|
Dívida compromissada
do governo aumentou cinco vezes desde 2005
16-11-2010
Em meio à entrada de recursos estrangeiros no
Brasil, um indicador pressiona a dívida pública.
Para enxugar o excesso de recursos na economia, o Banco
Central (BC) retira dinheiro de circulação
por meio de operações de curto prazo.
Chamadas de operações compromissadas,
elas são registradas na dívida bruta do
governo e, em setembro, somavam R$ 406,4 bilhões,
11,8% do Produto Interno Bruto (PIB).
Ao longo de 2010, a dívida compromissada diminuiu.
Em janeiro, o indicador somava R$ 535,7 bilhões
(16,9% do PIB). No longo prazo, no entanto, as operações
compromissadas têm se expandido. Em setembro de
2003, correspondiam a apenas 4,6% do PIB. O menor nível
nos últimos anos foi registrado em julho de 2005,
quando essas operações responderam por
2,6% do PIB, quase cinco vezes menos que o nível
atual.
Na realidade, as operações compromissadas
não envolvem a emissão de títulos
públicos, mas a transferência para os bancos
de papéis que estão na carteira do Banco
Central. O BC pega o excesso de dinheiro em circulação
nos bancos e se compromete a devolver a quantia com
correção pela taxa Selic. Nesse período,
os títulos ficam como garantia do empréstimo.
Se o BC não devolver o dinheiro, os bancos ficam
com os papéis.
As operações compromissadas geralmente
têm prazo curto. Em torno de 60% dos papéis
são devolvidos ao Banco Central em até
três meses. Por meio da regulação
da quantidade de dinheiro em circulação,
a autoridade monetária ajusta a economia à
taxa Selic, determinada pelo Comitê de Política
Monetária (Copom) do Banco Central e atualmente
em 10,75% ao ano.
Num cenário de entrada de reservas internacionais,
que cresceram em torno de US$ 100 bilhões desde
o início da crise econômica internacional
e hoje somam em torno de US$ 290 bilhões, a dívida
compromissada é cada vez mais usada para regular
a oferta de dinheiro. Os economistas, no entanto, divergem
sobre o impacto dessas operações na dívida
pública.
O professor de economia da Fundação Getulio
Vargas (FGV) Robson Gonçalves acredita que a
enxurrada de recursos externos pode dificultar a administração
da dívida pública no médio prazo.
“Em algum momento, o governo terá de ser
mais incisivo, algo para conter a entrada de capital
estrangeiro, além da elevação do
IOF [Imposto sobre Operações Financeiras]
para investimentos em renda fixa e derivativos”,
acredita. Ele defende a adoção de quarentena
sobre o capital especulativo: “O Brasil não
terá como escapar disso”.
Para a economista-sênior do Royal Bank of Scotland
(RBS) Zeina Latif, as operações compromissadas
não representam risco para a administração
da dívida pública porque não envolvem
emissões de títulos. Ela afirma, no entanto,
que esse não é o mecanismo mais correto
para “esterilizar” a entrada de recursos
estrangeiros. “O ideal seria usar o Fundo Soberano
para enxugar o excesso de recursos externos, como fazem
alguns países”, afirma.
Em relação à dívida pública,
a economista recomenda o fortalecimento do ajuste fiscal,
por meio da contenção dos gastos públicos.
“O fortalecimento do superávit primário
[economia de recursos para pagar os juros da dívida
pública] é a melhor estratégia
para impedir a explosão da dívida pública”,
avalia. (Agência Brasil)
Links úteis aos usuários
Clique
aqui e compare preços de produtos e serviços
de financeiro
Clique
aqui e compare preços de centenas de produtos
Matérias relacionadas
- Hedge
funds deixam crise para trás e atendem novas
demandas de investidores, diz Ernst & Young
- Otimismo
dos economistas quanto a emprego e renda atinge nível
recorde
- Volume
de vendas no comércio cresce 0,4% em setembro
em relação ao mês anterior
- Índice
que reajusta aluguel aumenta para 0,79% na primeira
prévia de novembro
Leia também
outras matérias da seção Pesquisas:
-
CANAL EXECUTIVO possui serviço de pesquisa sob
encomenda
- Investimentos
globais em P&D caíram ao menor nível
por causa da crise
- Chips
produzido com mandioca é opção
mais saudável de consumo
- Maioria
acessa redes corporativas sem permissão
- Brasileiro
tem opiniões contraditórias sobre estatais
- Estudo
traz balanço da gestão de contratos nas
empresas
- Cresce
preocupação das empresas com bem-estar
do pessoal
- Empresas
investem mais em Gestão de Riscos
- Empresas
usam redes sociais, mas não colhem benefícios
- Estudo
expõe comportamento do brasileiro em relação
ao sexo
- Mesmo
com pós, mulheres ganham menos que homens, diz
estudo
-
Desigualdade de renda amplia chance de depressão,
diz estudo do BID
- Estudo
global avalia uso da Web 2.0 nas empresas
- Estudo
mostra impacto do consumo de TI nas empresas e no pessoal
- Regras
do Fisco interferem nas normas e práticas contábeis
- Estudo
revela hábitos dos internautas paulistanos
- Apenas
15% dos profissionais estão contentes com trabalho
- Expansão
da rede de esgoto tem impacto sobre o trabalho
- Estudo
aponta os principais desafios para o Brasil
Clique
Aqui e Veja Mais Pesquisas
Leia
Todas as Últimas Notícias
|