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Estudo mostra como líderes
se percebem e como são percebidos
14-10-2009
Humildade e capacidade de avaliar-se considerando o
que pensam seus subordinados não são características
marcantes dos líderes brasileiros, mostra pesquisa
realizada pela DBM, consultoria especializada em gestão
do capital humano. Estudo conduzido pela empresa junto
a 460 executivos que ocupam posição de
liderança mostra que os líderes se percebem
muito mais positivamente do que fazem suas equipes,
seus pares e até mesmo seus superiores.
"Nosso intento com a pesquisa foi analisar a liderança
apenas da perspectiva dos executivos que ocupam posições
de líderes, ou seja, daqueles que rotineiramente
pensam na questão", explica Cláudio
Garcia, presidente da DBM Brasil. Para o estudo, participaram
apenas profissionais que ocupam posições
de gerência, direção e presidência.
Para verificar se existia e qual era a diferença
entre a autopercepção que os líderes
têm de si e a percepção deles a
partir da análise de seus liderados, a consultoria
aplicou questionários distintos aos entrevistados
com a finalidade de cruzar as respostas obtidas. Independentemente
do questionário, porém, todos os participantes
do estudo responderam se acreditavam ou não atuar
junto a um chefe cujo comportamento é verdadeiramente
o esperado de um líder.
Do total de entrevistados, apenas 16% foram enfáticos
e disseram que sim, trabalham com um chefe cuja atuação
é a esperada de um líder em todos os momentos.
Mais que o dobro desta fatia - 33% dos entrevistados
- informou que frequentemente o chefe assume o comportamento
de líder. Para outros 32%, a atuação
dos chefes como líder ocorre de maneira parcial;
e para 15%, se dá apenas algumas poucas vezes.
Segundo 4% dos entrevistados, há lacuna relevante
de liderança, pelo fato de os líderes
com os quais convivem não atuarem como tal em
momento algum.
O resultado difere substancialmente daquele obtido
quando é perguntado aos mesmos profissionais
se eles efetivamente atuam como líderes. "Quando
chamados a se auto-avaliar, os líderes parecem
ser tendenciosos. Um ponto que evidencia isso é
o fato de que nenhum profissional disse que nunca ou
raramente se comporta como líder", diz Garcia.
"É algo que chama atenção",
completa o presidente da DBM.
Dos executivos que se auto-avaliaram, 19,5% informaram
que sempre atuam como verdadeiros líderes; 76,5%
disseram se comportar como líder na maior parte
do seu tempo/frequentemente e apenas 4% responderam
fazer isso algumas poucas vezes.
"Quando se auto-avaliaram por meio dos questionários,
os líderes expuseram uma percepção
de sua performance muito melhor do que aquela que merecem
quando são avaliados por seus chefes ou colegas
de trabalho que também atuam em posição
de chefia. Isso evidencia a distância significativa
existente entre como eles se vêem e como são
vistos", diz Garcia.
As diferenças se acentuam ainda mais quando
a comparação se dá com os líderes
atuantes na organização nas quais os profissionais
trabalham e não apenas com seus líderes
imediatos. Uma vez perguntados se atuam em companhias
em que outros profissionais em posição
de chefia se comportam como líderes exemplares,
apenas 1% disse concordar totalmente com a informação.
Outros 32% avaliam que isso ocorre frequentemente, mas
não é regra.
Já sobre "visualizarem claramente outras
pessoas em suas organizações com perfil
de líder", somente um contingente de 18%
respondeu que isso é um fato com o qual concordam
integralmente.
"Estas diferentes percepções influenciam
a forma como as pessoas se relacionam com seus líderes
e pares nos seus ambientes de trabalho e podem gerar
ineficiência e baixa produtividade principalmente
quando se trata de tarefas que demandam interações.
É importante lembrar que as pessoas agem com
base na percepção que têm dos outros
e não naquela que o outro acredita ser verdadeira",
afirma Garcia.
"Além disso, em geral, estas diferenças
de percepções impedem o aprendizado entre
as pessoas e que a liderança fique a cargo de
quem realmente domina melhor uma determinada situação.
Vale lembrar, claro, que, se um líder não
entende como seus liderados, pares e chefes o percebem,
sua efetividade na organização fica limitada
e tende a ser prejudicada", finaliza Garcia.
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