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BC espera reflexo da
alta no custo de captação sobre juros
ao consumidor
23-03-2010
Ao mesmo tempo em que a inadimplência está
em queda, o custo de captação de recursos
pelos bancos se eleva devido à perspectiva de
alta da taxa básica de juros, a Selic. Por isso,
segundo o chefe do Departamento Econômico do Banco
Central (BC), Altamir Lopes, é preciso esperar
para saber o impacto desse cenário nos juros
cobrados do consumidor. Atualmente a Selic está
em 8,75% ao ano.
Em fevereiro, as taxas cobradas nos empréstimos
a empresas e famílias caíram. A queda
da inadimplência contribui para a redução
dos juros cobrados do consumidor, enquanto o aumento
do custo de captação faz com que os bancos
cobrem mais caro pelos empréstimos.
“Estamos observando algum movimento de elevação
do custo de captação. Um dos aspectos
é a expectativa do mercado em relação
à taxa de juros básicos. Isso acaba se
refletindo no custo de captação dessas
instituições financeiras e, sem dúvida,
é repassado ao tomador final”, disse Lopes.
Até o dia 10 deste mês, a taxa geral de
juros permaneceu em 34,3% ao ano. A taxa para pessoas
físicas ficou estável em 41,6% ao ano,
contra 41,9% ao ano de fevereiro. Para as empresas,
a taxa está em 26,1% ao ano, ante 25,9% ao ano
observados no mês passado.
O spread geral, diferença entre a taxa que o
banco paga nos investimentos e cobra nos financiamentos,
está em 24,1 pontos percentuais, de acordo com
os dados preliminares deste mês. Em fevereiro,
o spread geral ficou em 24,3 pontos percentuais. Para
as pessoas físicas, está em 30,4 pontos
percentuais, contra 30,8 pontos percentuais registrados
em fevereiro. No caso das empresas, o spread foi estável
em 16,9 pontos percentuais.
De acordo com Lopes, a inadimplência vem caindo
devido às boas perspectivas no mercado de trabalho,
com manutenção da renda.
“À medida que as famílias e as
empresas têm renda melhorada, com atividade mais
elevada, a providência inicial é regularizar
a situação e isso possibilita que voltem
a captar mais recursos”, afirmou.
Para Lopes, a tendência é de mais redução
da inadimplência, principalmente, para as empresas.
“A taxa de inadimplência para pessoa jurídica
é razoavelmente baixa, mas foi aquela que teve
impacto maior durante o período de crise. É
exatamente para esse segmento que se espera uma retração
ainda maior daqui para frente”, disse. (Agência
Brasil)
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