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Governo adia definição
de proposta brasileira para Conferência do Clima
03-11-2009
O governo adiou para o dia 14 de novembro a definição
da proposta que o Brasil vai levar para a Conferência
das Nações Unidas sobre Mudanças
Climáticas, em dezembro, em Copenhague. O governo
quer mais tempo para detalhar as medidas que serão
tomadas por setores como agricultura e siderurgia para
redução de emissões nacionais de
gases de efeito estufa. Até o momento, a única
proposta consensual é a redução
de 80% do desmatamento da Amazônia até
2020.
Pelos cálculos do governo, com a redução
do desmatamento da Amazônia, o Brasil deixaria
de emitir cerca de 580 milhões de toneladas de
dióxido de carbono por ano. ”É igual
a todo o esforço americano se a lei deles passar
no Senado”, comparou o ministro das Relações
Exteriores, Celso Amorim.
O controle do desmatamento nesse patamar seria suficiente
para baixar os níveis de emissões nacionais
em cerca de 20%. Para chegar ao número final,
o governo vai calcular qual será a redução
possível em outros setores. A soma das outras
medidas deve ficar entre 17% e 20%.
“Vamos tomar medidas nas áreas de energia,
agropecuária, siderurgia e desmatamento em outros
biomas”, listou a ministra-chefe da Casa Civil,
Dilma Rousseff. “Com a soma de esforços
vamos chegar a um número significativo. O Brasil
está disposto ao maior esforço possível
para que a reunião de Copenhague seja bem sucedida”,
acrescentou.
Dilma afirmou que a proposta que será anunciada
em alguns dias não necessariamente trará
os números de redução de emissões
em cada setor. “Serão linhas gerais. Não
vamos apresentar os números, vamos apresentar
as medidas. Até porque estamos fazendo de forma
voluntária, porque achamos que é importante
que o Brasil preserve suas características de
país sustentável.”
O ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, não
descarta o número proposto por sua pasta, de
redução de 40% das emissões até
2020, considerando crescimento econômico de 4%
ao ano. “Nada está descartado nem definido.”
Segundo Minc, na reunião de hoje foram apresentadas
opções considerando cenários de
crescimento da economia de 5% e 6% ao ano, a pedido
da ministra Dilma.
Minc adiantou que a contribuição da agricultura
será fundamental, com ações de
manejo, plantio direto e recuperação de
áreas degradadas. “A agricultura brasileira
dará uma grande contribuição”,
disse.
O ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, participou
da reunião mas deixou o encontro sem falar com
a imprensa.
Parte das ações de mitigação
do governo brasileiro vão depender de recursos
internacionais, alguns setores menos, como a agricultura,
e outros mais, como o combate ao desmatamento da Amazônia.
O financiamento é justamente um dos pontos que
anda travando a negociação do novo acordo
climático global.
De acordo com o ministro Celso Amorim, o Banco Mundial
estima que sejam necessários pelo menos US$ 400
bilhões por ano para que os países em
desenvolvimento enfrentem as mudanças climáticas.
Até agora, a única proposta na mesa, da
União Europeia, fala em recursos na ordem de
US$ 140 bilhões. (Agência Brasil)
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