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Brasil tem mais de 8,5
milhões de artesãos, revela IBGE
19-03-2009
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(IBGE) revelam que o Brasil tem mais de 8,5 milhões
de artesãos. Do total, 87% são mulheres
que aprendem a tradição na família,
com as mães e avós. O dia de hoje, 19
de março, é dedicado a esses artistas,
que modificam a matéria-prima com técnicas
como tecelagem, cerâmica, bordado, pintura, crochê
e tricô, que são replicadas, misturadas
e reinventadas.
Além da beleza e da originalidade das peças,
o artesanato gera trabalho e renda às pessoas,
além de melhorar a auto-estima e a saúde.
A artesã Ângela Maria Monteiro afirma que
a importância desse trabalho na sua vida tem três
razões: a financeira, a auto-estima e a saúde.
“Antes eu era uma pessoa doente que tinha medo
de sair na rua e eu estava sofrendo com a síndrome
do pânico. Uma pessoa me convidou para fazer o
curso eu fui lá fiz e hoje até para a
Argentina eu já fui”, conta Ângela.
A artesã Maria da Conceição Pereira
da Silva, cega desde o nascimento, diz que o artesanato
mudou sua vida. “Ele mudou me dando mais oportunidade
de conhecer as pessoas, de trabalhar com as pessoas
ditas normais que enxergam e que não têm
deficiência.”
A arte de criar com as mãos chegou também
às universidades. É o caso de um programa
desenvolvido na Universidade de Brasília (UnB),
em parceria com o Ministério da Ciência
e Tecnologia.
A professora Georgia Castro, mestre em desenho industrial
da UnB, conta que alunos da instituição
vêm trabalhando com grupos de artesãs,
como parte de programas que visam ao design socioambiental
e à inserção social.
“ A gente busca a inserção desse
indivíduo na comunidade de uma maneira diferente,
de forma efetiva, com o seu trabalho”, destaca
Georgia.
O artesanato também faz parte da vida da aposentada
Júnia Adjuto de Melo, que tem curso superior
e hoje faz do colares, bolsas e outros acessórios
que produz um complemento da renda.
“Eu fui professora e me aposentei como professora.
Mas toda a vida eu fiz pintura e quando me aposentei
resolvi investir no artesanato por criatividade, por
lazer e para complementar o salário de professor,
que é tão pequeno”, conta Júnia.
Graças à qualidade, as peças produzidas
por muitas artesãs já chegaram às
passarelas de moda. Mas, para usar o artesanato no mundo
fashion, é preciso cautela, segundo a estilista
Juliana Murargin.
“É uma coisa fabulosa, foi uma pessoa
que fez e não uma máquina, são
as mãos que trabalham. Mas depende de como é
usado, não se pode encher uma peça de
artesanato e colocar na passarela”, pondera a
estilista. (Agência Brasil)
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