Relação maternidade e trabalho pode ser harmoniosa

08-05-2009

A presença da mulher no mercado de trabalho no Brasil vem crescendo nos últimos anos, principalmente, graças a dois fatores: a queda da taxa de fecundidade e o aumento no nível de instrução da população feminina. Pesquisas mostram que, em 1990, a parcela feminina chegava a 34,4% da população empregada. Em 2006, as mulheres ocupavam quase 42% do total. Assim, são raros, atualmente, os segmentos exclusivamente masculinos. No entanto, ainda falta muito para alcançarem uma posição de igualdade em relação aos homens em itens como salários e oportunidades de crescimento na carreira.

“A redução da fecundidade ocorreu com mais intensidade nas décadas de 70 e 80. Os anos 90 já começaram com uma taxa baixa de fecundidade: 2,6% que cai para 2,3% no fim da década. Com menos filhos, as mulheres puderam conciliar melhor o papel de mãe e de trabalhadora”, afirma o ginecologista e obstetra Aléssio Calil Mathias, diretor da Clínica Genesis.

As reações sobre a gravidez de uma funcionária nem sempre foram tratadas com amistosidade no mundo corporativo. Até algumas décadas atrás, em muitas companhias existiam restrições para a admissão de mulheres em geral, e a faixa etária mais atingida era entre 20 e 30 anos. A gravidez representava altos custos na folha de pagamento da empresa. “Hoje, observamos uma mudança na postura das organizações e isso se deve à evolução e à maturidade da mulher no campo profissional e ao próprio aumento da competitividade nas colocações de trabalho”, afirma Mathias.

Trabalho x gravidez

Com a carreira nos trilhos, a mulher passa a achar que chegou a hora de realizar o antigo sonho da maternidade. “Quem já passou por isso, no entanto, sabe que tomar a decisão de engravidar nem sempre é fácil. Equilibrar-se nos papéis de mãe e profissional é um dos principais desafios da mulher”, diz a psicóloga Vânia Botelho, que integra o corpo clínico da Genesis.

A seguir a especialista relaciona algumas atitudes que podem auxiliar a mulher que deseja ser mãe:

1) Planeje a gravidez – levando-se em consideração o local em que se trabalha, é possível planejar a gravidez e comunicar a decisão à empresa com antecedência. Esta é uma das maneiras eficientes de evitar eventuais conflitos. É possível tirar a licença-maternidade num momento mais sossegado da vida profissional. Além disto, com exceção de indicação médica contrária, as mulheres grávidas podem trabalhar, normalmente, até o nono mês;

2) Prepare o seu sucessor – além de planejar o melhor momento para engravidar, uma boa medida é preparar pessoas capazes de assumir suas tarefas, durante a licença-maternidade. “A empresa precisa continuar a andar, para que a ausência da profissional não provoque ressentimento nos colegas”, alerta Vânia.

Após a gravidez, nada de culpa

As mulheres, em geral, sentem imensa culpa e ficam inseguras em deixar o bebê para voltar à rotina do trabalho. “Se a mãe se sente muito dividida em retomar a atividade profissional, uma alternativa é investigar as causas da culpa, por meio de psicoterapia ou de alguma outra atividade que a coloque em contato consigo mesma”, aconselha a psicóloga Vânia.

Para auxiliar as mulheres nesta etapa da vida, a especialista faz algumas recomendações:

1) Potencialize o seu tempo de trabalho – eliminar a culpa da mãe que trabalha fora não é tarefa das mais fáceis. Mas é possível controlar a angústia desse conflito. “Em primeiro lugar, a mulher precisa do apoio da família, principalmente do marido. Também não deve sofrer por exercer a maternidade. A mulher tem direitos garantidos por lei, como licença-maternidade e amamentação durante o expediente", lembra a psicóloga. E por fim, para exercer a profissão, é necessário organizar a rotina da criança, confiando sua guarda a terceiros;

2) Se for necessário, diminua a sua jornada de trabalho, mas não pare de trabalhar em função do bebê - trabalhar meio período funciona como um processo de adaptação para mãe e filho. “Daqui a dez anos esses bebês vão reivindicar independência e desenvolver os próprios interesses. Vão se orgulhar da mãe e de suas realizações. É importante a mulher agir, consciente dessa evolução, sempre considerando os dois lados da relação mãe e filho para fazer a melhor escolha para ambos”, orienta Vânia. Site: www.clinicagenesis.com.br

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