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Evite exageros no visual
na hora de pedir emprego
20-10-2009
O uso de tatuagens, piercings e alargadores de orelha,
cada vez mais comum entre os jovens, pode comprometer
a conquista de uma vaga em empresas de perfil mais conservador,
que ainda relacionam esses ornamentos a um uso marginal.
Segundo Ralph Arcanjo Chelotti, presidente da ABRH-Nacional,
tatuagens, piercings e alargadores têm uma história
e, em sua origem, eram mais associados a marinheiros
e marginais, o que ficou registrado no inconsciente
coletivo da humanidade, daí porque existe uma
certa associação entre as pessoas que
usam esses ornamentos a indivíduos pouco confiáveis.
“Mas isso não é regra geral, uma
vez que em empresas dos segmentos de comunicação,
moda ou web design, apenas para citar algumas, o fato
de alguém usar tatuagens não só
é bem visto como faz com que a pessoa se sinta
como parte de uma tribo, de um mesmo grupo”, explica.
Para Chelotti, os jovens hoje associam as tatuagens
ao belo, mas também a uma certa identificação
tribal, de grupo, algo que as sociedades modernas, massificadas,
deixaram para trás. Nesse sentido, eles costumam
se tatuar sem refletir profundamente acerca do impacto
disso na sociedade, especialmente na hora de encontrar
um novo emprego.
“Eu recomendo que os jovens que usam tatuagens
ou piercings e que vão se candidatar a vagas
em empresas de viés conservador, como as do segmento
financeiro, por exemplo, não devem ostentar as
tatuagens, pois correm o risco de perder a vaga. Aí
eu recomendo cautela, o que pode ser conseguido por
meio de uma roupa adequada, camisas de mangas longas.
Ao agir com essa prudência, o jovem mostra que
valoriza a opinião dos outros sobre temas mais
polêmicos”, assinala.
Segundo Chelotti, mais do que ter tatuagens ou piercings,
o que pesa contra os candidatos que ostentam esses ornamentos
de modo exagerado é o fato de passar a mensagem
de que eles não se importam com o que os outros
pensam, um aspecto evidentemente negativo quando o assunto
é trabalho em equipe.
“Mas se o entrevistador perguntar, é importante
falar a verdade. O candidato pode dizer que usa sim
tatuagens, mas que as considera algo pessoal e que,
por essa razão, não as fica exibindo.
Esta postura vai mostrar ao entrevistador que aquela
pessoa, aquele indivíduo, tem opinião
própria, mas respeita a opinião que outros
possam ter sobre temas que ainda geram polêmica
na sociedade”, explica.
Para o presidente da ABRH-Nacional, se a sociedade
vai aos poucos superando os preconceitos em relação
às tatuagens, os piercings e alargadores ainda
são chocantes para muitos recrutadores de empresas
mais conservadoras e devem ser evitados se o candidato
almeja ter alguma chance à vaga.
“Há alguns piercings muito sutis, que
algumas moças usam até como brincos, que
já são aceitos. Mas há outros que
passam uma imagem agressiva e que, fora de alguns contextos
ou grupos sociais, não são muito bem vistos”,
adverte.
Segundo Chelotti, as questões relativas a tatuagens
e piercings nas empresas apenas evidenciam o quanto
as nossas sociedades ainda são preconceituosas
em relação ao diferente, uma vez que a
pessoa é julgada antes por sua aparência
e, somente depois, por sua capacidade técnica.
Ela lembra que, nesse aspecto, as roupas que as pessoas
usam em entrevistas de emprego são muito importantes
também, pois roupas descuidadas, curtas, com
cores chocantes, podem levar muitos recrutadores a duvidarem
do bom senso do candidato, o que é mortal para
quaisquer chances de emprego.
“Hoje, muita gente acha excêntrico o fato
de que alguns famosos presidentes de empresas usam paletó,
gravata e tênis. Mas isso só acontece depois
que a pessoa provou que é muito capaz e competente”,
conclui.
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