Otimismo com Natal impulsiona emprego no varejo, apura Fecomercio

04-11-2009

A aposta dos empresários do setor varejista da Região Metropolitana de São Paulo na recuperação das vendas, principalmente com a proximidade do Natal, tem contribuído para o aumento do nível de emprego nos últimos seis meses, segundo análise da Fecomercio. Em setembro, o comércio varejista abriu 3.604 novas vagas, resultado da diferença entre admitidos, que alcançou no mês 38.383, e de demitidos, 34.779.

Dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados do Ministério do Trabalho (CAGED) mostram que, em setembro, o saldo de emprego formal do comércio totalizou 853.244 ante os 849.640 em agosto, resultando em um crescimento de 4,2% no nível de emprego em comparação com o mesmo mês de 2008.

O otimismo dos empresários para as vendas de Natal e do início de ano deve-se as quedas das taxas de juros ao consumidor e recuperação da confiança das famílias, que pretendem consumir mais no segundo semestre, bem como ao desempenho positivo do Produto Interno Bruto (PIB) para o final de 2009 e início de 2010. “A mola propulsora do crescimento ainda continuará sendo o consumo das famílias”, diz Flávio Leite, estatístico da Fecomercio.

Outro fator importante para o termômetro do consumo é o fato de não se observar uma elevação dos atrasos em pagamentos de contas, garantindo um ambiente estável para o setor de crédito. A inadimplência do consumidor, calculada pela Fecomercio por meio da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência (PEIC), recuou em outubro passando de 8,1% em agosto para 5,2% em outubro, no município de São Paulo.

As maiores taxas de admissão foram nos setores de Vestuário, Tecidos e Calçados (5,5%), Farmácias e Perfumarias (4,7%), Supermercados (Alimentos) e Materiais de Construção (4,8%). A três atividades têm taxa de rotatividade (turn over) muito forte e da mesma forma que admitiram, também tiveram as maiores taxas de demissão: 5,4%, 4,1% e 4,3% respectivamente. No resultado geral do comércio, a rotatividade do comércio apontou taxa de 4,3% em setembro.

A análise da Fecomercio mostra a tendência ascendente de admissões no comércio desde dezembro de 2008. No sentido contrário, há tendência de queda nas demissões de março até agosto de 2009. Segundo Leite, a pequena elevação em setembro não pode ser encarada como uma tendência de alta.

Salários

Os salários médios nominais do comércio varejista em setembro ficaram em R$ 1.255. Os maiores salários foram nas Lojas de Departamentos (R$ 2.221), Lojas de Eletrodomésticos e Eletroeletrônicos (R$ 1.714) e Concessionárias de Veículos (R$ 1.645). Os menores salários, em Supermercados (R$ 1.060) e Materiais de Construção (R$ 1.113).

A análise da Fecomercio aponta que, apesar do cenário favorável em relação à contratação de mão de obra no comércio, os salários médios nominais estão em tendência de queda, o que pode ser atribuído à rotatividade dos segmentos, em que um empregado novo é contratado com salário ligeiramente menor ao anterior, favorecendo a trajetória decrescente do indicador.

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