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Especialistas falam sobre
uso da minissaia no trabalho
18-11-2009
O caso da estudante universitária que foi expulsa
da escola por causa da minissaia trouxe de volta o debate
sobre o uso de determinadas roupas no local de trabalho.
Em um país tropical, como o Brasil, com altas
temperaturas a maior parte do ano, há um estímulo
natural ao uso de roupas leves. No entanto, especialistas
em gestão de pessoas advertem que as roupas transmitem
mensagens ocultas, que podem levar a dupla interpretação.
Segundo Ralph Arcanjo Chelotti, presidente da ABRH-Nacional,
com o crescente avanço da mulher no mercado de
trabalho, a questão do que é ou não
adequado vestir passou a ser motivo de discussão
nas áreas de Recursos Humanos das empresas.
“Escritórios, fábricas, lojas,
shopping centers e oficinas são ambientes de
trabalho, onde é natural uma certa competitividade
entre pessoas. Nesse sentido, a roupa que usamos transmite
mensagens o tempo todo, mensagens que podem ser interpretadas
de diversas formas, para o bem ou para o mal”,
adverte.
Segundo Chelotti, a premissa de que as pessoas são
livres para usar o que bem entendem precisa ser analisada
com cuidado, pois vivemos em um ambiente social, onde
as pessoas são julgadas, inclusive, pela forma
como se vestem, por seu asseio e até pelo modo
como falam.
“Não quero dizer que concordo com o fato
da aluna ter sido expulsa da escola, o que me pareceu
uma atitude absurda. No entanto, é importante
que as pessoas percebam que tudo o que fazemos, falamos
e o modo como nos apresentamos, fala a nosso respeito,
daí porque é preciso refletir sim sobre
o tipo de roupa que vamos usar na escola, no trabalho
e até no lazer, com os amigos”, assinala,
acrescentando que é possível, hoje em
dia, observar empresas que estimulam as empregadas a
usarem roupas mais chamativas como estratégia
de atração de clientes, algo que pode
ser visto em postos de gasolina, lojas de shopping centers,
bares e casas de espetáculos.
Para Ângela Abdo, presidente da ABRH-ES, as empresas
têm culturas próprias, que orientam sobre
a roupa mais adequada a usar no trabalho. “Aqui
no Espírito Santo, especialmente em Vitória,
em função da proximidade da praia e do
calor constante, a cultura local admite o uso de roupas
um pouco mais curtas, mas, via de regra, a etiqueta
corporativa não vê com bons olhos saias
curtas ou blusas transparentes e decotadas. Não
se trata de uma questão de moralismo, mas apenas
do fato de que esse tipo de roupa pode levar a interpretações
equivocadas, que irão gerar todo tipo de mal-entendido”,
adverte.
Para Abdo, uma preocupação das empresas
que têm profissionais que se relacionam com o
público é evitar que o uso de roupas chamativas
possa levar clientes a atitudes não profissionais,
o que certamente significa desgaste de imagem. Ela recomenda
que os empregados estejam atentos à cultura da
empresa, às regras e normas e até à
cultura da sociedade local, pois isso serve como balizador.
“Há empresas jovens, especialmente na
área de internet, nas quais as pessoas têm
um nível de informalidade muito grande, mas até
mesmo nesses ambientes roupas provocativas podem gerar
desentendimentos, pois sempre haverá alguém
que pode interpretar uma roupa curta, decotada ou transparente
de outra forma que não apenas um modo de vestir”,
explica.
Segundo Pedro Fagherazzi, Presidente da ABRH-RS, nas
empresas o uso da roupa, da linguagem e do comportamento
das pessoas é controlado de forma mais sutil,
sem explosões de violência ou perseguição
como as vistas no caso da estudante universitária.
“Nas empresas, as coisas sempre conspiram a teu
favor. Se você se veste de modo inadequado, diz
coisas impróprias ou faz coisas pouco usuais,
haverá sempre algum colega que vai te chamar
e ponderar essas questões. Normalmente, as pessoas
se adaptam rapidamente, até porque há
sempre o risco de perder o emprego”, assinala.
Para o presidente da ABRH-RS, o modo como as pessoas
se vestem no trabalho está diretamente relacionado
à cultura das empresas. “As culturas empresariais,
muito ligadas às culturas dos países onde
as empresas atuam, são modos de fazer, pensar,
se comportar. É, também, um filtro, pois
as pessoas que divergem da cultura terminam deixando
a empresa ou sendo demitidas. Até a mesma empresa,
com filiais em países diferentes, tem culturas
diferentes”, assinala, acrescentando que, nesse
sentido, a maioria dos conflitos nas empresas encontra
boa solução por meio do diálogo.
Segundo Manoel Mendes, presidente da ABRH-DF, o serviço
público brasileiro tem normas estritas a esse
respeito, que inibem o uso de roupas provocantes no
espaço de trabalho. Em muitos casos, ele assinala,
as pessoas usam uniformes, o que inibe esse tipo de
comportamento.
“Embora uma funcionária pública
não possa ser demitida por usar uma minissaia,
por exemplo, o fato é que atitude, comportamento,
são itens considerados para a evolução
da carreira, o que inibe o uso desse tipo de roupas.
Além disso, muitos funcionários públicos
atendem pessoas, se relacionam com o público,
daí porque o uso de roupas adequadas, formais,
é importante para transmitir uma imagem de profissionalismo”,
explica.
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