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Diabéticos desconhecem
diferenças entre o light e o diet
21-08-2009
Pesquisa de mestrado realizada na Faculdade de Medicina
de Ribeirão Preto (FMRP) da USP revela que a
maioria dos pacientes com diabetes mellitus, tipo 2,
desconhece a diferença entre produtos diet e
light, apesar de os consumirem com frequência.
Os adoçantes líquidos são os mais
utilizados e escolhidos pelo sabor, mas os pacientes
também consomem produtos dietéticos, principalmente
refrigerantes.
De acordo com o estudo, essa população
não têm o hábito de leitura do rótulo
dos produtos e, ainda, não se preocupa com a
quantidade utilizada e nem sabe da importância
do rodízio do uso de adoçantes, conforme
recomenda a Organização Mundial da Saúde
(OMS). Esse rodízio é importante para
que não haja acúmulo de uma determinada
substância no organismo como, por exemplo, açúcar,
gordura e sódio.
Esse conjunto de desinformações, segundo
a nutricionista Paula Barbosa de Oliveira, responsável
pela pesquisa, pode trazer prejuízos para a saúde.
“As pessoas com diabetes precisam restringir o
uso de açúcar. O uso consciente e adequado
destes produtos pode facilitar a adesão ao tratamento
e, conseqüentemente, melhorar a qualidade de vida
dos pacientes, suprindo o desejo pelo sabor doce, sem
alterar a glicemia”, avalia.
A diferença entre os dois tipos de alimentos
é que diet são aqueles que não
possuem algum nutriente encontrado no produto convencional,
que pode ser, por exemplo, açúcar, sódio
ou gordura. Já light, é aquele que apresenta
uma redução de, no mínimo, 25%
do valor energético total ou de algum nutriente
presente no produto convencional.
Assim, segundo Paula, o consumo excessivo desses produtos
pode ter repercussão no controle glicêmico
e trazer prejuízos para a saúde, além
de gastos desnecessários. “Existe um limite
diário recomendado pela OMS para cada edulcorante,
que consiste na estimativa de uma quantidade de um aditivo
alimentar em um alimento ou bebida, expressa em miligrama
por quilograma de peso corpóreo, ou seja, esse
limite varia de pessoa para pessoa.”
A pesquisadora lembra que o estudo evidencia ainda
mais a necessidade de inclusão de informações
sobre o uso adequado de adoçantes e produtos
dietéticos nas atividades assistenciais aos pacientes
com diabetes, nos diversos níveis de atendimento
do Sistema Único de Saúde (SUS), mas sem
esquecer as características educacionais da população
atendida. “Esse trabalho pode subsidiar programas
educativos, principalmente no SUS”, aponta.
O objetivo da pesquisa foi analisar o consumo de adoçantes
e produtos dietéticos por pessoas com diabetes
mellitus, tipo 2, usuários do sistema público
de saúde em Ribeirão Preto. “A pesquisa
aconteceu no atendimento primário e secundário
do SUS, e o tipo 2 foi escolhido por ser o mais freqüente
nos locais de coleta escolhidos”, diz Paula.
Diabéticos no mundo
A conclusão da pesquisa se torna ainda mais
preocupante quando dados da Associação
Brasileira da Indústria de Alimentos (ABIAD)
revelam que este setor cresceu nos últimos anos
e atualmente 35% dos lares brasileiros consomem algum
tipo de produto diet ou light. Além disso, 83,3%
dos entrevistados foram classificados com sobrepeso
ou obesidade. “Estima-se que o número de
pessoas com diabetes no mundo passará de 135
milhões em 1995 para 300 milhões em 2025.
No Brasil, dados de 1992 em nove capitais brasileiras
mostrou uma prevalência de 7,6% na população
de 30 a 69 anos de idade.”
Para o estudo, descritivo, a pesquisadora entrevistou
120 pacientes, 60 do sexo masculino e 60 do sexo feminino,
com média de idade de 63,1 anos, e com diagnóstico
de diabetes há 9,8 anos, em média. Os
dados revelaram que não são significantes
as diferenças entre homens e mulheres com relação
ao consumo de produtos diet e light.
“O que encontramos foi que os idosos usam mais
adoçantes e menos açúcar que os
adultos, e as mulheres levam mais o adoçante
ao saírem de casa e se dizem mais preocupadas
com a quantidade consumida do que os homens. Entre os
atendidos no nível primário, o hábito
de leitura de rótulos é mais freqüente,
mas no secundário existe uma preocupação
maior com a quantidade de adoçante utilizada.”
O mestrado Consumo de adoçantes e produtos dietéticos
por indivíduos com diabetes mellitus tipo 2,
atendidos pelo Sistema Único de Saúde
em Ribeirão Preto, foi defendido no último
dia 7, no Programa Saúde na Comunidade, com orientação
do professor Laercio Joel Franco, e teve apoio financeiro
do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico
e Tecnológico (CNPq). (Agência USP de Notícias)
Mais informações: e-mail paulab_nutro@yahoo.com.br,
com a pesquisadora
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