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Empresas apostam em educação
para cortar gasto com saúde
01-12-2009
A Hewitt Associates, uma consultoria de recursos humanos,
acabou de divulgar a edição 2009 da Pesquisa
Anual de Benefícios e Administração,
que contou com a participação de 193 empresas
de diversos setores de atividades, e que destaca algumas
ações que o RH deve evitar ao rever o
desenho da assistência médica.
Segundo Roberta Porcel, consultora sênior da
Prática de Benefícios, responsável
pela pesquisa, deve-se destacar que, para sobreviver
à crise econômica, além do foco
nos talentos-chave, a readequação das
políticas de benefícios encabeçou
a lista de prioridades, principalmente, no que tange
à assistência médica. A seguir,
resumo dos resultados:
Assistência médica
Destaques: aumentou de 45%, na edição
2008, para 49%, o percentual de empresas que pagam 100%
do Plano Básico para todos os níveis hierárquicos.
Já quanto às empresas que oferecem Plano
Básico para todos os níveis hierárquicos,
houve queda brusca de 71%, na edição de
2008, para 36%, o percentual de empresas que oferecem
alguma opção de upgrade. Este comportamento
retrata a preocupação cada vez maior das
empresas com a geração dos passivos no
plano de saúde.
Além disso, a participação do
colaborador também foi revista, e o percentual
de Empresas que cobram co-participação
aumentou de 41%, em 2008, para 60%, em 2009. O peso
dos custos com assistência médica e as
altas taxas de utilização por conta da
gripe suína fizeram as empresas repensarem como
dividir a conta com os colaboradores.
“Quanto maior a demanda, maior o custo. Com a
H1N1, a procura por serviços médicos foi
intensa e até os hospitais mais caros ficaram
com taxas altíssimas de utilização.
Enquanto algumas empresas reduziram o padrão
do plano, outras optaram por aplicar a co-participação
na realização de consultas e exames simples”,
destaca Ronn Gabay, Líder da Prática de
Administração de Benefícios. Ao
redesenhar os pacotes de benefícios, o ponto-chave
foi, sem dúvida alguma, a assistência médica
que representa grande parte do valor total do pacote.
A assistência médica é prestada,
principalmente, por seguradora (53%), seguida de cooperativa
médica (26%), administradora (21%), medicina
de grupo (18%) e autogestão (12%).
Promoção de saúde
Check-up: em 2008, 64% das empresas pesquisadas tinham
o “check-up” como umas das ações
do programa de promoção de saúde.
Em 2009, este índice caiu para 58%. Essa queda
retrata a dificuldade que as empresas encontram para
que os executivos realizem os check-ups devidamente
e, ainda assim, façam os acompanhamentos necessários.
“A baixa percepção de valor por
parte dos colaboradores e a dificuldade para mensurar
a efetividade dos check-ups reduzem esta prática
dentro das empresas”, destaca Andréa Campos,
consultora sênior da Prática de Benefícios.
Gerenciamento de crônicos: Outra prática
que também vem apresentando queda no Brasil são
as ações de gerenciamento de crônicos.
Em 2008, 76% das empresas tinham ações
de gestão de doenças crônicas. Em
2009, este índice é 69%.
Programas de educação em saúde:
Atualmente, as empresas buscam investir em ações
que combinem o aumento da qualidade de vida dos colaboradores
e impactos favoráveis na utilização
da assistência médica, por isso, em 2009,
o destaque ficou por conta dos programas de educação
em saúde. Em 2008, 86% das empresas participantes
investiram em programas de educação; em
2009, este índice subiu para 97%.
“Para as empresas está claro que a crise
nos custos dos planos de saúde é um reflexo
da má utilização e da falta de
informações dos usuários”,
comenta Andréa Campos, consultora sênior
da Prática de Benefícios.
A terceira geração da assistência
médica
Cada vez mais, o mercado brasileiro caminha para o
que chamamos de “Terceira Geração
da Assistência Médica”. Neste conceito,
ao invés de penalizar os colaboradores com a
implantação de um sistema de co-participação
ou focar a atenção nos grupos crônicos,
por exemplo, a empresa investe em educação
dos usuários e passa a premiar aqueles que se
exercitam- regularmente, que realizam exames preventivos,
que melhoram o índice de gordura corporal ou
que baixam a pressão arterial.
O foco da empresa neste caso, é manter a saúde
e a qualidade do plano, recompensando aqueles que contribuam
diretamente para a queda da sinistralidade (o que o
plano de saúde gasta para atender seus beneficiários).
Este conceito, que já é um sucesso nos
Estados Unidos, foi trazido para o Brasil pela a Hewitt
Associates, em 2008, e indica formas de conquistar o
apoio dos colaboradores na gestão consciente
da assistência médica, por meio de dois
pilares:
Educação sobre “como utilizar bem
o plano de saúde”; reconhecimento.
Este é um trabalho de médio e longo prazos,
que tende a reduzir a sinistralidade, mas que exige
uma mudança cultural profunda. Na opinião
de Gabay, os usuários de um plano de saúde
empresarial devem receber dicas práticas sobre
como é possível utilizar o plano de forma
saudável e, ainda assim, receber prêmios,
reconhecimentos etc. em decorrência do uso consciente
da assistência médica e do compromisso
com hábitos saudáveis.
Pós-Crise: ações que o RH deve
evitar ao rever o Pacote de Benefícios
Ao rever o pacote de benefícios, o RH deve estar
atento para não tomar decisões que irão
apenas postergar o reajuste dos custos. “Alterar
de uma operadora para outra do mesmo tipo, sem alterar
o desenho do plano, é um grande erro que encontramos
constantemente” destaca Ronn Gabay. Para reduzir
os gastos com o plano de saúde, é preciso
rever o desenho, e não apenas mudar de operadora.
Além disso, é preciso ter cautela ao selecionar
a melhor operadora baseando-se exclusivamente em preço.
“Muitas vezes vemos propostas comerciais tentadoras
e, após um ano de utilização, as
operadoras de saúde apresentam reajustes gigantescos”.
Outras dicas:
Escolha de operadoras alternativas em regiões
dominadas por uma única empresa;
Selecionar operadora baseado em preço;
Comparar medicinas de grupo com seguradoras nas mesmas
bases;
Cooperativas Médicas – Entender o sistema
e pesquisar;
Autorizar exceções, como a “inclusão
de filhos de diretores maiores de 24 anos”, pode
trazer consequências graves e altos reajustes
para a empresa;
Problemas relacionados com a autorização
de procedimentos nem sempre são burocracia da
Seguradora.
Cerca de 1/3 das empresas que participaram da pesquisa
tem de 1.000 a 5.000 colaboradores. Das empresas pesquisas,
a maioria tem capital de origem norte-americano (37%)
e brasileiro (29%), e atua nos seguintes ramos de atividade:
outros serviços (15%); outros setores (10%);
alimentos, bebida e tabaco (9%); química, agroquímica
e petroquímica (9%); automotivo e autopeças
(8%); e comércio (8%).
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