Inadimplência nas empresas cresceu 30% até julho, apura Serasa

24-08-2009

No acumulado de janeiro a julho de 2009, o Indicador Serasa Experian de Inadimplência das Empresas apontou uma alta de 29,7% na inadimplência das pessoas jurídicas, quando comparado a igual período de 2008. A elevação revela que mesmo com a recuperação econômica a partir de maio, a queda dos juros, a resposta do mercado interno e a volta gradual do crédito ainda não foram suficientes para as empresas para reverterem os danos causados pela crise.

Segundo os analistas da Serasa Experian, as empresas ainda enfrentam muitos problemas, em termos de liquidez, para financiar suas atividades, seus investimentos e renegociar suas dívidas. Os técnicos também destacam que a recessão global e o real valorizado estão penalizando as empresas exportadoras.

Quanto à variação de julho de 2009 sobre julho de 2008, a inadimplência das empresas cresceu 26,3%, ritmo semelhante ao verificado na comparação de junho de 2009 ante o mesmo mês de 2008 (alta de 26,6%). Contudo, estes resultados são inferiores ao verificado no período acumulado entre janeiro e maio de 2009, frente ao mesmo período de 2008 (elevação de 30,2%).

A alta também foi verificada na variação mensal. Em julho de 2009, o crescimento da inadimplência das pessoas jurídicas foi de 6,6%, ante o mês de junho. De acordo com os analistas, a elevação é justificada pela dificuldade de recuperação apresentada pelas empresas, além do maior número de dias úteis em julho (23), na comparação com junho (21). Os especialistas lembram, ainda, que o mês de junho, por ter registrado recuo na inadimplência em relação a maio, se tornou uma base fraca de comparação, ampliando a expressão do número de julho.

Para o curto prazo, a perspectiva dos técnicos é de que a inadimplência das empresas se mantenha em patamares elevados ante 2008, com possibilidade de queda no último trimestre do ano.

De janeiro a julho de 2009, o ranking de representatividade das dívidas das empresas foi liderado pelos títulos protestados, com 41,6% de participação no indicador. No mesmo período do ano passado, tal representação foi de 42,1%.

Em seguida, com 39% de participação até julho, estão os cheques sem fundos. Em 2008, nos sete primeiros meses, este percentual foi de 38,7%. Fecham o ranking as dívidas com bancos, com 19,4% de representatividade de janeiro a julho deste ano, acima dos 19,2% observados no mesmo período do ano anterior.

Nos sete primeiros meses de 2009, o valor médio das dívidas com bancos foi de R$ 4.563,70, com 3,6% de aumento, na relação com o acumulado de janeiro a julho de 2008.

Os títulos protestados, por sua vez, tiveram de janeiro a julho deste ano um valor médio de R$ 1.805,48, resultando em 20,7% de aumento, ante o mesmo período do ano passado.

Por fim, os cheques sem fundos apresentaram, de janeiro a julho de 2009, um valor médio de R$ 1.461,35, com 14,5% de crescimento, quando comparado com igual período de 2008.

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