Na crise, fidelize ainda mais a clientela

05-05-2009

Diante das dificuldades em conquistar novos consumidores em tempos de crise econômica, as empresas devem rentabilizar a carteira atual da cleintela por meio da retenção dos “bons” clientes e de novos negócios. A avaliação é da sócia e diretora-executiva da Incentiva marketing de relacionamento, Anete Schonenberg Bekin.

“Quando pensamos em fidelizar clientes, considero importante garantir que o consumidor -- que foi até o ponto de venda para adquirir a marca de determinada empresa -- realmente adquira o produto. Por isso, o envolvimento em ações de incentivo e fidelização do trade é muito importante neste momento, no qual as vendas estão mais sensíveis", diz.

"Quando pensamos em fidelizar as equipes internas, em função do grande volume de cortes e do cenário atual, campanhas de incentivo são uma ferramenta para garantir motivação e garra na busca dos resultados”, diz Anete, que ministrou palestra promovida pela Câmara de Comércio Suíço-Brasileira (Swisscam Brasil) no último dia 23.

Na avaliação da especialista, a maior dificuldade das empresas atualmente tem sido realizar investimentos em estratégia de resultados de longo prazo. Mas, mesmo de curto prazo, segundo ela, iniciativas e investimentos pouco estruturados não são aprovados sem a comprovação de resultados.

“As empresas investem em fidelização quando é desenvolvida uma arquitetura financeira para, no mínimo, três anos e se comprova que vai dar lucro e reter bons clientes”. A executiva observou que, na sua própria atuação, 30% das empresas cortaram investimentos em programas de fidelização, enquanto 70% optaram pela manutenção.

Conforme dados apresentados por Anete na palestra, os principais motivos para investimentos em programas de fidelização são os seguintes: 1) o custo para conquistar novo cliente é cinco vezes maior do que manter o atual; 2) as empresas perdem, no mínimo, 10% da base de clientes anualmente; e 3) 20% dos clientes representam 80% do faturamento das companhias.

“Perder clientes não é problema. O problema é perder bons clientes”, complementa. Ela pondera que não é possível concretizar programa de fidelidade monitorado em todos os segmentos de mercado. No mundo, varejo, companhias aéreas, turismo e hotelaria, telefonia e mercado financeiro são os cinco segmentos que mais utilizam fidelidade. “É necessário ter freqüência de contato com o cliente”.

Ainda segundo Anete, a seleção de clientes para participação em programas é a etapa mais difícil. “No varejo, por exemplo, ainda não temos cadastro positivo”. Ela recomenda que as empresas desenvolvam projetos-piloto e mirem os clientes mais rentáveis. “No primeiro ano, programas de fidelidade representam um custo. Mas, a partir do segundo ano, já podem representar lucro, -- o que no terceiro ano acontece certamente. Para implementar programas de longo prazo, é preciso ter pequenas histórias de sucesso, garantindo fôlego para uma estratégia de longo prazo”, diz.

“Muitas vezes clientes de promoção não são fiéis. Isto é, não priorizam outros serviços, apenas preços”, observa Anete. Segundo ela, não é recomendável armazenar dados de clientes que consomem somente em promoção. Um estudo -- elaborado por Frederick Reichheld e divulgado em 2007 – mostrou que a satisfação dos clientes não significa imediatamente reflexo em lucratividade das empresas.

“Lucratividade tem a ver com índice de recomendação. Se os clientes de determinada empresa recomendam os serviços para outros clientes, esse, sim, é um índice importante”.

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