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Pior da crise ainda está
por vir, diz economista Rabello de Castro
17-04-2009
A crise financeira mundial está concentrada
nos países ricos e representa uma oportunidade
histórica importante para as economias emergentes
ganharem mercados. A América Latina poderá
se beneficiar da nova ordem econômica futura,
tendo o Brasil como motor de seu desenvolvimento. Mas
para que isso aconteça, a região deve
adotar um projeto de integração que leve
à consolidação de um bloco, que
pode incluir países de outros continentes, como
o Japão.
A análise foi apresentada hoje (17) pelo economista
Paulo Rabello de Castro, durante a abertura da reunião
do Conselho Empresarial da América Latina (Ceal),
no Rio de Janeiro. Entre os motivos apontados por ele
como vantagem para a região, está a manutenção
por demanda de commodities, principalmente produtos
agrícolas, o que favorece os países latinos,
tradicionalmente fortes neste segmento.
“O Brasil foi colhido apenas de lado na grande
trombada desse ônibus mundial. A região
latino-americana está relativamente menos machucada
do que os demais, e isso pode fazer com que o Brasil
seja um convalescente que saia mais rápido do
hospital da crise”, comparou.
Segundo o economista, o Brasil e os países latinos
não enveredaram no excesso de crédito
que gerou a crise mundial, a partir dos Estados Unidos,
pois vinham de um processo corretivo de anos de combate
à hiperinflação, desde os anos
90. Isso gerou um sistema bancário regional mais
forte do que existia nos mercados norte-americano e
europeu.
“O Brasil hoje está mais preparado em
termos de maturidade política, porque percebe
com mais clareza o papel que tem para a região
internamente e globalmente. O resto do mundo está
atribuindo para o Brasil este papel e é muito
importante que os outros confiem em nós”,
disse.
Para o país aproveitar essa oportunidade ao
longo dos próximos anos, ele enfatiza que será
preciso formar um novo bloco, além do Mercosul
ou da América Latina, podendo agregar forças
com o Japão que, segundo sua visão, ainda
não aderiu a um grupo específico. De acordo
com o economista, até 2050 o mundo estará
dividido em três grandes blocos: um liderado pelos
Estados Unidos, outro pela Europa e o terceiro pela
China. Os países latinos se juntariam a parte
da África e ao Japão, de acordo com Rabello
de Castro.
“Depois desta crise, temos um futuro muito brilhante.
O século 21 começa depois da crise”,
afirmou Rabello de Castro, para uma platéia formada
por diplomatas e grandes empresários latino-americanos.
O economista discordou das recentes previsões
feitas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva
e pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, de que o
pior da crise já passou. “Negativo. Eles
obviamente têm obrigação de cometer
o que eu chamo de ´mentira piedosa´, pois
ninguém vai dizer que a crise vai piorar. Mas
o fato é que não chegamos ainda e estamos
longe do fundo do poço da crise, quando os ajustes
estruturais já se deram nas empresas, inclusive
através de uma purgação do nível
de emprego. Nós não estamos nem no meio
do inverno, então não podemos enxergar
primavera alguma. Ela vai demorar”, afirmou.
Rabello de Castro estimou que os efeitos mais drásticos
da crise ainda vão perdurar até o final
deste ano, podendo se estender até meados de
2010. “Será um longo inverno, com alguns
veranicos. No passado, em grandes depressões,
também se observou momentos em que grandes especialistas
achavam que o pior já tinha passado, antes da
turbulência ter ficado maior ainda”, lembrou.
Entre os motivos que podem fazer perdurar a crise mundial,
o economista citou a situação da China,
país onde as estatísticas oficiais não
representariam a realidade da economia, que estaria
sendo mantida por excesso de créditos no seu
sistema financeiro. (Agência Brasil)
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