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Faturamento das MPEs
paulistas apresenta sinais de recuperação
08-10-2009
Em agosto deste ano, o faturamento das micro e pequenas
empresas (MPEs) caiu 1,3% em relação ao
mesmo mês de 2008, a menor queda na comparação
de 12 meses, desde novembro de 2008. Parte deste resultado
pode ser creditado ao desempenho dos pequenos negócios
na comparação mês a mês (julho
e agosto de 2009): o resultado foi positivo, com registro
de crescimento de 6,2% na receita líquida real
das MPEs.
“As vendas do comércio para o Dia dos
Pais podem ter contribuído para o resultado positivo
sobre o mês anterior. Vale lembrar que desde abril
as MPEs não registram queda de faturamento sobre
o mês anterior”, observa Ricardo Tortorella,
diretor superintendente do Sebrae-SP.
Por setores, o comércio foi o único a
registrar em 12 meses (agosto de 2008 a julho de 2009)
crescimento na receita real: 5,3%. Já a indústria
e serviços tiveram queda de 6,6% e 10,2%, respectivamente.
“As atividades mais dependentes de financiamento
continuam sendo as mais afetadas pelos reflexos da crise.
São as atividades, por exemplo, que vendem produtos
de maior valor unitário e os segmentos que dependem
de financiamento para capital de giro e investimento”,
explica Tortorella.
Por regiões do estado, as micro e pequenas empresas
do Interior foram as únicas que registraram retração
no faturamento em 12 meses (agosto de 2008 a agosto
de 2009), com -6%. Já as MPEs da Região
Metropolitana de São Paulo e do Grande ABC apresentaram
elevação no faturamento: 3,1% e 6,4%,
respectivamente. Na Capital, o crescimento foi de 3,7%.
Em termos absolutos, o universo das MPEs paulistas
registrou em agosto deste ano receita total de R$ 22,7
bilhões. Na média, a receita real das
MPEs paulistas foi de R$ 17.088,52 em agosto deste ano.
Na comparação de agosto/09 com julho/09
o resultado de positivo de 6,2% no faturamento real
das MPEs foi puxado pelo comércio, que registrou
aumento de 11,3%. No período, a indústria
apresentou crescimento de 3,9% na receita real e serviços
teve queda de 2,3% no faturamento.
Apesar da queda no faturamento, os proprietários
das MPEs acreditam em melhora ou estabilidade da economia
brasileira. Esses foram os principais resultados da
pesquisa Indicadores Sebrae-SP, realizada em agosto
de 2009, com a colaboração da Fundação
Seade. A pesquisa monitora mensalmente o desempenho
de 2,7 mil MPEs em todo o estado, apresentando também
dados para quatro regiões: capital (cidade de
São Paulo), Grande ABC, Região Metropolitana
de São Paulo (39 municípios) e Interior.
De acordo com a pesquisa do Sebrae-SP, 38% dos donos
de MPEs apostam na melhora do nível da atividade
econômica nos próximos seis meses. Mas
a maioria – 56% dos empresários –
acredita na estabilidade da economia brasileira em seis
meses.
Em setembro deste ano, 41% dos donos de MPEs declararam
acreditar em melhora no faturamento de sua empresa nos
próximos seis meses, enquanto 53% optaram por
apostar na manutenção do faturamento.
O impacto da crise mundial foi menor no Brasil do que
nas chamadas “economias avançadas”
(como Estados Unidos e países da Europa Ocidental),
onde são projetadas quedas mais expressivas no
Produto Interno Bruto (PIB). No Brasil, o PIB teve queda
de 1,2% no segundo trimestre deste ano em relação
ao mesmo período do ano passado.
O setor mais afetado foi a indústria, que teve
retração de 7,9% no PIB industrial. “O
crescimento do mercado interno, devido a manutenção
do poder aquisitivo da população, e o
controle da inflação estão mantendo
o desempenho da economia brasileira”, explica
Pedro João Gonçalves, consultor do Sebrae-SP.
Segundo ele, as atividades industriais e ligadas à
exportação tendem a apresentar uma trajetória
de recuperação mais lenta. “É
provável que os segmentos mais ligados ao mercado
interno e cujo consumo dependa mais da renda do que
do crédito se recuperem em primeiro lugar, como
comércio e serviços prestados ao consumidor”,
ressalta.
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