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Crise internacional atingiu
63% das MPEs brasileiras
22-06-2009
A crise financeira internacional atingiu 63% das micro
e pequenas empresas brasileiras. De cada 100 MPEs, 63
tiveram ou ainda estão tendo dificuldades para
lidar com os reflexos causados pela crise econômica
mundial como queda de demanda e crédito mais
caro. Estes são os principais resultados da pesquisa
“Impacto da Crise Financeira Internacional nas
MPEs Brasileiras”, que foi realizada entre março
e maio de 2009 com 4.200 micro e pequenas empresas em
todo o país pelo Sebrae-SP.
Segundo Ricardo Tortorella, diretor-superintendente
do Sebrae-SP, a crise internacional produz efeitos piores
para as atividades que dependem de financiamento, caso
da indústria e do agronegócio voltado
para a exportação. “As atividades
que dependem mais da renda do consumidor sentem menos
os efeitos da crise como, por exemplo, os setores de
comércio e o de serviços. Esta deve ser
a tendência para todo o ano de 2009”, afirma.
Entre os impactos sentidos pelos empresários,
destacam-se queda de demanda (60%) e taxas de juros
(45%), que incluem desde taxas de juros altas (45%)
e dificuldade de se conseguir financiamento (40%). “O
problema do crédito não é exclusividade
de tempos de crise. As micro e pequenas empresas possuem
dificuldades de oferecer garantias e apresentar todos
os documentos exigidos na hora de recorrer a um financiamento”,
explica Tortorella.
O aumento no preço dos importados e a redução
dos prazos de pagamento também foram citados
pelos empresários (33% e 24%, respectivamente).
Por outro lado, apenas 2% dos entrevistados apontaram
aumento da inadimplência dos clientes, demissões,
queda dos lucros e das exportações como
reflexos da crise mundial em seus negócios.
Por região
Por regiões, os donos de empresas do Sudeste
e Centro-Oeste disseram ter sido mais atingidos pelos
efeitos da crise econômica com 64%. “São
regiões com concentração de indústria
e de agronegócio voltado para exportação,
que sofreram mais com a queda do nível de atividade
e do consumo no exterior”, complementa Tortorella.
Por estado, Goiás foi o estado com o maior índice
de empresas afetadas: 72% dos empresários foram
ou estão sendo atingidos pelos reflexos da crise.
Na outra ponta, com menor índice de prejuízo
aparece Santa Catarina.
Enquanto a região Sudeste (62%) foi a mais atingida
por conta da queda de demanda, no Sul o impacto foi
menor (57%). Em compensação, os empresários
do Nordeste foram os que mais reclamaram do acesso ao
crédito (43%).
Por setor
Por setor, a indústria foi o setor com maior
proporção de empresas atingidas pela crise
econômica mundial, com 67%, seguida pelo comércio
e serviços (66% e 56%, respectivamente). “A
crise financeira internacional afetou com mais intensidade
as atividades industriais por serem mais dependentes
das exportações e dos empréstimos
bancários, seja para financiar capital de giro
ou para alavancar suas vendas junto ao mercado”,
explica Marco Aurélio Bedê, consultor do
Sebrae-SP.
Na indústria, os segmentos mais afetados foram
os de bens de consumo duráveis (máquinas
e aparelhos elétricos) e bens de capital (máquinas
e equipamentos). “Em momentos de incerteza econômica,
essas indústrias costumam ser as mais atingidas
porque estão atreladas a duas variáveis:
produto com alto valor unitário e concessão
de crédito para vender. É o caso, por
exemplo, de uma pequena indústria que produz
móveis e que vende uma estante por $ 1.500 (valor
unitário alto) por meio de crediário”,
ressalta o consultor.
A queda de demanda também foi sentida nas atividades
comerciais. “No comércio, além do
aspecto do crédito mais caro e difícil,
pesou a maior incerteza e o efeito psicológico
sobre os consumidores, que reduziram ou postergaram
suas compras de longo prazo”, observa Marco Aurélio
Bedê.
Expectativa
Mesmo após nove meses do início da crise
mundial, 42% dos donos de micro e pequenas empresas
afirmam que não houve melhora na oferta de recursos
bancários para empréstimos. Outros 30%
consideram que a oferta de crédito melhorou,
enquanto 28% não soube dizer.
Os empresários do Norte são ao mais pessimistas
em relação à melhora na oferta
de recursos: 45% afirmam que não houve melhora
de oferta de crédito contra 37% da região
Sul. Por outro lado, as MPEs do Centro-Oeste sentiram
que houve mais recursos disponíveis no mercado
(34%).
Para os próximos seis, a maioria dos empresários
trabalha com cenário realista, com destaque para
a previsão otimista de aumento do faturamento
(46% do total). Em relação ao número
de funcionários, 67% manterá o quadro
atual e apenas 8% pretendem demitir. “A boa notícia
é que o Brasil faz parte do mundo globalizado.
Além disso, o empreendedor brasileiro é
persistente, ousado e disposto a correr risco. Isso
tudo pesa muito em momento de crise”, finaliza
Tortorella.
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