Receita das empresas cresceu quase 50% em nove anos

25-08-2009

O faturamento das empresas, no período de 2000 a 2008, apresentou crescimento real de 47%. Em 2008, apesar da crise financeira internacional no último trimestre, que reduziu o ritmo do crescimento, o desempenho foi muito bom. Por outro lado, os três primeiros meses de 2009 foram marcados pela diminuição no ritmo da atividade econômica no país, evidenciado queda de 5% nas vendas em geral, ante o primeiro trimestre de 2008.

Os dados fazem parte de um estudo da Serasa Experian, que analisou a evolução do faturamento das empresas, a partir de uma amostra de cerca de 1.000 demonstrações contábeis encerradas em março/2009 e divulgadas até junho, abrangendo empresas da indústria, do comércio e de serviços.

De 2000 até 2008, as vendas do comércio acumularam crescimento de 60,7%, enquanto a indústria e os serviços, 48,5% e 36%, respectivamente. São números importantes que mostram o ritmo forte de crescimento dos últimos anos. Entretanto, o primeiro trimestre de 2009 mostrou queda generalizada nas receitas, quando comparadas ao mesmo período de 2008, sendo a indústria com -9,7%, o comércio com -1,1% e os serviços -2,2%. O desempenho do PIB (Produto Interno Bruto) também declinou, com retração de 1,8%.

A queda na demanda nacional (com a escassez do crédito) e na internacional (com a redução das exportações) verificadas no primeiro trimestre de 2009 afetaram diretamente o setor industrial, provocando redução nas vendas, com a conseqüente redução da produção e elevação dos estoques, contribuindo com o aumento do desemprego e também da inadimplência.

Um segmento que ainda conseguiu obter desempenho favorável, com evolução de 2%, foi o de alimentos, em função da tendência de queda dos preços, do reajuste real do salário-mínimo a partir de fevereiro de 2009, da redução da alíquota de Imposto de Renda Pessoa Física, que atingiu as faixas de menor renda, e da manutenção dos programas federais de transferência de renda (Bolsa-Família), além de ainda estar inserido em um setor constituído por bens de primeira necessidade.

No entanto, os segmentos que sentiram com mais intensidade o impacto do cenário adverso da economia foram os de siderurgia, metalurgia e bens de capital, que estão no início da cadeia industrial. Os fatores que contribuíram para esse desempenho foram a escassez de recursos nos mercados externo e interno, com reflexo nos preços das commodities, e a maior seletividade na concessão de crédito, elevando os níveis de ociosidade na produção.

O faturamento das empresas prestadoras de serviços, no período acumulado até 2008, apresentou crescimento de 36%, ligeiramente inferior ao PIB, cuja evolução atingiu 37,5%. No entanto, no primeiro trimestre de 2009 também apresentou involução das receitas (2,2%). As empresas de energia e telefonia fixa tiveram queda de 4,4% e 6,1%, respectivamente, sendo a primeira afetada pela redução de preço no mercado livre e pelo nível de atividade das indústrias, e a segunda pela migração de seus clientes para a telefonia móvel, que na tentativa de evitar essa situação tem ofertado pacotes de minutos promocionais e planos alternativos com tarifas fixas e ligações locais ilimitadas. Em contra partida, o faturamento das empresas de saneamento evoluiu 2,1%, favorecido pelo reajuste tarifário e pelo aumento da população atendida.

A receita do comércio decresceu 1,1% frente igual período de 2008. A política de concessão de crédito mais restritiva, a insegurança na manutenção do emprego e o comprometimento do orçamento das famílias com o pagamento de despesas sazonais (IPTU, IPVA, despesas escolares concentradas no primeiro trimestre do ano) levou o segmento de bens duráveis a apresentar queda. Entretanto, as empresas que atuam no comércio varejista e atacadista de gêneros alimentícios, por terem seu faturamento baseado em itens de primeira necessidade, mostraram desempenho positivo de 2,6%.

Diante da nova realidade da economia mundial, advinda do impacto da crise financeira que provocou a retração nas maiores – e, até então, mais fortes e competitivas –, economias do mundo, o Brasil também apresentou queda no desempenho. Porém, como vinha de um período de crescimento constante de seu mercado, embasado em fundamentos econômicos solidificados, fez com que estivesse mais bem preparado para enfrentar tal cenário, cujos efeitos foram sentidos em menores proporções.

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