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Poluição
de SP facilita entupimento das artérias
30-12-2009
A poluição do ar de São Paulo
altera o colesterol do sangue, o que aumenta a placa
de gordura nos vasos, conhecida como aterosclerose,
como mostra uma pesquisa da Faculdade de Medicina da
USP (FMUSP). A deposição de placa de gordura
nas artérias facilita problemas como infarto
e derrames cerebrais.
O ar de São Paulo possui partículas que,
quando inspiradas, penetram na corrente sanguínea
e alteram a estrutura da molécula do LDL, a lipoproteína
de baixa densidade — conhecida como colesterol
“ruim”. A molécula adquire, então,
mais facilidade para formar camadas de gordura e engrossar
a parede do vaso.
Os resultados são da tese de doutorado da biomédica
Sandra Regina Castro Soares que comparou grupos de camundongos
com excesso de colesterol, que viviam em câmaras
no jardim da FMUSP, perto de uma avenida movimentada
de São Paulo. Em uma das câmaras os camundongos
respiravam o ar filtrado. Em outra, respiravam os mesmos
poluentes que os pedestres.
Sandra expôs à poluição
os animais desde o nascimento até a idade de
quatro meses, o equivalente a cerca de 40 anos em seres
humanos. A idéia era simular as condições
de pessoas que respiram poluição desde
o nascimento e apresentam infarto no coração
na meia idade. Camundongos que respiravam ar poluído
tinham as paredes das artérias mais espessas.
O sangue deles também continha mais LDL alterado
e anticorpos que indicam maior risco de infarto.
A poluição de São Paulo está
dentro dos limites de qualidade do ar estabelecidos
pela Organização Mundial da Saúde
– 50 microgramas de partículas suspensas
por metro cúbico de ar. Cerca de 80% dos poluentes
têm origem veicular.
Círculo vicioso
A placa de gordura começa a se formar quando
o LDL penetra na parede das artérias, vasos que
levam o sangue do coração para o resto
do corpo. A poluição altera o colesterol
facilitando o seu depósito na parede dos vasos
e atraindo células de defesa do organismo no
local, que por sua vez atrai mais colesterol. O círculo
vicioso, agravado pela ação dos poluentes,
engrossa cada vez mais a parede das artérias.
O endotélio, camada do vaso que entra em contato
com o sangue, adoece com a inflamação
e pode se romper. Quando isso acontece, o sangue coagula.
Como consequência, as partes do corpo irrigadas
pela artéria morrem — o que os médicos
chamam de infarto.
Lucia Garcia, orientadora de Sandra, explica que a
comparação tem suas ressalvas, já
que camundongos são diferentes de humanos. Mas
estudos em animais servem para esclarecer porque pessoas
que moram em cidades grandes e poluídas têm
mais infartos que os moradores de pequenas cidades.
“O camundongo é um mamífero que
respira pela boca e nariz, como os seres humanos. Eles
nos ajudam a estudar o coração e os vasos
alterados pela poluição em uma mostra
mais homogênea — com menos fatores de confusão
como alimentação, cultura e raças
diferentes. Esses parâmetros são mais difíceis
de serem obtidos em humanos”.
O estudo foi o primeiro no mundo a analisar os efeitos
do ar poluído real na formação
de placa de gordura nas artérias. Segundo Lúcia,
o trabalho causou interesse na Sociedade Internacional
de Aterosclerose. Os estudos anteriores usavam apenas
poluentes concentrados e não ao ar que as pessoas
respiram. “Os pesquisadores faziam, por exemplo,
que os animais fossem expostos a câmaras com concentradores
de poluição de motor de carros e analisavam
os efeitos sobre a saúde do animal”.
Um artigo resumindo a pesquisa pode ser acessado por
assinantes na revista Atherosclerosis. O estudo foi
feito no Laboratório de Poluição
Atmosférica, em parceria com os Laboratórios
de Lípides, Soroepidemiologia e Terapêutica
Experimental, todos da FMUSP. Também colaborou
o Laboratório de Imunofisiopatologia, do Instituto
de Ciências Biomédicas (ICB), da USP. (Por
Nilbberth Silva - Agência USP de Notícias)
Mais informações: (11) 3069-7690, email
gajugu@terra.com.br
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