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É melhor adiar
compra de imóvel para o 2º semestre, sugere
executivo da Anefac
12-06-2009
O consumidor interessado em comprar um imóvel
financiado deve esperar por pelo menos mais dois meses,
na opinião do vice-presidente da Associação
Nacional de Executivos de Finanças, Administração
e Contabilidade (Anefac), Miguel José Ribeiro
de Oliveira. Segundo ele, as taxas de juros, que já
estão sendo reduzidas pelos bancos, devem cair
ainda mais, com a percepção de melhora
na economia e com as reduções da taxa
básica de juros, a Selic.
Na última semana, o Banco do Brasil e a Caixa
anunciaram redução de juros, com condições
diferenciadas de acordo com a forma de pagamento das
prestações, ou se o interessado é
correntista, por exemplo. Bancos privados, como o Bradesco,
também estão de olho no mercado. Em maio,
a instituição anunciou a ampliação
do prazo de financiamento da casa própria de
25 para 30 anos em todas as modalidades previstas no
Sistema Financeiro da Habitação (SFH)
e anunciou redução de taxas. Confira dicas
do especialista sobre a compra de imóveis financiados.
Agência Brasil - As condições para
a compra de imóveis estão melhorando?
Miguel José Ribeiro de Oliveira - Depois que
a crise financeira internacional se agravou, principalmente
no período de setembro de 2008 até fevereiro
deste ano, os bancos subiram as taxas de juros, encurtaram
o prazo de financiamento e passaram a ser mais seletivos.
Estavam preocupados com a possibilidade de que a crise
pudesse se agravar e levar à inadimplência
de seus clientes.
Os bancos públicos, pressionados pelo governo,
passaram a emprestar mais para compensar a queda na
oferta de crédito dos bancos privados. Passado
esse momento, os bancos perceberam que tinha boas oportunidades
pela frente e que os públicos pegaram o espaço
deles e voltaram a emprestar. Atualmente, há
uma competição maior nesse segmento, o
que possibilita aos consumidores melhores condições.
Os bancos vêm alongando prazos. Atualmente é
possível encontrar prazo de até 30 anos.
Tem os bancos anunciando redução das taxas
de juros e em algumas situações financiando
100% do valor do imóvel. Entretanto, essas condições
tenderão a ficar ainda melhores. Mas aquele consumidor
que não pode esperar, é importante ficar
atento para não comprometer demais a renda, preferencialmente
escolher o sistema Sacre [Sistema de Amortização
Crescente] que possibilita pagar a um custo menor.
Claro que tem uma desvantagem porque as parcelas inicialmente
são maiores. Mas a dívida é amortizada
de forma mais rápida. O consumidor deve prestar
atenção também que quando vai comprar
o imóvel, além dos juros, tem seguros
e a Taxa Referencial (TR).
ABr - Quanto tempo mais aqueles que querem financiar
um imóvel devem esperar?
Oliveira - As condições de crédito
no segundo semestre vão estar melhores. Daqui
a dois ou três meses, haverá uma quantidade
maior de bancos oferecendo condições melhores,
o que possibilita uma competição maior
e beneficia os consumidores. Taxas menores, prazos maiores,
menor burocracia no sentido de que deve haver uma liberação
maior.
ABr - Os efeitos da crise no financiamento imobiliário
estão passando?
Oliveira - Tenho a convicção de que o
pior da crise já passou, o que se reflete na
própria atitude dos bancos. Se os bancos acreditassem
que a situação estaria complicada, não
fariam o que estão fazendo agora. Agregado a
isso, temos a Selic sendo reduzida, o que possibilita
aos bancos continuar reduzindo as taxas de juros.
ABr - Qual é o feito da Selic nas taxas de juros
de financiamento de imóveis?
Oliveira - A Selic é uma taxa de juros que referencia
todas as demais. Quando a Selic sobe, todas as taxas
de juros sobem. Por se tratar de financiamento de longo
prazo e de alto valor, qualquer um ponto percentual
de redução da Selic traz uma enorme efeito
no custo do financiamento de imóveis.
ABr - Os bancos estão realmente baixando os
juros ou só estão retomando ao patamar
anterior à crise?
Oliveira - Aconteceram as duas coisas. Alguns bancos
subiram as taxas de juros no momento de crise e agora,
passado aquele momento, estão levando as taxas
aos patamares que cobravam anteriormente. Mas também
tivemos bancos que mantiveram a taxa e agora, acreditando
que a economia vai ficar melhor, baixaram os juros.
Tanto aquele banco retornou à taxa anterior como
o que reduziu vai continuar reduzindo. A competição
está se iniciando nesse segmento e vai levar
a queda mais fortes nas taxas de juros.
ABr - Qual a diferença entre os sistemas de
amortização Price (Sistema Francês
de Amortização), Sacre e SAC (Sistema
de Amortização Constante)?
Oliveira - Quando você faz um financiamento,
paga sempre os juros sobre o saldo devedor. Entretanto,
tem alguns tipos de sistema que definem como vai ser
amortizada a dívida. Tem o sistema Price, que
é o mais conhecido pelos brasileiros, em que
você paga parcelas iguais durante o financiamento.
Tem o sistema Sacre, que é crescente, adotado
pela Caixa, em que as prestações iniciais
são maiores e vão sendo reduzidas a cada
12 meses. O SAC, usado tanto pela caixa quanto por bancos
privados, é muito parecido com o Sacre. Como
com esses dois sistemas, você começa igualmente
a amortizar mais no início do financiamento.
Para se ter uma idéia, no caso de um financiamento
de dez anos, o consumidor que optar pelo sistema Price
vai pagar 10% a mais do que pagaria nos outros dois
sistemas.
ABr - Para quem não tem disciplina para juntar
dinheiro, o financiamento pode ser uma boa opção,
já que a pessoa terá que reservar os recursos
para pagar as prestações?
Oliveira - Em qualquer hipótese é melhor
juntar dinheiro para comprar à vista ou para
financiar uma parcela menor do valor do imóvel.
Assim, o consumidor economiza com juros. Mas para aquele
consumidor que não é muito regrado, a
melhor indicação é o sistema de
consórcio, porque vai ter a obrigatoriedade de
pagar todo o mês.
ABr - E o financiamento é melhor opção
do que pagar aluguel?
Oliveira - Hoje em dia, eu diria que sim. As condições
de crédito melhoraram, o que possibilita pagar
o mesmo valor de um aluguel. Atualmente, os juros de
financiamento estão, em média, entre 0,90%
e 1% ao mês. O aluguel corresponde em geral de
0,80% a 1% do preço do imóvel.
ABr - Quais são as dicas na hora de pesquisar
nos bancos?
Oliveira - Estamos falando que as taxas de juros estão
caindo. Mas isso não quer dizer que todas as
taxas estejam iguais e que todos os bancos reduziram.
Nem sempre que os bancos dizem que reduziram os juros,
a redução foi para todas as categorias.
Às vezes, caíram para financiamento de
dez anos, por exemplo, ou em uma situação
em que o consumidor ofereça uma boa entrada.
A melhor alternativa é pesquisar muito. O consumidor
deve procurar o seu banco e os demais para saber quais
são a taxa de juros e os demais encargos. Ele
só vai saber onde é mais barato, se fizer
uma comparação de custos. (Agência
Brasil)
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