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Paulistanos consomem
mais açúcar que o recomendado pela OMS
07-07-2009
Cerca de 40% da população do município
de São Paulo consome açúcares de
adição (aqueles adicionados artificialmente
nos alimentos) acima do recomendado pela Organização
Mundial da Saúde (OMS). A constatação
foi feita numa tese de doutorado da nutricionista Milena
Baptista Bueno, defendida em março deste ano
na Faculdade de Saúde Pública (FSP) da
USP. Segundo a pesquisadora, esse tipo de açúcar
não traz nenhum tipo de benefício nutricional
à pessoa, é apenas energia. O estudo revelou
também um alto consumo de refrigerantes, que
é a maior fonte de açúcares de
adição para os paulistanos.
A coleta de dados abrangeu cerca de 3 mil pessoas,
entre adolescentes, adultos e idosos. “Fizemos
visitas domiciliares, em casas sorteadas por todos os
bairros de São Paulo. As pessoas respondiam um
questionário grande, no qual a dieta era um de
seus pontos” conta a pesquisadora.
O trabalho de Milena tratou especificamente da análise
da dieta da população com o consumo de
açúcar. “A ideia era verificar a
quantidade de açúcar ingerido e tentar
avaliar até que ponto ele poderia ser consumido
sem prejudicar a absorção de outros nutrientes”,
explica.
A OMS recomenda que o consumo seja menor que 10%. A
pesquisa mostrou que a média de consumo de açúcares
é em torno de 10% do consumo de energia. Apesar
de a média de consumo estar próxima do
recomendado, o ideal seria que ela fosse menor que os
10%. “Sendo parecida com a recomendação,
não é tão bom como pode aparentar”,
alerta a nutricionista. E foi o que mostrou os resultados
da pesquisa: 40% estão acima da média
de consumo.
Não se considera nesse percentual os açúcares
naturais dos alimentos, como frutose das frutas, a lactose
do leite e outros. “Só consideramos os
açúcares adicionados artificialmente nos
alimentos” explica Milena.
Muito refrigerante
Milena surpreendeu-se com o alto consumo de refrigerantes.
“Percebemos que a maior parte do açúcar
consumido não vem daquele que colocamos em sucos
e bolos, por exemplo, mas sim do refrigerante”,
destaca. Cerca de 35% do açúcar de adição
consumido vem destas bebidas.
A nutricionista ressalta que o açúcar
de adição aumenta as calorias da dieta,
mas não a quantidade de nutrientes. “Foi
confirmado que à medida que aumenta o consumo
de açúcares de adição há
uma diminuição da média de consumo
de minerais e vitaminas, já que os alimentos
ricos em açúcar geralmente não
possuem estes micronutrientes. Ou seja, há um
aumento do consumo de energia sem incremento da qualidade
da dieta. Esta é a grande problemática
atual de uma alimentação saudável:
dieta suficiente ou excessiva na quantidade de energia,
porém deficiente em micronutrientes. A consequência
é o aumento de pessoas com obesidade e deficiências
nutricionais”, explica.
Para Milena, os resultados da pesquisa servem como
um instrumento para auxiliar as políticas públicas
de saúde em relação à alimentação.
“A proposta foi mostrar a situação
da dieta da população para auxiliar o
poder público a trabalhar melhor a questão
do consumo de açúcar.” avalia. (Agência
USP de Notícias)
Mais informações: mibueno@usp.br,
com a nutricionista Milena Baptista Bueno
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