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Condição
feminina no trabalho está longe da igualdade,
diz OIT
12-06-2009
Estudo divulgado pela Organização Internacional
do Trabalho (OIT) e o Programa das Nações
Unidas para o Desenvolvimento (Pnud) revela que, mesmo
com avanços obtidos nos últimos anos,
a condição feminina no mercado de trabalho
“está longe” da igualdade em relação
aos homens.
O relatório O Desafio do Equilíbrio entre
Trabalho, Família e Vida Pessoal mostra que a
maior participação feminina no mercado
de trabalho gera o desafio de se criar condições
para que as mulheres possam concorrer de forma mais
justa com os homens pelos postos de trabalho. O estudo
compreende as relações de trabalho na
América Latina e no Caribe, onde há mais
de 100 milhões de mulheres inseridas no mercado
de trabalho.
Elaborado em parceria com a Secretaria Especial de
Política para as Mulheres, do governo brasileiro,
o documento aponta que, dentre os fatores que contribuem
para o quadro de desigualdade, está a maior dificuldade
para as mulheres de conciliar trabalho e família.
Isso porque, conforme observa o estudo, há uma
mudança em ritmo muito lento da divisão
sexual do trabalho doméstico. “O modelo
homem-provedor e mulher-cuidadora ainda vigente permite
que a mulher continue arcando em forma unilateral, quando
não exclusiva, com as atividades de cuidado e
assistência aos membros da família e seu
engajamento no mercado de trabalho permanece marcado
por esse papel”, diz trecho da conclusão
do estudo.
Para a OIT, essa característica “se evidencia
tanto através do exame das carreiras que são
tipicamente femininas, quanto pelas dificuldades de
conciliar maternidade e profissão”. Para
mudança desse quadro, a OIT sugere, por exemplo,
a ampliação de políticas públicas
voltadas para as mulheres, como a construção
de creches públicas e pré-escolas.
“Os serviços públicos de cuidado
com crianças, como é o caso de creches
e pré-escolas, são fundamentais neste
aspecto, dada sua possibilidade de também atuar
como mecanismos de diminuição do peso
e da quantidade de atividades de cuidado realizadas
pela família”, diz o relatório.
“Como são as mulheres as protagonistas
principais dessas atividades, a existência e a
ampliação desses serviços também
para os homens podem ajudar a reorganizar o modelo homem-provedor
e mulher-cuidadora, na medida em que ampliam o tempo
que as mulheres podem dedicar ao trabalho remunerado
e/ou à sua vida pessoal.”
O relatório sugere ainda que as políticas
de equilíbrio entre trabalho, família
e vida pessoal devem compatibilizar os trabalhos não
remunerados com os remunerados, por meio de ações
que tornem o exercício do trabalho mais compatível
com as responsabilidades familiares, e reconhecer tanto
o papel econômico e produtivo das mulheres, quanto
o papel dos homens como cuidadores. (Agência Brasil)
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