70% das empresas sofreram algum tipo de fraude

06-10-2009

A fraude continua a atingir as empresas brasileiras e a afetar os resultados finais das organizações. Essa é uma das conclusões da quarta edição da pesquisa “A fraude no Brasil”, realizada pela KPMG com base em questionário detalhado enviado para mais de mil das maiores empresas do país.

O estudo mostra que 70% dos entrevistados sofreram fraude em sua companhia nos últimos dois anos. Destes, 29% foram resultado da falsificação de cheques e documentos, 25% do roubo de ativos, 14% notas fiscais frias, e 12% com contas de despesas (viagem, refeição, hospedagem), entre outros. Além disso, 60% das empresas acreditam que a fraude no Brasil poderá aumentar nos próximos dois anos.

A maior parte das perdas, 77%, é inferior a R$ 1 milhão. Esse índice diminuiu em relação ao levantamento anterior da KPMG, de 2004, quando o patamar ficou em 83%. Porém, o percentual de perdas na faixa entre R$ 1 milhão e R$ 5 milhões cresceu para 14%, contra 12%. E em 68% dos casos, não houve qualquer recuperação de valores, índice bem superior aos 49% reportados em 2004.

“Em relação a quanto as fraudes custaram para a empresa, é difícil estimar um valor total, pois nem todas os delitos e abusos são descobertos; nem toda fraude descoberta é relatada; e nem sempre se busca uma ação civil ou penal”, explica José Carlos Simões, sócio-líder de Forensic da KPMG no Brasil.

Para 61% dos pesquisados, o maior potencial para a prática de fraudes existe dentro da própria organização, incluindo a Alta Administração e os demais funcionários. Do lado de fora das empresas, o maior risco de fraudes vem dos prestadores de serviço e dos fornecedores, com 14% e 13% respectivamente. E analisando o perfil típico do fraudador, o levantamento concluiu que ele é homem (78%), pertence ao staff, tem de 26 a 40 anos de idade (65%), recebe um valor mensal entre R$ 1 mil e R$ 3 mil, e possui de dois a cinco anos de tempo de serviço na organização.

Entre os fatores vinculados à prática de fraude, podemos apontar três: motivo, oportunidade e racionalização; que juntos são conhecidos como Triângulo da Fraude. O motivo frequentemente surge da pressão financeira do estilo de vida acima da capacidade financeira do fraudador, da lacuna entre a remuneração ganha e a responsabilidade da pessoa, ou da pressão em atender às metas financeiras da organização.

A oportunidade geralmente ocorre por causa da fraqueza nos controles internos, o que cria uma atmosfera na qual o fraudador acredita ser possível ter êxito sem ser descoberto. Já a questão da racionalidade representa o pensamento do fraudador que busca justificar suas ações.

Para 64% das empresas, a insuficiência de sistemas de controles internos é o principal fator facilitador, seguida por particularidades do ramo em que a empresa atua (21%) e a possibilidade de a gerência burlar os controles internos (12%).

A maioria das organizações é despreparada para combater a fraude e, frequentemente, tende a adotar uma abordagem tipicamente reativa para solucionar os problemas de forma individual. Elas tendem a lidar com a ponta de um iceberg, quando problemas maiores estão por vir.

“Deve se ter em mente que os pesquisados apontam a insuficiência de controles, as alterações na organização da empresa e os problemas econômicos como algumas das causas para o crescimento de atos fraudulentos. Em parte, situações vividas em meio à volatilidade da atividade econômica atual”, comenta Simões.

Preocupadas em evitar problemas futuros, a maioria dos entrevistados afirmou ser fundamental a melhoria dos controles internos (93%), seguida da elaboração de um manual de comportamento profissional (57%), do treinamento dos funcionários (50%) e da necessidade de contratar investigações especiais para teste dos controles (34%).

A pesquisa analisou também como as fraudes foram descobertas. De acordo com os entrevistados, 25% afirmaram que a irregularidade foi detectada por meio dos controles internos, 24% através de informação de funcionários, e 22% por informação de terceiros; o que revela que quase a metade das fraudes foram descobertas por denúncias, alheias à estrutura de controle da organização.

“Avaliando os resultados do estudo, podemos concluir que as empresas precisam instituir controles para detectar e coibir fraudes especificamente. Além disso, as companhias devem tentar incutir valores éticos e práticas saudáveis de negócios, para permitir aos funcionários apontar casos de condutas impróprias cometidas por outros funcionários. Afinal, ao mesmo tempo em que aproveitam as oportunidades de negócios, as organizações devem manter uma vigilância rigorosa em suas estruturas de controle”, finaliza Simões, da KPMG.

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