Como o comércio deve se preparar para datas comemorativas

23-04-2009

A equipe de vendas está pronta, devidamente contratada e treinada para vender e gerar lucro. E quando o comércio se aproxima de alguma data comemorativa, a pressão e a preocupação em gerar lucro e alcançar as metas aumentam. O momento é de por a mão da massa! Mas e a abordagem? E a técnica que será utilizada?

De acordo com Wilson Mileris, um especialista em vendas, liderança e motivação, se os gestores ou proprietários das empresas varejistas não estiverem se preparando em relação a todos esses fatores, o sucesso esperado pode não acontecer. “Em qualquer negócio, sabe-se que é preciso criar um bom processo de relacionamento e, em vendas, não poderia ser diferente. O ato de vender requer treinamento, dedicação e reciclagem, assim como todas as profissões”, explica.

A próxima data mais esperada pelos comerciantes é o dia das mães e a equipe, assim como seus lideres, já precisa estar preparada ou começando a planejar workshops e treinamentos específicos. “Trata-se da segunda melhor data de vendas do comércio varejista. Para se ter uma idéia, de 9 a 11 de maio de 2008, as vendas do varejo aumentaram 8,2% em todo o país, na comparação com o período equivalente do ano de 2007”, compara Mileris.

O especialista aconselha que a época é propícia para alavancar as vendas, porque o apelo de preço é sempre muito forte. “O envolvimento não é definitivamente um estilo na venda transacional, a de shopping center, por exemplo. É claro que o preparo no atendimento e na sondagem das necessidades é essencial, mas os vendedores precisam ter velocidade, oferecer vantagens e qualidade para atender a demanda que aumenta”, revela.

A mãe moderna, por exemplo, não gosta de ganhar eletrodomésticos. “O mundo mudou e o consumo no dia das mães deve ser focado na mulher moderna, que trabalha, que é antenada na moda, nas tendências de comunicação pela internet, nas facilidades de um mundo virtual, veloz e tecnológico. Elas querem Ipods, celulares de última geração, notebook, GPSs e tantas outra maravilhas tecnológicas que lhes possam render mais tempo para equilibrar o trabalho com a vida em família”, adverte.

O vestuário, cuidados pessoais, saúde e beleza também são boas apostas de lucro para as grandes redes. “No entanto, o comércio precisa valorizar o intangível, o lado da emoção do filho, do pai, da pessoa que compra o presente para sua mamãe. Qualquer vendedor que se preze sabe que o produto que mais vende é aquele que mais se oferece, mas o jeito de apresentar faz toda a diferença. Segundo Abraham Maslow, em sua teoria das necessidades, nós seres humanos estamos sempre motivados a atender diferentes fatores de necessidade como sobrevivência, aquisição, família, reconhecimento e auto-realização”, explica.

Segundo a pesquisa realizada pelo Serasa, as compras de última hora foram às principais responsáveis pela alta nas vendas no ano passado. “A maior vantagem desta data é o apelo emocional que ela transmite e levar isso em consideração é fundamental na abordagem, o que é diferente de pressionar. As pessoas são fiéis as marcas e lojas quando recebem atenção especial do vendedor. Por isso, é importante fazer perguntas e permitir que o cliente em potencial passe a maior parte do tempo falando. Esta aproximação é fundamental e o relacionamento não se baseia somente no interesse da concretização do negócio, mas sim na qualidade do atendimento”, realça o especialista.

Mileris, que já treinou equipes de grandes empresas, comenta que nem sempre insistir com a clientela finalizará em vendas. “Pressionar não causa boa impressão, principalmente porque não é possível consolidar uma relação amigável. O ideal é torna-se um tipo de suporte para os clientes, assim eles se tornam dependentes daquele tipo de atendimento ou produtos. Quanto mais as necessidades forem atendidas, mais responderão às ofertas”, recomenda.

Motivação e treinamento

O especialista esclarece que nem sempre dinheiro motiva funcionários. “Empresários e dirigentes de equipes perceberam que seus vendedores tendem a ganhar um bom dinheiro quando trabalham bem. Mas o que realmente sentem de uma pessoa engajada, e feliz em vendas, são fatores como segurança, pertencimento, reconhecimento e auto-realização que se tornam mais necessários”, afirma.

Reconhecer é saber premiar, valorizar as melhores práticas e prestigiar a equipe. Um dos maiores prestígios que se pode dar aos vendedores é treiná-los. “Treinamento traz segurança, preparo e mais assertividade na hora de escolher quem deve permanecer ou ser demitido. Muita gente se questiona: “Se eu treinar minha equipe e eles forem embora?” Mas o pior é se você não treinar e eles ficarem, cheio de vícios e desculpas por não alcançarem suas metas”, argumenta.

O consultor relata os segredos para formar, treinar e gerenciar uma equipe comercial, usando as técnicas dos “Três Erres”:

- Regras – Quando formamos uma equipe comercial, precisamos definir sua maneira de trabalhar, objetivos a conquistar e o monitoramento que existirá. Fazer isso é definir regras do jogo, ou seja, explicar como, o que, quando e onde a pessoa deve atuar. Sem regras uma equipe fica solta e muitos vendedores saem do eixo, se perdem, e, explicam por que não conseguem vender.

- Reconhecimento – É o elemento essencial para que a equipe produza.

- Resultado – Não adianta ser competente se não tem resultado! O vendedor deve ser obstinado a resultados e precisa conquistá-los para não perder seu emprego.

Para concluir, Mileris destaca um dos maiores segredos de vendas, que deve ser sempre enfatizado nos treinamentos. “O envolvimento é chave no atendimento e no processo de venda. Os clientes precisam de atendimento que supra falta de idéias, pois muita gente sai de casa sem saber ao certo o que comprar. Uma agência de turismo deve investir na data tanto quanto a loja de bolsas. Um concorre com a outra nesta época e caso o filho tenha idéia de comprar uma bolsa, pode por um acaso ser convencido pela agente de viagens que sua mãe merece o prazer que lhe proporcionará”, completa.

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