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Estudo prova relação
entre economia e populariade do governo de plantão
11-09-2009
A popularidade do presidente Luis Inácio Lula
da Silva está diretamente relacionada à
questão do desemprego. Os altos índices
de aprovação do presidente e as hipóteses
apontadas para essa popularidade, ora atribuída
ao bom desempenho da economia, ora ao carisma do presidente,
despertaram a curiosidade de dois pesquisadores da Faculdade
de Economia, Administração e Contabilidade
de Ribeirão Preto (FEARP) da USP, Alex Ferreira
e Sérgio Sakurai.
Os pesquisadores fizeram uma análise rigorosa
dos índices mensais de popularidade de Fernando
Henrique Cardoso, em seu 2º mandato, e de Lula,
associados a variáveis econômicas e ao
cenário político do País. “Os
resultados qualitativos preliminares concluem que não
há dúvida de que a aprovação
de um presidente está diretamente vinculada à
economia, tanto doméstica quanto externa. E isso
vale tanto para o presidente Fernando Henrique como
para Lula”, relatam. Os pesquisadores lembram
que estudos internacionais corroboram com essa idéia
de que a economia é um dos principais determinantes
da popularidade de um governo.
Mas o estudo concluiu também que não
há dúvida sobre a influência do
fator Lula nessa aprovação. “Porém
esse fator é bem menor do que aquilo que comumente
se pensa. Esse fator representa algo entre 5% a 9% de
sua taxa de aprovação”, relata o
professor Ferreira. A popularidade do presidente Lula,
segundo a pesquisa, que somou os índices, de
ótimo, bom e regular, chegou a 94% em janeiro
deste ano. “Foi quando Lula alcançou sua
maior aprovação, atingindo 725 pontos.
A maior aprovação de FHC chegou a 333
pontos.”
Variáveis analisadas
Para o estudo, os professores trabalharam com variáveis
denominadas proxys, que tentam captar o efeito de algum
fator que não é perfeitamente medido.
O período do estudo foi de setembro de 1999 a
fevereiro de 2009. “Fizemos análise rigorosa
de regressão, como um laboratório, captando
o efeito de cada uma de várias variáveis
sobre a aprovação e os resultados indicam
exatamente os índices divulgados. Vamos apurar
ainda mais esses dados, mas em todas as análises
os resultados das variáveis são equivalentes
às oscilações na popularidade tanto
do presidente FHC, como do presidente Lula”, diz
Ferreira. Para os índices de popularidade foram
utilizados dados do CNT-Census e Datafolha.
Foram analisadas treze variáveis: inflação
externa, inflação interna, déficit
público, importação sobre reservas
internacionais, risco-país, déficit em
conta corrente externa, taxa de câmbio, desemprego
local, desemprego nos Estados Unidos, tendências
(o qual pode captar o crescimento do bolsa-família),
o efeito Lula, medido isoladamente, ou seja, se todas
as outras várias permanecerem estáveis
e se há variação dos índices
de popularidade, e, por último, o cenário
político nacional, dividido em bom e mal.
“Como utilizamos uma modelagem econométrica
rigorosa na avaliação das variáveis,
empregamos critérios técnicos e selecionados
por meio de algoritmo aquelas que estatisticamente se
apresentaram como principais: taxa de câmbio,
desemprego doméstico, desemprego nos Estados
Unidos, mal cenário político, efeito Lula
e mais uma variável técnica. Foram feitas
análises individuais de cada uma dessas variáveis
e, ainda, da combinação entre elas”,
relata o professor Ferreira. O software utilizado foi
o Autometrics, desenvolvido na Universidade de Oxford,
na Inglaterra.
Capa de revista
Para o cenário político o professor Sakurai
criou uma variável que representasse as condições
políticas do período estudado. Para isso
subdividiu a variável em Bad e Good — mau
e bom — a partir da análise das capas da
revista Veja, semanalmente, durante todo o período
do estudo. “Se num mês com quatro revistas,
três denunciaram corrupção, por
exemplo, quer dizer que tivemos 75% de capas negativas,
e essa variável explica bastante a variável
da popularidade, em especial a reprovação.
A notícia ruim tem um impacto negativo muito
forte sobre a popularidade do presente, enquanto a positiva
não é estatisticamente significativa”,
diz o professor Sakurai.
Os pesquisadores alertam, entretanto, que isso não
quer dizer que o brasileiro em geral lê a revista
e forma uma opinião e isso reflete na popularidade
do governo. “Acreditamos que a revista é
que reflete a situação política
do país. Não é ela que está
formando a popularidade do presidente”.
O procedimento estatístico implementado pelos
pesquisadores permitiu obter o coeficiente de 43,3%
de aprovação para qualquer presidente
em início de mandato, levando-se em consideração
o período que os cientistas políticos
chamam de “Lua de Mel”, que são os
cem primeiros dias. De acordo com os pesquisadores,
já excluindo todos os demais fatores, inclusive
as capas da revista, o “fator Lula” influencia
na sua própria popularidade. A aprovação
de um presidente é em função de
várias variáveis. O procedimento permite
captar o efeito isolado de cada uma delas sobre a aprovação.
Mesmo tirando a influência isolada de todas as
cinco variáveis, referentes à política
e à econômica, ainda sobra alguma coisa,
que é ele, o “efeito Lula”, que é
em torno de 5 a 9%. Se tudo fosse igual, sem nenhuma
alteração, ainda assim ele teria o efeito
de sua popularidade”, resume Ferreira.
O professor Ferreira alerta que críticas ao
trabalho podem acontecer, pois os pesquisadores não
conseguiram dados para o período do primeiro
mandato do FHC, nem para aprofundar os dados relativos
a programas sociais, como o bolsa-família. “Mas
o objetivo foi alcançado, a popularidade está
diretamente ligada a fatores econômicos, em especial
ao desemprego”, conclui. (Agência USP de
Notícias)
Mais informações: (16) 3602.3908, com
o professor Alex Ferreira
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