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Pesquisa mostra que homens
perderam mais empregos do que mulheres em função
da crise
02-07-2009
O mercado de trabalho brasileiro vem sentindo os efeitos
da crise financeira internacional desde outubro de 2008.
A trajetória anterior, de crescimento do emprego,
se reverteu em aumento das taxas de desemprego.
Os homens perderam mais emprego do que as mulheres
no setor formal. Mais mulheres, no entanto, se retiraram
do mercado de trabalho. Na prática, a população
economicamente ativa se masculinizou, revertendo uma
tendência de feminização do mercado
de trabalho.
As constatações estão no estudo
A Crise Econômica Internacional e os (Possíveis)
Impactos sobre a Vida das Mulheres, lançado hoje
(2) pela Secretaria Especial de Políticas para
as Mulheres do governo federal. O estudo foi feito em
parceria com o IBGE, o Instituto de Pesquisa Econômica
Aplicada (Ipea) e a Organização Internacional
do Trabalho (OIT).
O trabalho, desenvolvido pelo Grupo de Trabalho da
Crise e criado no âmbito do Observatório
Brasil da Igualdade de Gênero, se baseia em indicadores
do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados, do
Ministério do Trabalho (Caged), da Pesquisa Mensal
de Emprego, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
(PME/IBGE) e da Pesquisa de Emprego e Desemprego, do
Departamento Intersindical de Estatística e Estudos
Socioeconômicos e Fundação Sistema
Estadual de Análise de Dados (PED/Dieese-Seade).
As taxas de desemprego femininas são normalmente
mais elevadas que as masculinas. No contexto de crise,
porém, o estudo mostra que as taxas de desemprego
masculinas tendem a crescer mais.
De setembro de 2008 a abril de 2009, o crescimento
do desemprego foi de 24% entre os homens e de 11,2%
entre as mulheres (21,3% brancas e 4,1% negras). A razão
é simples: os setores mais atingidos pela crise
foram a indústria da transformação
e a construção civil, que tradicionalmente
empregam mais homens.
Outra justificativa para a menor elevação
na taxa de desemprego entre as mulheres é o fato
de elas terem se retirado do mercado de trabalho –
muitas trabalhadoras perderam seus postos de trabalho
e desistiram de procurar emprego, ficando de fora das
estatísticas.
“Em situações de perda de emprego
ou ocupação no núcleo familiar,
há maior probabilidade de que mulheres retornem
às suas casas e se responsabilizem pelas atividades
domésticas do que homens, seja pelo fato de que
trabalhavam em pequenos empreendimentos familiares que
não sobreviveram à crise, seja porque
a perda de rendimento familiar impossibilitou a manutenção
de uma trabalhadora doméstica”, analisa
o estudo. (Agência Brasil)
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