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Atividade física
no trabalho não reduz sedentarismo
21-08-2009
Os programas de ginástica laboral são
adotados pelas empresas principalmente para prevenir
lesões entre os empregados, mas não contribuem
na redução do sedentarismo. “Os
programas devem estar associados a uma estratégia
de promoção da saúde, expondo seus
benefícios para levar a mudanças de comportamento
que não se limitem ao ambiente de trabalho”,
recomenda a técnica em educação
física Ana Lúcia Aquilas Rodrigues.
A pesquisadora realizou um estudo sobre o tema na Faculdade
de Medicina da USP (FMUSP). Durante sua pesquisa, Ana
Lúcia implementou um programa de ginástica
laboral numa empresa do setor farmacêutico, que
nunca havia desenvolvido atividades do gênero.
“Antes da implantação, ela obteve
informações sobre idade, gênero,
horas de trabalho, renda salarial, escolaridade, peso
e altura dos funcionários que se dispuseram a
participar”, conta. “O nível de atividade
física foi medido com um questionário
conhecido como IPAQ, além de um pedômetro,
aparelho que contabiliza o número de passos dados
pela pessoa”.
Os exercícios foram realizados pelos funcionários
do escritório, em sessões diárias
de dez minutos, durante seis meses. “Com o objetivo
de identificar mudanças no ritmo de atividade
física, houve uma divisão por níveis
de participação, com grupos que faziam
duas, três e cinco sessões de ginástica
por semana”, relata Ana Lúcia. Cada sessão
tinha aquecimento, exercícios específicos,
baseados no trabalho exercido, e relaxamento. “Como
os participantes faziam tarefas no escritório,
a prioridade era tonificar ou relaxar os membros superiores
e as regiões lombar e cervical”.
No início, a ginástica laboral contou
com a adesão de 130 funcionários, mas
apenas 46 participaram até o final. “O
programa ampliou a atividade física no local
de trabalho, principalmente por meio de caminhadas,
uma forma de exercício mais conhecida e simples
de ser praticada”, afirma a pesquisadora. “Entretanto,
no estudo não se encontrou evidências de
que a ginástica laboral estimulou o aumento da
atividade física em outros ambientes freqüentados
pelos participantes”.
Motivação
A pesquisa aplicou um programa de exercícios
convencional. Além das sessões de ginástica,
aconteceram três palestras com dicas sobre atividades
físicas e saúde. “Como não
havia foco na promoção de saúde,
o efeito na mudança de comportamentos foi pequeno”.
A adoção das aulas de ginástica
deve estar associada às estratégias da
empresa, segundo Ana. “É indispensável
o envolvimento das diretorias e gerências, que
são parceiros indispensáveis para o êxito
do programa”, aponta. “Há casos em
que as áreas de Recursos Humanos implementam
o programa sem ouvir outros setores durante o planejamento
das atividades, limitando a participação
e tornando-as pouco efetivas”.
Para a técnica em educação física,
a ginástica laboral deve estar integrada a uma
estratégia de promoção da saúde
como um todo. “Ela não deve ser uma iniciativa
isolada, mas parte de um projeto de qualidade de vida
no trabalho”, afirma. “O trabalho mostrou
a importância do aconselhamento para ajudar na
mudança comportamental e na redução
dos níveis de sedentarismo”. A Organização
Mundial de Saúde recomenda 30 minutos de atividade
física moderada diariamente. A pesquisa é
descrita na dissertação de mestrado de
Ana Lúcia, orientada pelo professor Mário
Ferreira, da FMUSP. (Agência USP de Notícias)
Mais informações: (11) 8558-6158, com
Ana Lúcia Aquilas Rodrigues
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