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Empresas não
podem proibir namoro entre funcionários
05-06-2009
Faz parte do rol de normas de muitas empresas a proibição
ao namoro entre empregados. Algumas empresas chegam
a demitir empregados que começam a namorar. Mas,
segundo o vice-presidente de Relações
Trabalhistas e Sindicais da ABRH-Nacional, Carlos Pessoa,
não há amparo legal algum a essa prática,
que se caracterizaria por uma ingerência das empresas
na vida das pessoas.
“Algumas empresas proíbem o namoro e até
mesmo a permanência de parentes ou cônjuges
no trabalho, mas isso é ilegal. O que as empresas
podem fazer é proibir condutas inadequadas no
ambiente de trabalho, tanto entre namorados como entre
colegas”, explica.
Para Pessoa, é falsa a afirmação
de que o namoro ou a relação afetiva entre
empregados de uma mesma empresa pode afetar a produtividade
dos empregados. Ele lembra uma pesquisa americana sobre
o tema, que aponta exatamente o inverso.
“Há alguns anos, uma pesquisa feita nos
Estados Unidos revelou que duas pessoas livres e desimpedidas,
de uma mesma empresa, quando começavam um namoro,
se tornavam ambas muito mais produtivas e estimuladas
para o trabalho. É claro que em situações
de crise da relação, quando os casais
brigam ou se separam, o inverso pode acontecer. O que
é importante perceber é que, em todas
essas situações, estamos falando de seres
humanos que têm o direito a construir relações
afetivas”, assinala.
Para as empresas, as proibições ao namoro
entre empregados aplicam-se de modo ainda mais intenso
quando os empregados têm relação
profissional direta, ou seja, são chefe e subordinado.
“Uma questão muito delicada é o
assédio moral ou sexual. Mas isto se dá
quando um chefe tenta forçar uma relação
com um subordinado usando a seu favor a relação
de subordinação. Não entendo que
exista qualquer tipo de assédio quando o subordinado
tem interesse na relação, o que torna
o relacionamento um namoro como outro qualquer. As empresas
precisam compreender, ainda, que os solteiros, nos dias
de hoje, têm dificuldades em encontrar relacionamentos
duradouros e a maior chance disso se concretizar é
justamente no trabalho, onde passam a maior parte do
dia”, diz Pessoa.
Segundo ele, há dois tipos de romances no trabalho
que podem ter um efeito desagregador sobre as equipes:
o primeiro é quando um ou uma chefe namora um
ou uma subordinada. Neste caso, o chefe precisará
se esforçar muito para mostrar que segue sendo
imparcial, a despeito da relação.
“O segundo caso é mais complexo. Ele se
dá quando a equipe percebe que um determinado
empregado mantém uma relação com
um ou uma chefe exclusivamente por interesse de carreira,
o que se torna um fator de desagregação.
Em todos esses casos acredito que a intervenção
direta da empresa, por meio de uma proibição
formal, apenas joga a relação para a clandestinidade,
o que a torna ainda mais perigosa. A melhor opção
é não proibir e promover debates e workshops
para tratar do tema, evidenciando seus aspectos positivos
e negativos. A conversa, o debate e a transparência
são sempre a melhor política”, explica.
O namoro no trabalho é muito mais comum do que
se costuma imaginar. Uma pesquisa promovida pelo site
Lawyers.com em 2006, nos Estados Unidos, revelou que
41% dos empregados entre 25 e 40 anos admitiam estar
envolvidos em romances no escritório. No Brasil
não há dados oficiais a respeito, mas
estima-se que o número possa ser ainda maior
nessa faixa etária.
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