Vendas do comércio na Grande São Paulo caíram 0,8% em maio

06-07-2009

O faturamento real do comércio varejista da Região Metropolitana de São Paulo mostrou, em maio, queda de 0,8% em comparação a igual mês do ano passado, aponta a Pesquisa Conjuntural do Comércio Varejista (PCCV) da Fecomercio. Com esse resultado, as vendas acumuladas em 2009 caíram 1,1% ante os cinco primeiros meses de 2008. Essa é a quarta redução no índice negativo acumulado, o que pode ser sinal de que a forte retração iniciada em outubro do ano passado esteja gradativamente se atenuando.

Segundo Altamiro Carvalho, economista da Fecomercio, apesar da queda, o número de atividades com resultados positivos no faturamento em maio também apresentou crescimento, quando cinco dos oito segmentos pesquisados conseguiram superar as vendas realizadas em igual mês do ano passado. Além disso, levando-se em conta as expectativas negativas do final do ano passado sobre as consequências da crise, uma queda de 1,1% nas vendas totais pode ser avaliada como desempenho razoável, ainda considerando-se a forte base comparativa do mesmo período de 2008.

Dos segmentos com desempenho positivo, a pesquisa aponta que mais uma vez Farmácias e Perfumarias registraram o melhor resultado no mês e já acumulam alta de 11,3% no ano. As vendas decorrentes do Dia das Mães, adicionado ao aumento da massa de rendimentos na região e ao crescimento das vendas de produtos de higiene pessoal e de beleza, em decorrência do aumento da variedade de artigos oferecidos nos estabelecimentos deste segmento, foram as principais razões desta elevação. Desde o início do ano, o setor vem mostrando um forte desempenho acumulando no ano com elevação de 11,3%.

O faturamento real das Lojas de Departamentos apresentou alta de 7,7% em maio em comparação com o mesmo período de 2008. Desde janeiro, o segmento não registra variações negativas. No período compreendido entre janeiro a maio, o segmento acumula incremento de 7,9%. Com a redução do IPI na Linha Branca de eletrodomésticos, aliado à desvalorização do dólar frente ao Real, os preços dos bens comercializados nas Lojas de Departamento tendem a cair, aquecendo as vendas.

O setor de Supermercados teve a segunda alta consecutiva. Na comparação com mesmo mês do ano anterior, o segmento teve um aumento de 6,8% no faturamento real. No acumulado do ano, apresenta elevação de 4,4%, o que mostra uma importante recuperação do segmento nos últimos dois meses. A elevação do faturamento do setor supermercadista também é reflexo do aumento da massa de rendimentos na região que ocorreu em relação ao ano passado.

Os primeiros sinais de que a redução do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) sobre vários itens de materiais de construção teve efeito positivo foram constatados no desempenho de Lojas de Materiais de Construção, que apresentaram alta no faturamento real de 6,4% em comparação a maio de 2008. No ano, o setor ainda acumula perdas: queda de 5,6% nos primeiros cinco meses do ano

O segmento de Lojas de Móveis e Decorações também já apresenta sinais positivos no desempenho das vendas em maio. Após apontar quedas de faturamento entre janeiro e abril, o faturamento real das lojas de móveis e decorações cresceu 1% em maio. Esse resultado não pode ser identificado como evidência concreta de reversão da tendência, mas, de qualquer forma interrompe um ciclo bastante negativo. No acumulado de 2009, o faturamento real ainda está em queda de 6%.

Para o economista, considerando a trajetória dos resultados no ano, pode-se notar que há tendência de melhoria gradual do consumo, em relação às fortes quedas observadas no final de 2008, mas que ainda não permite afirmar que se caminha para índices positivos nas vendas para o segundo semestre. “Esse nível de consumo vem sendo mantido basicamente graças ao aumento da massa real de salários, da lenta recuperação do crédito e pelas isenções pontuais de imposto para determinados setores”, avalia Carvalho.

Setores em queda

No sentido oposto, as lojas de eletroeletrônicos apresentaram o pior desempenho do varejo em maio e também no acumulado no ano (-13,2%). Mesmo com algum estímulo devido à queda do IPI, esse segmento não conseguiu caminhar para números melhores. Em maio, houve queda de 15,9% do faturamento real em relação ao ano passado e, nos cinco primeiros meses do ano, o desempenho foi de -13,2%.

Segundo Carvalho, um dos fatores importantes para explicar a fraca reação do segmento, mesmo com a redução do IPI, é que esse estímulo foi muito localizado, atendendo a um número muito reduzido de produtos.

O Comércio Automotivo também apresentou resultado negativo no mês, 13,6% em relação a maio de 2008, acumulando queda de vendas reais de 9% no ano. Apesar do nível de produção estar se aquecendo, graças aos incentivos de IPI, isso também provocou queda considerável no preço médio dos veículos novos. Desta forma, embora a quantidade esteja mostrando desempenho positivo, o volume monetário dessas vendas se apresenta abaixo do registrado no ano passado.

A atividade de Vestuário, Tecidos e Calçados acusou a quinta queda consecutiva no faturamento real, registrando queda de 13,9% em maio comparativamente ao mesmo mês do ano passado. Em abril, o recuo havia sido de 9,3%. No acumulado de janeiro a maio, o setor acumula queda de 9,5%.

Carvalho explica que mesmo contado com o Dia das Mães, em que os bens semiduráveis são considerados carros-chefe na hora de presentear, a atividade não reverteu a tendência negativa em seu faturamento real. “O desaquecimento pode ser atribuído às reduções do IPI nos segmentos de Eletrodomésticos, Materiais de Construção e Veículos, que deslocam o consumo para estes outros bens”, afirma o economista.

Link útil aos usuários

Clique aqui e compare preços de centenas de produtos e serviços


Leia Também:

CANAL EXECUTIVO possui serviço de pesquisa sob encomenda

Mais de 80% dos executivos têm rejeição à contratação de fumantes

Com crise, empresas americanas ampliam horário flexível no Verão

Brasileiro está menos otimista, mas quer ir às compras

Refrigerador pago a prazo pode custar R$ 220 a mais que o comprado à vista

Pesquisa mostra que homens perderam mais empregos do que mulheres em função da crise

Nível de ocupação caiu mais entre as mulheres desde o início da crise

Estudo mostra tendências para sistemas de remuneração

Estudo aponta áreas de destaque em pesquisa e desenvolvimento no mundo

Vagas temporárias durante férias de Inverno devem cair 32% ante 2008

Crescem as exportações brasileiras para a China

Veja valores de aluguel de imóveis para férias de Inverno

Governança corporativa ganha peso em cenário de risco

Homem compra mais aparelho eletrônico que a mulher

Clique Aqui e Veja Mais Pesquisas
Leia Todas as Últimas Notícias