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Foi demitido? Saiba
o que fazer neste momento
04-05-2009
A crise trouxe o desemprego e muitas pessoas se preparam
para a recolocação profissional. O consultor
organizacional Ricardo Piovan (*), autor do livro "Resiliência
- como superar pressões e adversidades no trabalho",
ensina como enfrentar e superar o desemprego e fazer
da adversidade uma oportunidade.
1. Depois de um emprego perdido, como superar tamanha
dificuldade?
Ricardo Piovan - Acredito que a principal pergunta
a ser respondida neste momento é: Por que fui
demitido? A primeira resposta que vem na mente de um
desempregado refere-se a tão falada crise. Mas
a pessoa precisa cavar mais fundo nesta questão.
Poderá então descobrir que a crise não
é o único fator para sua condição
atual, pois mesmo neste turbulento momento, algumas
pessoas continuaram na organização, essas
pessoas fizeram a "diferença" no trabalho
que lhes foi designado.
A pergunta certa a se fazer é porque eu fui
demitido e outras pessoas não? Na maioria dos
casos a resposta é simples: - "Eu sou dispensável,
não sou o talento que acho que sou. Minhas habilidades
não são suficientes para ajudar a empresa
a passar por este momento turbulento".
A resiliência - que é a capacidade de
resistir a pressões e apresentar resultados positivos
- vem da consciência de que preciso aprimorar
meus conhecimentos e atitudes para conquistar um novo
emprego e me manter neste mesmo em momentos difíceis,
assim não serei apenas mais um funcionário,
serei aquele com habilidades que me diferem dos demais,
um funcionário indispensável principalmente
em momentos de crise. Afinal, quanto mais eu souber,
mais habilidades poderei desempenhar na organização
para superarmos momentos conturbados.
Para as pessoas que acreditam ser um talento, não
há o que temer, pois facilmente conseguirão
se recolocar no mercado do trabalho, pois a ordem das
organizações é atrair e reter talentos.
2. Quais os principais erros que um desempregado comete
quando não possui a capacidade de ver na crise
uma oportunidade?
RP - São dois os principais erros: o primeiro
é entrar num processo de "vitimização"
achando que é vítima de um sistema injusto
e ofensivo. O sentimento básico destas pessoas
é a tristeza. Esta sensação acaba
paralisando a pessoa para tomar ações
eficientes para reverter o processo. O segundo erro
é entrar num processo reativo compulsivo, culpando
a empresa, o chefe, o governo e até os norte-americanos
pela sua condição atual. A energia estabelecida
neste momento é a raiva contribuindo para a pessoa
tomar atitudes destemperadas e sem a eficácia
necessária para este momento.
3. Todos são resilientes?
RP - Não. Algumas pessoas nascem resilientes,
ou seja, possuem esta habilidade no DNA. Outras, conquistam
este predicado na infância, pois os pais de forma
consciente trabalharam isto na criança. Agora,
aqueles que não nasceram resilientes ou não
desenvolveram esta característica na infância,
precisam trabalhar este processo na vida adulta através
de leituras, treinamentos e principalmente da mudança
comportamental para tornarem-se resilientes.
4. Qual a importância da resiliência no
mundo organizacional? O que a empresa ganha com um profissional
resiliente?
RP - Resiliência é a capacidade humana
de suportar pressões e adversidades, superá-las
e continuar a dar resultados positivos. Dentro de uma
organização estamos todo tempo sendo pressionados
por resultados, encontrando problemas que devem ser
superados para alcançar a meta estabelecida,
isto é, nos sentimos a todo momento dentro de
uma "panela de pressão". Alguns profissionais
quando submetidos a estas condições "quebram"
emocionalmente e no momento em que a empresa mais precisa
deles, os resultados deixam de acontecer. Já
outros profissionais, os "resilientes", não
se abatem perante a este processo, superam-se oferecendo
resultados mesmo em situações adversas,
a empresa ganha - com estes funcionários - resultados,
evolução e solução para
os problemas diversos encontrados no dia a dia de toda
organização.
5. Nos processos seletivos a resiliência é
um ponto a favor? Os recrutadores procuram pessoas resilientes?
Se sim, como identificar que a pessoa tem essa característica?
