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Cartão de crédito
é o vilão da inadimplência do paulistano
26-08-2009
O cartão de crédito continua liderando
o ranking dos tipos de dívidas mais utilizadas,
em agosto. A modalidade foi responsável por 65%
das dívidas assumidas pelas famílias paulistanas,
contra 61% em julho. No endividamento geral, o índice
passou de 46% em julho para 49% em agosto. Segundo a
Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor
(PEIC) da Fecomercio, a inadimplência também
mostra ligeiro aumento, já que total de famílias
com contas em atraso alcançou o patamar de 19%,
ante os 17% apurados em julho. O número contraria
a trajetória declinante observada nos meses anteriores
(21% em maio, 20% em junho e 17% em julho).
A quantidade de famílias que acreditam não
ter condições de pagar total ou parcialmente
suas contas nos próximos meses também
subiu de 5% em julho para 8% em agosto. Segundo Adelaide
Reis, economista da Fecomercio, o resultado de agosto
deve-se ao aumento da demanda do consumidor por crédito,
sustentado, principalmente pela elevação
das operações com o cartão de crédito
e o cheque especial, as duas modalidades de crédito
mais caras do mercado.
Dados da PEIC mostram que a utilização
do cheque especial passou de 8% em julho para 9% em
agosto. Os carnês permanecem estáveis com
38% das dívidas contraídas este mês
e o crédito pessoal em estabilidade com 12%.
Para a economista, a expansão do crédito
este mês também é atribuída
à elevação da massa real de salários
(cresceu 3,2% em julho de 2009 em comparação
a julho de 2008), ao aumento do prazo médio do
financiamento ao consumidor e à redução
das taxas de juros dos financiamentos oferecidas pelos
bancos públicos, fruto do corte no spread. Soma-se
a isso, o fortalecimento da confiança do consumidor
no desempenho da economia nacional.
“Como a intenção de consumir continua
em alta e a oferta de crédito está em
expansão, há um retorno da tendência
de aumento do endividamento das famílias paulistanas
no horizonte próximo”, afirma Adelaide.
Quanto à inadimplência nos próximos
meses, permanece o risco de crescimento em decorrência
do aumento das operações de crédito
e das altas taxas de juros em vigor no mercado.
Segundo dados da PEIC, o porcentual de consumidores
que não pretendem contrair dívidas nos
próximos meses aumentou, passando de um total
de 90% em julho para 92% em agosto. Os que planejam
comprar a crédito no futuro próximo representam
apenas 7% dos consumidores entrevistados este mês.
Quanto ao prazo médio de comprometimento da
renda dos consumidores com dívidas, a PEIC indica
que, em agosto, mais da metade dos entrevistados (51%)
têm renda familiar comprometida com o pagamento
de dívidas por até seis meses. Outros
28% do total têm a renda familiar comprometida
por mais de um ano com pagamento de dívidas.
A PEIC aponta que em agosto 52% dos entrevistados têm
até 30% da renda familiar mensal comprometida
com dívidas. Estavam nesta situação
59% das famílias em julho. Já em relação
ao tempo de atraso no pagamento de contas, a pesquisa
mostra que 45% das famílias paulistanas estão
com dívidas atrasadas há mais de 90 dias.
Outros 37% dos inadimplentes têm contas com pagamentos
atrasados em até 60 dias.
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