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Empresas líderes
em inovação investiram mais mesmo na crise
30-10-2009
Mesmo diante da severa recessão global iniciada
no ano passado, as mil empresas de capital aberto que
mais gastam em pesquisa e desenvolvimento (P&D)
em todo o mundo aumentaram seus investimentos na área
em 2008. Esse fator confirma a importância crítica
da inovação para suas estratégias
corporativas, de acordo com a quinta edição
da pesquisa anual de investimentos globais em inovação
realizada pela consultoria de gestão Booz &
Company. O Brasil seguiu a tendência mundial e
as empresas listadas gastaram juntas 18,7% a mais em
pesquisa e desenvolvimento do que em 2007.
No ano passado, as mil empresas investiram US$ 532
bilhões, o que representou um crescimento de
5,7% em relação a 2007. O incremento foi
um pouco inferior à média dos cinco anos
anteriores, de 7,1% ao ano. O faturamento dessas companhias
cresceu 6,5% no período, alcançando US$
15 trilhões - também abaixo da média
dos anos anteriores, de 8,6%. Mesmo crescendo menos,
os gastos com inovação continuaram representando
3,6% da receita, média apurada nos anos anteriores.
As principais descobertas do estudo são:
No Brasil:
O levantamento revela que três companhias brasileiras
Embraer, Petrobras e Vale gastaram US$ 2,2 bilhões
no desenvolvimento de produtos e processos. O montante
é 18,7% superior ao valor aplicado em 2007. A
Vale investiu 48,4% mais em P&D no ano passado,
o equivalente a US$ 1,1 bilhão, subindo para
a 101ª colocação no ranking. A Petrobras
manteve o gasto estável em US$ 929 milhões
e perdeu três posições, indo para
o 120º lugar. A Embraer reduziu os aportes em 17,7%,
para US$ 107 milhões, descendo para a 624ª
posição. A Petrobras foi a única
a registrar uma relação entre gasto e
receita acima da média global, 4,34%; as outras
tiveram índices inferiores a 1%.
Dessa forma, as companhias brasileiras responderam
por 0,41% de todo o investimento privado em inovação
no mundo no ano passado. A receita com vendas também
se expandiu acima da média. Em 2008, o faturamento
das companhias alcançou US$ 161,9 bilhões,
21,2% a mais que em 2007, quando a média cresceu
6,5%. Conforme a pesquisa, entre os Bric, o país
ficou atrás apenas da China, que investiu US$
2,7 bilhões. Das mil empresas analisadas, quatro
eram da Índia, 15 da China e duas da Rússia.
No mundo:
A inovação é vista como um item
cada vez mais importante para estratégia corporativa.
Mais de 90% dos entrevistados disseram que a inovação
é um fator crítico para que suas empresas
estejam preparadas para o reaquecimento da economia,
e 70% deles afirmam que suas empresas estão mantendo
ou aumentando seus gastos com P&D em 2009, segundo
a Booz & Company. Além disso, as cem maiores
empresas que participaram do estudo sinalizaram claramente
as prioridades nos seus investimentos ao aumentar os
gastos com P&D em 3,2%, ao mesmo tempo que reduziram
as despesas gerais em mais de 1%.
“Reduzir os esforços de inovação
seria o equivalente a um desarmamento unilateral em
tempos de guerra”, disse Waldir Viera, sócio
da Booz & Company Brasil. “Este é um
momento oportuno para estabelecer uma vantagem em relação
aos concorrentes, especialmente os mais fracos, que
poderão ter que economizar em P&D por questões
financeiras. De modo geral, o estudo demonstra uma perspectiva
otimista por parte das empresas do Innovation 1000”.
As empresas estão gastando mais, mas com maior
critério. Por causa da recessão, as empresas
foram forçadas a pensar um pouco mais sobre os
seus processos de inovação e portfólios
– tanto para os bons tempos quanto para os maus.
Foi isso o que aconteceu ao longo dos trimestres mais
turbulentos que estas empresas já tiveram, o
que indica que elas estão prontas para fazer
apostas inteligentes que renderão dividendos
na retomada da economia.
Da mesma forma, a pesquisa com os executivos e diretores
de P&D revela que sete em cada dez empresas estão
agora ajustando suas estratégias para captar
melhor as exigências do consumidor, e que metade
dos entrevistados está se tornando mais conservadores
com relação aos filtros que aplicam ao
aprovar novos projetos de P&D. Quatro em cada dez
estão se tornando mais avessos aos riscos que
acompanham os esforços de P&D, e um número
equivalente diz que estão aprendendo a abortar
projetos ruins.
As 20 empresas que mais gastam aumentaram seus orçamentos
em apenas 3,2%. Este ganho representa menos da metade
do aumento de 7,6% registrado em 2007, e foi resultado
de uma queda vertiginosa de 35% no faturamento líquido
coletivo das 20 empresas, que caiu de US$ 115 bilhões
para apenas US$ 75 bilhões em 2008. Ainda assim,
as 20 empresas que mais gastam representaram 26% do
total de gastos de todo o Innovation 1000.
Os impactos da recessão sobre P&D variam
muito por setor. Em 2008, como neste ano, dois terços
dos gastos com P&D se concentraram em três
setores: informática e eletrônicos (27%),
saúde (23%), e automotivo (16%).
Nenhum setor sofreu tanto com a crise quanto o automotivo.
Nove entre as dez empresas que mais gastam em P&D
na categoria cortaram suas despesas com inovação.
De modo geral, 60% das empresas do setor automotivo
da Global Innovation 1000 reduziram os gastos com P&D,
em comparação com 25% que reduziram P&D
no ano anterior. Mesmo assim, os outros 40% das empresas
do setor que fazem parte da lista aumentaram seus gastos
o suficiente para que o setor automotivo como um todo
aumentasse os gastos líquidos com P&D em
0,6%.
O setor de software e Internet, por outro lado, claramente
percebeu a recessão como uma oportunidade. Oito
das dez empresas que mais gastam com P&D aumentaram
seus gastos com P&D no ano passado.
Os gastos com P&D no setor de informática
e eletrônicos cresceram mais de 4%, embora a proporção
das empresas que aumentaram seus gastos com P&D
tenha permanecido essencialmente a mesma desde o ano
passado.
As empresas de seguro-saúde foram as que mais
gastaram em P&D com relação às
vendas – 12% do total – seguidas pelas empresas
de Software e Internet (11,4%). Os setores de Telecom
e Química e Energia, por outro lado, foram os
que menos gastaram – 1,4% e 0,9%, respectivamente.
O setor Aeroespacial e Defesa foi o único em
que os gastos em inovação afundaram, com
uma queda de 2,3%.
Todas as regiões do globo aumentaram seus gastos.
As empresas norte-americanas, européias e japonesas
mantiveram sua participação de 94% nos
gastos das empresas do Global Innovation 1000. Todas
as regiões, incluindo a China e a Índia,
aumentaram suas despesas, ainda que o tenham feito em
menor escala. O Japão aumentou sua alocação
de recursos em apenas 0,5%, a Europa em 6,3% e a América
do Norte em 6,5%. Estes níveis estão abaixo
do CAGR global para cinco anos de 7,2%. Site: www.booz.com
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