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Anefac diz que medidas
para reduzir spread beneficiaram mais bancos do que
consumidores
18-02-2009
Medidas adotadas para reduzir o spread dão mais
segurança aos bancos, mas não beneficiam
necessariamente o consumidor do crédito. A afirmação
é do vice-presidente da Associação
Nacional dos Executivos de Finanças, Administração
e Contabilidade (Anefac), Miguel José Ribeiro
de Oliveira. O spread é a diferença entre
os juros que a instituição financeira
paga para ter o dinheiro (basicamente a taxa de juros
Selic) e a taxa cobrada do cliente na hora do empréstimo.
A redução do spread é considerada
uma condição para o barateamento do crédito
ao tomador final e está sendo estudada pelo governo.
“Ao longo do tempo, os bancos pressionaram por
algumas mudanças. Essas medidas deram mais garantia
aos bancos, sem necessariamente beneficiar o consumidor
final”. Um exemplo é a Lei 10.820/03 que
autorizou o desconto em folha de pagamento de parcelas
de empréstimos. “Houve redução
de taxas [nessa modalidade], mas poderiam ser ainda
menores, porque a garantia é muito grande”.
“Quando for maior a garantia, menor o risco.
Um exemplo é o financiamento de carro e casa,
que tem como garantia o próprio bem”, explica.
Mas segundo ele, há casos em que “não
se justifica” spreads e taxas de juros tão
elevadas, como as do cheque especial e cartão
de crédito. “São linhas de crédito
dadas para clientes especiais. São considerados
bons clientes”, afirma.
Outra medida para reduzir os custos de inadimplência
foi a criação da Cédula de Crédito
Bancário (CCB), o que leva ao aumento dos spreads
porque as instituições aumentam os recursos
reservados para o caso de pagamento. O instrumento possibilita
maior agilidade na cobrança levada à Justiça.
A aprovação da Lei de Falências
e o estímulo ao microcrédito e às
cooperativas de crédito também foram medidas
adotadas para reduzir o spread, segundo o Banco Central,
que tem na internet mais informações sobre
as medidas.
Atualmente, lembra Oliveira, os bancos consideram que
a implementação do Cadastro Positivo pode
reduzir o spread. Mas, para ele, assim como o crédito
consignado, essa medida garante mais segurança,
mas o que realmente vai reduzir os custos dos empréstimos
é maior concorrência entre os bancos, com
aumento da oferta de crédito.
Segundo Oliveira, a inadimplência é um
dos fatores que aumenta o custo do crédito, mas
não é o principal. A inadimplência
geral no Brasil chegou a dezembro do ano passado a 4,4%.
“Nos Estados unidos e na Europa, a inadimplência
vai de 2,5% a 3%. É um percentual muito parecido.
Não é a inadimplência que é
um dos grandes vilões”, compara. (Agência
Brasil)
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