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Problemas com voz levam
professor a faltar em média cinco vezes ao ano
25-08-2009
Os problemas na voz geram em média cinco faltas
por ano entre os professores da educação
básica no país, de acordo com um estudo
realizado pelo Centro de Estudos da Voz (CEV) em parceria
com o Sindicato dos Professores de São Paulo
(Sinpro-SP) e a Universidade de Utah, nos Estados Unidos.
Segundo a pesquisa, 35% dos professores entrevistados
relataram a presença de cinco ou mais problemas
vocais, e 63% disseram já ter tido algum problema
durante a vida. Os dados indicam que 16,7% dos professores
consideram que terão de mudar de profissão
no futuro por conta dos problemas vocais.
O questionário com 35 perguntas foi aplicado
para 3.265 pessoas, das quais 1.651 eram docentes. Entre
os professores, 63,1% afirmaram ter alterações
vocais. Entre os não professores, 35,1% afirmaram
a mesma coisa. Os principais problemas relatados são:
cansaço vocal (92%), desconforto para falar (90,4%),
esforço para falar (89,2%), garganta seca (83,4%),
rouquidão (82,2%), dificuldade para projetar
a voz (82,8%), instabilidade ou tremor na voz (79,3%),
dor na garganta (72,7%).
Segundo a diretora do Centro de Estudos da Voz (CEV),
Mara Behlau, o professor é objeto de estudo dos
fonoaudiólogos há pelo menos 20 anos e,
em todo esse período, a situação
continua a mesma. “O professor tem na sua voz
um recurso essencial em sala de aula e nosso professor
está doente, com problemas de voz que o colocam
em uma situação de risco muito grande
e comprometem a efetividade de aprendizagem, e sua permanência
com modelo de comunicação em relação
aos seus alunos”, afirmou a coordenadora do estudo.
Mara ressaltou que os problemas fazem com que os docentes
mudem a forma de trabalho, diminuindo o tempo que falam
e substituindo as explicações por vídeos
e seminários. Além disso, as dificuldades
também acarretam prejuízos graves na qualidade
de vida. “A pessoa que resolve ser professor evidentemente
faz porque gosta. Então, pegar um professor e
tirar de sala de aula também não ajuda.
Colocá-lo em uma biblioteca, em uma secretaria
não é a resposta que o professor quer.”
De acordo com uma das autoras da pesquisa, a fonoaudióloga
do Sinpro-SP, Fabiana Zambon, os professores lecionam
em condições desfavoráveis para
o uso da voz: competem com ruídos externos à
sala de aula ou mesmo internos, trabalham com número
alto de alunos, dificilmente usam microfone para dar
aula e lecionam dois ou três períodos o
que faz com que falem muito durante o dia.
“Somado a tudo isso e talvez o mais importante
é que ele não tem informação.
Ele entra em um mercado de trabalho que usa muito a
voz podendo ter uma alteração vocal sem
saber como cuidar, porque não tem na formação
uma disciplina que ensine isso e então ele só
procura ajuda quando já tem alguma alteração.”
Para prevenir os problemas de voz, a fonoaudióloga
indica que o professor siga algumas recomendações
como beber água em pequenos goles constantemente
durante a aula, articular bem as palavras, evitar o
contato direto com o pó de giz, manter alimentação
saudável e regular, evitar o café e bebidas
gasosas, não fumar e comer uma maçã,
que limpa a boca e ajuda a movimentar a musculatura
responsável pela articulação das
palavras.
Outras recomendações são se espreguiçar
ao acordar para relaxar os músculos e, ao tomar
banho, deixar a água cair nos ombros fazendo
movimentos circulares com a cabeça também
para diminuir as tensões diárias. É
importante também fazer intervalos para descansar
a voz, utilizar recursos que aumentem a participação
dos alunos na sala de aula e fazer exercícios
de aquecimento e desaquecimento com a orientação
de um fonoaudiólogo.
Fabiana recomendou ainda que o professor faça
uma avalização vocal e evite gritar, sussurrar,
pigarrear, falar de costas ou de lado para os alunos.
Para evitar que o pó de giz entre na garganta,
o ideal é que não se fale ao escrever
na lousa. Outra dica é chupar bala forte quando
a garganta estiver irritada.
“A maior parte dos professores procura ajuda
quando já tem alteração de voz.
Vemos que eles têm múltiplos sintomas,
que relatam ter muitas alterações, mas
eles não têm informação.
Quando não temos muita informação,
só procuramos o auxílio quando sentimos
alguma coisa. Queremos levar a prevenção
para que o professor tenha mais condições
de trabalho e tenha a informação”,
afirmou Fabiana. (Agência Brasil)
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