RP - Sim, é um ponto imprescindível para
conquistar o seu emprego. Processos de recrutamento
estruturados procuram medir esta habilidade colocando
o candidato em alguma situação de stress
ou crise, analisando a reação do profissional.
Em uma situação de stress algumas pessoas
simplesmente paralisam não esboçando ação,
outras reclamam, mas não agem para solucionar
o problema. Enquanto outras, as resilientes, farão
algo para resolver o problema, isto é, com as
ferramentas que tem disponível naquele momento.
Atitudes de pessoas resilientes diante da busca pela
solução dos problemas em processos seletivos,
fazem com que elas se destaquem dos demais garantindo
sua vaga de emprego.
6. Como não deixar meu estresse gerado pelo
desemprego afetar minha vida pessoal?
RP - É necessário separar neste momento
a vida profissional da vida pessoal, por mais difícil
que isto possa parecer. Meus filhos, minha esposa, meu
marido não tem nada a ver com a minha incapacidade
de me manter no emprego e o que acontece neste momento
é o que chamamos de projeção. A
pessoa desempregada começa a projetar nas pessoas
que estão próximas a ele o seu sentimento
de incompetência, basta o filho tirar uma nota
baixa na escola que toda fúria que estou sentindo
deste processo doloroso (desemprego), seja projetado
na criança. Basta a esposa esquecer de pagar
uma conta importante para a pessoa projetar suas frustrações.
A dica aqui é muito simples, não descarregue
os seus sentimentos nas pessoas que na verdade podem
te auxiliar neste momento tão complicado, não
permita que os erros deles sejam ganchos para despejar
a tristeza e a raiva que você sente neste momento.
Pense que o amor e a dedicação de sua
família são essências para a nova
fase de sua vida, que se inicia através da perda
de seu emprego.
7. A perda de emprego pode ser resultado da falta de
resiliência? Se sim, especifique.
RP - Existem vários fatores que podem levar
a perda do emprego, e a falta da resiliência pode
ser uma delas. Passamos por um momento turbulento onde
será necessário suportar e superar as
adversidades. Se um profissional não tiver esta
capacidade e piorar o seu desempenho, não tenha
dúvida que no primeiro corte de pessoal para
reduzir custos, ele será demitido. Como toda
empresa passa por momentos de crise, - independente
da crise mundial que estamos vivendo - a capacidade
de superar e suportar pressões é primordial.
8. Como aumentar minha capacidade de resiliência?
RP - Busque o conhecimento. Hoje existem vários
livros e cursos que falam sobre o tema. Conhecendo os
comportamentos das pessoas resilientes, você terá
mais ferramentas para utilizar em momentos de pressões
e adversidades. Resiliência é uma habilidade,
e como tal, pode ser desenvolvida; basta estudar e colocar
em prática o conhecimento, tanto em sua vida
profissional quanto em sua vida pessoal.
9. Uma dica para quem está empregado: Como lidar
com um chefe que não incentiva os liderados a
se tornarem resilientes?
RP - Aplique um feedback neste chefe falando francamente
sobre os sentimentos que você tem em relação
a isto. Uma conversa aberta, fora de um momento de crise,
é uma ótima forma de mudar comportamentos
limitantes do chefe ou do funcionário.
10. Como posso mudar com minha resiliência?
RP - As duas principais características de uma
pessoa resiliente são: a decisão e a ação.
Portanto, analise a situação, encontre
formas diferentes e inovadoras para superar este momento.
A criatividade conta muito em momentos turbulentos.
Depois entre em ação, execute seu plano
sempre questionando se há uma forma mais eficiente
de realizar o que foi decidido.
11. Alguma dica para afastar a temida demissão?
RP - Continue se aperfeiçoando. Você precisa
tornar-se um talento, uma pessoa indispensável
para as próximas crises que virão. O profissional
talentoso sempre se coloca em situação
de aprendizado seja através de livros, cursos
ou palestras, pois acredita que o conhecimento aliado
a atitude assertiva o tornará um profissional
tão extraordinário que será disputado
pelo mercado. Desta forma, você não será
mais um, será o profissional que fará
a diferença dentro da organização
que trabalha.
*Ricardo Piovan é administrador de empresa, consultor
organizacional, e diretor da empresa Ricardo Piovan
- Atitude & Comportamento. Site: http://www.ricardopiovan.com.br
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