|
Empresa familiar deve
se preparar desde cedo para sucessão
20-04-2009
Dar continuidade à empresa da família,
que levou anos para ser construída e com muito
suor, é o sonho de todo fundador. Muitos pensam
que transferir o bastão para filhos ou parentes
próximos seria a garantia de sucesso e segurança
para a companhia, já que o comando estaria ainda
dentro da própria casa. No entanto, esse tipo
de estratégia nem sempre obtém resultados
satisfatórios, se o sucessor não for escolhido
corretamente.
“Ao contrário do que pensam muitos empresários,
colocar os filhos no comando da empresa nem sempre é
o correto. O que tem que ser feito é um bom planejamento
sucessório. E mais, diversos aspectos podem influenciar
na transição de uma geração
para outra”, diz o consultor e especialista em
empresas familiares Pedro Podboi Adachi.
Assim, a escolha do profissional que vai assumir os
negócios da família não deve ficar
restrita somente aos familiares. Segundo Adachi, o sucessor
não é necessariamente um herdeiro e sua
colocação no comando da empresa deve ser
feita com critérios semelhantes à contratação
de qualquer profissional, considerando aspectos como
a competência, a capacidade, a liderança,
o conhecimento, a experiência e muitos outros.
“O ideal é que sempre exista uma pessoa
capaz de suceder o principal executivo, tal como ocorre
nos demais cargos e funções de uma empresa.
Os profissionais se afastam pelos mais diversos motivos,
como férias, rescisão, falecimento ou
qualquer outra razão. Desta forma, ninguém
pode prever com exatidão quanto tempo ficará
na gestão, já que o falecimento é
um fato inevitável e não programado”,
diz o consultor.
É bom que esse processo seja muito bem preparado.
Pesquisas internacionais indicam que somente 1/3 das
empresas familiares sobrevivem à passagem para
a segunda geração e, entre as sobreviventes,
somente 15% chegam à terceira geração.
Mas, apesar do alto índice de mortalidade, poucas
se preparam adequadamente. De acordo com uma pesquisa
coordenada pelo consultor Adachi, em conjunto com o
prof. Eduardo Najjar da ESPM (Escola Superior de Propaganda
e Marketing), envolvendo 100 empresas familiares de
todo o Brasil, um dos grandes problemas que aflige essas
organizações é a falta de programas
adequados à preparação dos membros
da nova geração: cerca de 81% das empresas
pesquisadas não possuem qualquer programa destinado
para a formação dos herdeiros.
“A preparação dos herdeiros não
se limita a encaminhá-los a boas faculdades e
cursos no exterior. Os herdeiros devem ser preparados
para serem membros de uma sociedade que lhes foi imposta.
E esta formação deve ocorrer independente
da carreira que cada membro decida seguir, atuando ou
não na gestão dos negócios da família”,
revela Adachi.
O especialista aconselha que um herdeiro deve seguir
a profissão que desejar, de acordo com suas aptidões
e vocações. “O que se deve ter em
mente é que, independente da profissão
escolhida pelo herdeiro, ele herdará uma parcela
da sociedade pertencente aos seus pais e também
deve estar preparado para ser sócio”, diz.
“Atualmente existem alguns cursos de curta duração,
mais a nível de pós-graduação,
que são voltados para os herdeiros, com enfoque
em prepará-los para serem futuros membros de
uma sociedade familiar, nos quais aprendem noções
básicas de convívio em sociedade, conhecem
as boas práticas de governança corporativa,
aprendem sobre alguns aspectos jurídicos e tem
contato com outros temas relevantes para poderem ser
sócios preparados”, completa.
Da mesma forma que o fundador deve pensar em quem vai
sucedê-lo, também deve se preparar para
a aposentadoria. Também aqui, ensina o especialista,
quanto mais cedo começar, melhor. "O desligamento
não deve ser repentino, mas sim programado, preferencialmente
com a transferência para outras atividades, que
podem ser diversas como se dedicar a entidades filantrópicas,
ações culturais ou a um hobby ou esporte",
diz.
"O conhecimento do fundador sobre o negócio
também não pode ser desprezado. O sucessor
deve ter a possibilidade de contar com o apoio dele
para assuntos mais complexos, porém sem a sua
intromissão no cotidiano da empresa.
Dicas:
- desvincular a sucessão empresarial do falecimento;
- não se iludir e pensar que a sucessão
é um fato que possa ser adiado eternamente;
- elaborar um planejamento sucessório o mais
cedo possível;
- não restringir a escolha do sucessor somente
aos herdeiros (não confundir herdeiro com sucessor);
- definir regras claras para os membros de uma sociedade
familiar;
- planejar a profissionalização da gestão,
dos sócios e dos familiares;
- respeitar e manter boa comunicação com
todos os grupos de influências (funcionários,
fornecedores, clientes, comunidade etc);
- desenvolver um projeto de vida para quem será
sucedido;
- respeitar a diferença entre os herdeiros e
entre as diferentes gerações (fundador
e herdeiros);
- estar aberto para o diálogo;
- contar com o apoio de um profissional externo;
- investir em programas de preparação
de herdeiros e futuros sócios;
- adotar as boas práticas da governança
corporativa;
- separar os assuntos familiares dos assuntos da empresa
Leia Também:
Pior
da crise ainda está por vir, diz economista Rabello
de Castro
Encare
o currículo como sua peça de marketing
pessoal
Como
agir na busca por uma oportunidade de emprego
Impostômetro
também apura queda da receita tributária
Serviço
ajuda pequeno empresário a explorar comércio
eletrônico
Crise
reverte quadro de melhorias sociais, avalia FGV
Síndrome
de Burnout afeta produtividade e precisa ser tratada
Vacina
contra gripe tem reflexos positivos no trabalho
Crise
ampliou cobranças no trabalho? Use a saúde
a seu favor
Gastos
do governo não contribuem para o crescimento
Como
evitar que atritos azedem o ambiente de trabalho
Como
manter a equipe unida em tempos de crise
Clique
Aqui e Veja Mais Carreiras & Gestão
Leia
Todas as Últimas Notícias
|