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Estudo traz impactos
da crise nas políticas de remuneração
17-09-2009
A crise realmente teve impacto negativo na remuneração
dos executivos brasileiros, revela o Top Executive Compensation,
estudo realizado pela consultoria de gestão de
negócios Hay Group. Segundo a pesquisa, que envolveu
2.689 executivos, de 227 diferentes organizações,
o salário base dos CEOs de empresas no Brasil
caiu 2,2% e o total em dinheiro (salário base
+ bônus) diminuiu 4,30%.
Em 2008, o cenário era bem diferente: o salário
base havia crescido 4,4% e o total em dinheiro chegou
a ser 9,8% maior que no ano anterior. Contudo, mesmo
com a crise, a remuneração dos demais
executivos teve crescimento, de 2,6% no salário
base e 2,8% no total em dinheiro.
Incentivos de curto prazo
A pesquisa mostra que 100% das empresas possuem a prática
de Incentivos de Curto Prazo (ICP), como bônus
e participação nos lucros. Na média,
os ICP pagos em 2009 caíram 1% em relação
a 2008. Já no caso dos CEOs, os ICP diminuíram
4% e representam esse ano 108% do salário base
anual.
Em 55% das empresas existe uma definição
a partir da qual um percentual de atingimento das metas
garante o pagamento do mínimo, ou seja, o gatilho.
Em 50% das empresas este percentual mínimo varia
de 75% a 90% do atingimento das metas. Na média
geral o gatilho mínimo é de 79%. Por outro
lado, 64% das empresas estabelecem um teto, ou seja,
existe um percentual limite considerado para a definição
do valor máximo do plano de ICP. Na média
geral este teto é de 152%.
Incentivos de Longo Prazo
Das empresas ouvidas, 95 possuem planos de Incentivos
de Longo Prazo (IPL), o que representa um crescimento
de 25% em relação ao estudo de 2008, sendo
que 60% das empresas que concedem ILP são de
capital estrangeiro. Da amostra total, 43% dos executivos
são elegíveis a este tipo de programa
neste ano, contra 34% do ano anterior.
“Há no mercado uma tendência de
crescimento desta prática, em função
do número de empresas que abriram capital nos
últimos anos ou estão estudando esta possibilidade.
Neste cenário, a utilização de
ferramentas de remuneração de longo prazo
se mostra um caminho natural como forma de garantir
o alinhamento e a permanência dos executivos no
médio e longo prazo”, diz Leonardo Salgado,
consultor do Hay Group.
Entre as empresas que possuem programa de ILP, 75%
adotam um único programa e as demais (25%) utilizam
até três diferentes modelos para composição
deste incentivo. O programa mais utilizado é
o stock option, com 58% de adoção.
Apesar de ter aumentado o número de empresas
que concedem ILP, é possível verificar
uma queda da participação dos programas
de longo prazo no pacote de remuneração
dos executivos, reflexo direto da crise internacional.
“Isso mostra a pouca disposição
dos acionistas em atenuar a queda do valor das ações
verificada durante a fase mais aguda da crise, com aumentos
no valor das outorgas. A manutenção dos
patamares cedidos em 2008 somada à desvalorização
das opções, já são suficientes
para provocar a queda dos valores presentes dos ILPs
e, consequentemente, reduzir o seu percentual em relação
ao salário base”, afirma Salgado.
Benefícios
A pesquisa mostra que houve uma revisão nas
políticas empresariais e adequação
dos custos. Apesar de os benefícios tradicionais
continuarem estáveis (plano médico –
100%, refeição – 96%, e seguro de
vida 93% -, outras concessões sofreram redução.
Um dos exemplos é educação, com
46%, nove pontos percentuais abaixo de 2008. Os empréstimos
também foram reduzidos, passando de 27% em 2008
para 20% em 2009.
Quanto à adoção de políticas
de segurança, o número de empresas que
se preocupa com o tema aumentou, passou de 56% para
64% para o nível de CEO e de 29% para 36% em
caso de vice-presidentes.
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