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Nunca é cedo ou
tarde demais para se investir na educação
17-08-2010
Aderbal Gonçalves
Nunca é cedo ou tarde demais para se investir
em educação. A máxima vale tanto
para aqueles que investiram numa formação
e pensam em mudar de rumo, como para os jovens em busca
de um futuro. No caso do pessoal mais velho, ou melhor
experiente, ali pela casa dos 40 anos, a dúvida
maior é se vale a pena voltar aos bancos escolares
ou investir numa pós-graduação.
Dois estudos recentes mostram que sim.
Divulgado em setembro de 2009, o Education at a glance
(Panorama da Educação), aponta que a renda
aumenta substancialmente com a conclusão do nível
médio de ensino e do nível superior, tanto
nos países mais ricos do mundo quanto no Brasil.
Na maioria dos países os ganhos excedem 50% para
os que concluem a educação superior -
no Brasil, esse aumento excede os 100%. O levantamento
foi produzido pelo Ines (Indicadores dos Sistemas Educacionais),
uma instância da Organização para
a Cooperação e Desenvolvimento Econômico
(OCDE).
E os ganhos aumentam na medida em que se sobe na escada
educacional. Os profissionais que investem, por exemplo,
num curso de Master Business Administration (MBA) pensando
em melhorar salário e galgar posições
na carreira estão no caminho certo. Pesquisa
realizada pela firma de recrutamento especializado Robert
Half com 50 executivos brasileiros de média e
alta gerência mostra que 66% dos profissionais
com um MBA no currículo tiveram aumento salarial
após a realização do curso. A promoção
na carreira aconteceu para 48% dos entrevistados que
investiram em educação continuada.
Dentre os profissionais que tiveram aumento salarial
após a conclusão do MBA, pelo menos 22%
receberam mais que o dobro do salário que ganhavam
antes do curso. Mais de 30% tiveram aumento de remuneração
entre 20% e 50%. A maior parcela dos entrevistados teve
aumento de até 20% no salário. A pesquisa
ouviu executivos das áreas de TI, Marketing e
Vendas, Engenharia, Finanças e Contabilidade
e Mercado Financeiro. Dentre os 50 profissionais ouvidos
no levantamento, 54% fizeram MBA.
É natural que mais tempo de estudo se reflita
nos ganhos salariais e na carreira. Mas outra mudança
registrada nos últimos anos, esta envolvendo
a expectativa de vida do brasileiro, também dá
razão aos que querem aprender e se manter ativos
sempre. “Com o envelhecimento da população,
as pessoas permanecem produtivas por mais tempo no mercado
de trabalho”, diz em nota Alberto Ogata, presidente
da Associação Brasileira de Qualidade
de Vida (ABQV). “Para se enquadrar a essa realidade
moderna, é preciso estar disposto a mudar e a
não se acomodar”. Ou seja, quem dormir
no ponto corre o risco de ficar obsoleto para o mercado
de trabalho, mas não porque ficou “velho”,
mas sim porque não tem mais conteúdo.
E as empresas estão dando cada vez mais valor
ao passe de profissionais experientes e escolados. Isso
é evidente em alguns setores da economia, cujos
desempenhos têm sido turbinados pelo ciclo recente
de crescimento econômico, pelas descobertas realizadas
pela Petrobras na camada do pré-sal, pelas obras
do PAC e pelas obras para a Copa do Mundo de 2014 e
pelas Olimpíadas de 2016. Diante da carência
de novos talentos, companhias dos setores de infraestrutura,
petróleo e gás, lazer e turismo e construção
caçam profissionais experientes no mercado.
Aos 38 anos, o engenheiro civil Paulo César
Póvoa Inácio, formado pela Escola de Engenharia
Mauá, em São Caetano do Sul, na Grande
São Paulo, em 1996, foi “caçado”
recentemente pos uma consultoria de recursos humanos.
Sondado no início de outubro de 2008, no final
do mês já ocupava o cargo de engenheiro
residente da Tecnisa, incumbido de tocar a fase de acabamento
de duas torres residenciais de alto padrão, no
bairro do Tatuapé, Zona Leste de São Paulo.
Pelo tempo de casa acumulado em cada um dos três
últimos empregos, dá para concluir que
o prêmio pela sua “cabeça”
só tem aumentado. No último, na construtora
Souza Lima, ficou apenas três meses. No penúltimo,
foram oito na construtora Even, e, antes, cerca de 12
na Plano & Plano.
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