Estudo detalha reflexos da falta de sono em executivos

17-09-2009

A Philips Electronics divulgou estudo com 2.500 executivos, de diversos países, que apontou que quase três quartos deles não estavam dormindo o suficiente. O estudo foi realizado com homens e mulheres, donos e fundadores de empresas, sócios, diretores de conselho, além de gerentes nos níveis sênior, médio e júnior.

A pesquisa, conduzida em cinco países, mostrou que 40% dos questionados apontam as preocupações referentes a assuntos de trabalho como a principal razão para a falta de sono. A vasta maioria (61%) afirma que sofreu impacto negativo em seu trabalho devido à falta de sono. Em média, cerca de 6,2 dias por ano foram afetados por sono inadequado – gerando possíveis danos à saude e custo de milhões às companhias ao redor do mundo.

Dados demográficos da pesquisa, realizada pela TNS:

· 2.513 pessoas foram entrevistadas, das quais 59% (1.483) eram homens e 41% (1.030), mulheres.

· A divisão em grupos de idades foi a seguinte: abaixo de 25 anos – 7%; 26 a 35 anos – 20%; 36 a 45 anos – 25%; 46 a 55 anos – 26%; 56 a 65 anos – 18%; acima de 65 anos – 4%.

· A pesquisa foi conduzida nos EUA (502), Reino Unido (501), Holanda (501), Alemanha (500) e Japão (509)

De acordo com a pesquisa:

· Os americanos têm mais tendência que outras nacionalidades de perder o sono por causa do stress no trabalho; 30% citam essa como a razão pela qual acordam durante a noite.

· A quantidade padrão de tempo que os americanos levam para pegar no sono – 26 minutos – é mais alta que em qualquer outro país pesquisado – e os homens americanos são os que mais roncam no mundo: 29% roncam todas as noites.

· 70 % afirmam que o seu trabalho foi afetado por causa da falta de sono.

· O sintoma apontado como número 1 da falta de sono foi diminuição da paciência/tolerância, seguido por menos entusiasmo e concentração.

Charles Kreisler, professor de Medicina do Sono da Harvard Medical School, afirma que ao mesmo tempo em que as corporações criam políticas para a promoção da saúde junto aos seus funcionários, muitas encorajam uma cultura de insônia, confundindo falta de sono com vitalidade e alto desempenho. No ambiente de negócios, isso significa que as empresas costumam recompensar gerentes que trabalham 80 horas por semana, funcionários sênior que sobrevivem com apenas cinco ou seis horas de sono noite após noite, esperando que os funcionários trabalhem em uma nuvem de efeitos de mudanças de fuso-horário e cafeína.

“As pessoas perdem o sono porque não conseguem dormir (insônia) ou porque não estão reservando tempo suficiente para o sono – ambos podem acontecer por causa do stress relacionado ao trabalho no atual cenário econômico”, afirma David White, chief medical officer da área de soluções para Home Healthcare da Philips. “As pessoas simplesmente precisam levar o sono muito mais a sério”.

“O sono não é opcional – é absolutamente crucial para a saúde das pessoas”, continua White. “As conseqüências de não dormir suficientemente são conhecidas. As pessoas que não dormem o suficiente podem ganhar peso, têm tendência a ter diabetes, alta pressão sanguínea e até ataques cardíacos. Nós enfrentaremos graves problemas de saúde se não tomarmos providências mais sérias.”

Aproximadamente dois terços dos respondentes da pesquisa afirmaram que a falta de sono afetava seu trabalho porque eles se sentiam menos capazes de se concentrar, tinham menos paciência e entusiasmo. E um quarto dos respondentes chegou a culpar o sono por decisões erradas.

Além das descobertas acerca da falta de sono, a pesquisa também descobriu que, enquanto 96% dos executivos reconhecem que o sono inadequado pode afetar seriamente a saúde de uma pessoa, apenas 29% discutem seu padrão de sono problemático. Dos que o fazem, apenas 27% buscam ajuda médica profissional, enquanto a maioria apenas conversa sobre os seus problemas com a família e os amigos.

Os respondentes também foram pesquisados a respeito de sua consciência acerca de uma doença do sono bastante comum, a Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono (AOS), uma condição caracterizada pela interrupção repetida da respiração durante o sono.

Outras descobertas da pesquisa incluem um nível de conscientização muito alto a respeito da Síndrome da Apneia Obstrutiva do Sono (SAOS) como uma doença curável (60%).

Curiosamente, apesar do fato de que roncar pode ser um sintoma chave da SAOS, apenas 35% consideraram roncar um problema e 65% não sentiam que o ronco precisava ser tratado. Isso destaca um problema-chave da profissão médica, que é o fato de que a apneia do sono e outras desordens são frequentemente mal diagnosticadas porque as pessoas não reconhecem os sintomas ou não levam os problemas do sono a sério o suficiente para falar com seus médicos. Uma pesquisa realizada nos últimos anos mostrou uma ligação entre a SAOS e doenças cardíacas, derrames e diabetes.

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