empresa: para empresas que possuem capital remunerado em aplicações de mercado, avaliar e comparar alternativas oferecidas, comparando taxas e prazos;

- Melhorar a reciprocidade bancária: reduzir o número de bancos com quem opera a fim de evitar o pagamento duplicado de tarifas. Reduzindo o número de bancos melhora a reciprocidade bancária e, com isso, o empresário tem maior poder de barganha para negociar redução de pacotes de tarifas com o gerente de sua agência;

- Reavaliar seu perfil de endividamento: rever seu nível de endividamento, verificar as possibilidades de redução de sua dívida, planejar o pagamento das dívidas; renegociar saldos devedores e taxas aplicadas, procurar planejar o pagamento de grandes amortizações em momentos favoráveis do fluxo de caixa, renegociar esses desembolsos quando o fluxo de caixa é desfavorável, a fim de não provocar saldos negativos que poderá levar a empresa à necessidade de novas dívidas;

- Reduzir custos desnecessários, fixar metas de despesas: analisar sempre a prioridade dos desembolsos, identificando os que são de urgência e planejando os demais para momentos mais adequados, considerando inclusive o parcelamento dos mesmos. Verificar outras possibilidades em relação ao desembolso, outras formas menos onerosas e comparar o custo-benefício de cada uma delas;

- Avaliar o custo de seus estoques: verificar a real necessidade do nível do estoque, avaliar o custo desse estoque, em comparação com a geração de caixa que ele proporciona, bem como sua margem de lucro. Buscar alternativas, como por exemplo, a encomenda de mercadorias com data prevista a fim de não deixar estoque parado mais do que o necessário ao giro do negócio;

- Avaliar formas de recebimento de clientes em atraso: controlar o cadastro de inadimplentes. Propor renegociações, conceder descontos a fim de recuperar créditos e gerar melhor capital para o giro dos negócios;

- Avaliar gastos com logística e planejar operações: avaliar na negociação custo de entrega e de fretes, bem como formas de reduzir o preço dessa operação, analisando alternativas. Comparar custos de entrega e de retirada própria. Avaliar riscos de desvio de mercadorias e outros problemas que podem encarecer o custo da logística, como por exemplo, seguro de mercadorias;

- Verificar possíveis perdas: perda é todo valor não recebido por conta de erros na operação ou da falta de prevenção. Podem ocorrer de diversas formas, muitas vezes imperceptíveis, que podem reduzir o resultado final da operação; utilizar mecanismos de aferição de mercadorias e difundir procedimentos que possam reduzir custos;

- Reavaliar investimentos: com a crise que se anuncia na economia, cabe a reavaliação dos planos de investimentos, identificando os que possam dar retorno e calculando o valor desse retorno, bem como seu prazo. A partir dessas informações, decidir pela sua continuidade ou interrupção. Se houver mais fatores de incerteza cabe a reprogramação do investimento. Caso contrário o mesmo poderá levar a empresa a uma situação maior de endividamento;

- Analisar a posição de seus ativos e respectivos custos: verificar o custo de manutenção dos ativos, bem como a viabilidade de venda de parte de seus ativos mais onerosos e que não indiquem retorno no curto prazo;

- Rever todos os processos operacionais: conforme o ramo de negócio, verificar todas as etapas de sua atividade, bem como seus custos. Com base nessa análise será possível identificar quais atividades estão de acordo com o foco do negócio e, a partir disso, eliminar tarefas desnecessárias e onerosas, obtendo maior produtividade com menor custo.

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