Mudanças lentas prejudicam evolução de franquias

18-08-2009

A grande concorrência entre as franquias no setor de alimentação leva a uma evolução rápida do setor, mas as mudanças não se difundem com a agilidade necessária e os franqueados se adaptam de forma desigual, aponta pesquisa da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade de Ribeirão Preto (FEARP) da USP. O trabalho também mostra que os franqueadores de menor porte, por necessidade de recursos financeiros, abrem mão de parte das exigências feitas aos franqueados, o que leva a conflitos que inviabilizam os negócios.

Por meio de entrevistas com franqueadores de pequeno e grande porte, a administradora Marcia Mitie Durante Maemura procurou identificar as características dos conflitos existentes no setor. “Verificou-se como se processa a relação com os franqueados, as características da comunicação, métodos de prevenção de conflitos existentes em contrato e o estabelecimento de normas junto aos franqueados”, relata Márcia. “Ao mesmo tempo, foi analisado o funcionamento operacional da franqueadora, a flexibilidade oferecida para adaptação dos diversos tipos de franqueados e os pré-requisitos estabelecidos para identificar o melhor franqueado”.

A administradora aponta que no setor alimentício as franquias evoluem rapidamente devido à grande concorrência, o nível de exigência cada vez maior dos consumidores e a obrigação de oferecer um produto de qualidade, a preços razoáveis. “Também há grande influência das normas governamentais, no que diz respeito à higiene e aos impostos”, acrescenta. “Essa evolução rápida faz com que as franqueadoras não tenham a agilidade necessária para administrar sua expansão junto aos franqueados e solucionar os problemas que aparecem, o que faz com que as redes cresçam de forma parcial e não homogênea”.

De acordo com a pesquisa, nas franquias menores e mais jovens, em fase de estruturação, o franqueado tem mais voz. “Ele acaba funcionando como um laboratório de testes”, afirma Márcia. Entre os grandes franqueadores entrevistados, apesar da experiência e da presença de padrões consolidados a serem seguidos, os instrumentos para prevenir conflitos (como a mediação e a arbitragem) não existem de maneira formal. “Há necessidade de adequar o setor a uma nova realidade de prevenção de conflitos, mas os mecanismos ainda não são previstos em contrato”.

Suporte

O principal foco de conflito entre franqueadores e franqueados, de acordo com a pesquisadora, está no suporte oferecido na operação. “Como o franqueado paga uma taxa pela franquia, ele deve receber auxílio na escolha do ponto, no layout da loja e para estruturar seu funcionamento”, diz.

“A experiência das grandes franqueadoras faz com que tenham um perfil definido de franqueados, ao qual procuram adequar seus contratados, além de possuírem uma estrutura para lidar com problemas de suporte, por meio de seleção de pontos e vistorias”. Nas franquias de pequeno porte, com menos estrutura e pessoal para atender os franqueados, as exigências e os controles são menores, o que acaba gerando atritos. “Se aparecem problemas operacionais, o franqueado pode não ser responsável, já que houve uma deficiência no suporte”, relata a administradora.

A inadequação dos franqueados é outro foco de tensões identificado no estudo, em especial nas franqueadoras mais novas. “Essas empresas até estabelecem um perfil ideal, mas por necessidade de recursos, elas abrem mão das características desejadas e realizam uma seleção inadequada”, conta Márcia. “Essa incompatibilidade pode gerar inclusive problemas judiciais”.

Entre as grandes franqueadoras, a escolha dos franqueados leva em conta a dedicação ao empreendimento, o grau de instrução do candidato, a existência de recursos em caixa (além da taxa de franquia) e a contratação de um gerente de operações. “Em alguns casos, são realizados testes psicológicos para atestar a adequação do futuro franqueado, descartando perfis não compatíveis com as exigências da empresa”. A pesquisa faz parte da dissertação de mestrado de Márcia, orientada pelo professor Dante Pinheiro Martinelli, da FEARP. (Agência USP de Notícias)

Mais informações: (16) 9158-2847 / 3289-3847, com Márcia

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