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Estudo traça perfil
das empresas brasileiras de alto crescimento
17-11-2010
Estudo realizado em cinco cidades brasileiras, com
106 empresas com alto potencial de crescimento, traz
informações inéditas sobre os seus
planos em relação à abertura de
capital, financiamentos, governança corporativa
e expansão de negócios. A pesquisa, desenvolvida
pela Amcham-Brasil (Câmara Americana de Comércio
Brasil), Ernst & Young Terco e BM&FBOVESPA,
mapeou em quatro diferentes regiões do país
organizações com faturamento entre R$
101 milhões a R$ 400 milhões e concluiu
que essas empresas crescem em ritmo acelerado e muito
acima do PIB (Produto Interno Bruto) nacional.
Mais de 70% delas têm registrado um avanço
superior a 10% ao ano nos últimos cinco anos,
sendo que 17% atingiram incremento de receita entre
25% e 50% ao ano e 12% acima de 50%. Em relação
ao futuro, essas empresas, consideradas de alto impacto,
estão ainda mais otimistas. A grande maioria
(82%) projeta incrementar sua receita bruta em mais
de 10% ao ano nos próximos cinco anos; 17% planejam
avançar entre 25% e 50%; e 17% superior a 50%.
Apenas 6% dos pesquisados acreditam que o crescimento
será inferior a 5%, enquanto 18% dizem que será
entre 5% e 10% ao ano.
Para financiar esse crescimento robusto, a pesquisa
traz uma radiografia que indica um elevado potencial
para que a indústria de private equity avance
no País. Apesar de só 2% das empresas
possuírem participação de fundos
de private equity e venture capital, 31% delas estudam
a possibilidade de estabelecer este tipo de parceria
e foram procuradas recentemente por um fundo de investimento
com essa intenção. Entusiasmadas pela
retomada do crescimento econômico do país
e com o destrave das operações de IPOs
(oferta inicial de ações, na sigla em
inglês), 49% dos pesquisados têm interesse
e planejam abrir capital para financiar seu crescimento
em até três anos.
As outras modalidades de financiamento que ainda predominam
na captação de recursos das empresas são
mais tradicionais. A maioria ainda opta por linhas de
crédito públicas ou bancos de fomento,
incluindo BNDES, BNB, BID e FINEP (45%). É alto,
no entanto, o índice de executivos que recorrem
a linhas de crédito oferecidas por bancos de
varejo (32%), tido como mecanismos de endividamento
de alto custo.
Para Paulo Sérgio Dortas, sócio para
a área de IPOs da Ernst & Young Terco, esse
quadro mostra que nas regiões pesquisadas existe
grande potencial para crescimento da presença
de fundos de private equity e venture capital dentro
das empresas. Na sua avaliação, os fundos
ajudam na profissionalização da gestão,
adoção de práticas de governança
corporativa, e na maior transparência para apresentação
de seus resultados financeiros.
“Considero isso vital para quem planeja acessar
o mercado de capitais. Todos os indicadores, em especial
em relação às empresas que planejam
acessar o mercado de capital, devem dar um fôlego
novo à Bolsa, e trará um perfil totalmente
diferenciado de empresas a esse tipo de operação”,
afirma Dortas.
Com o país apresentando potencial cada vez maior
para receber recursos externos de fundos como esses,
as companhias pesquisadas podem se beneficiar ainda
com a ampliação de seus negócios,
mas a preparação para essa expansão
deve se dar de forma madura, explica Dortas.
Segundo Fernando Schmitt, diretor de Membership da
Amcham-Brasil, o levantamento ocorre em um momento chave
para as empresas brasileiras. “Estão surgindo
para as companhias diversas oportunidades de crescimento,
inclusive com possibilidades de atuação
fora do Brasil, o que permite planejamento e ações
mais ousadas em busca de desenvolvimento”, afirma.
“O projeto que deu origem à pesquisa foi
criado com o objetivo de mostrar às empresas
as maneiras de conduzir um processo de crescimento da
melhor forma possível, com transparência
e objetivos claros”, completa Schmitt.
IPO
Após um período de jejum vivido pelo
mercado de capitais em relação às
operações de IPOs, reflexo da crise financeira
global e do compasso de espera pelo lançamento
da oferta de aumento de capital da Petrobras, os investidores
devem comemorar a retomada do lançamento de ações
a partir de 2011. De acordo com as entrevistas, 49%
dos executivos responderam que cogitam utilizar a Bolsa
para financiar o crescimento dos negócios. O
estudo também mostra que entre as empresas que
não desejam abrir capital, 50% afirmam que necessitam
de mais informações sobre como podem se
organizar e que proveito devem ter para tomada de decisão
nesse sentido.
Entre as que responderam positivamente, 2% querem realizar
IPO no curto prazo (período de até um
ano). A maioria (52%) pretende recorrer à Bolsa
no médio período, entre 1 e 3 anos, e
42% em longo prazo, em mais de cinco anos. “A
Bolsa acredita que o mercado de capitais pode e deve
ser acessado por empresas de todos os tamanhos e está
trabalhando com muito empenho para estimular o acesso
a empresas dos mais diversos portes, o que torna o Bovespa
Mais um segmento de listagem com grande potencial de
desenvolvimento”, explica Cristiana Pereira, diretora
de Desenvolvimento de Empresas da BM&FBOVESPA.
Endividamento
Um dos pontos frágeis que atinge grande parte
das empresas do País passa ao largo da realidade
das companhias pesquisadas. O grau de endividamento
na estrutura de capital dessas empresas, tendo como
referência dezembro de 2009, é considerado
baixo. A maior parte (28%) aponta para comprometimento
entre 10% e 25% do fluxo de caixa. Segundo 23%, o nível
de endividamento ultrapassa os 50%. Outro fator curioso
é o fato do índice de endividamento não
ser citado entre os principais indicadores para avaliação
de desempenho.
Integração
Questionados se suas empresas possuem sistemas de tecnologia
integrados, 63% dos executivos afirmaram que sim e 29%
afirmaram que estão em implantação.
Quando questionados em pergunta aberta sobre quais os
principais temas que estão na agenda da empresa
pensando no crescimento dos negócios, os respondentes
reforçam o tema dos processos e gestão
como algo crucial.
Sobre o estudo
O levantamento foi feito entre os meses de agosto e
outubro a partir de 106 empresas localizadas em Recife,
Goiânia, Porto Alegre, Curitiba e Campinas, sendo
que a maior parte das organizações pesquisadas
possui entre 101 e 5000 funcionários. Entre as
companhias pesquisadas, 70% possuem cargos de confiança
divididos entre profissionais de mercado e membros de
famílias no controle direto dos negócios.
Participaram do estudo empresas de diversos segmentos,
entre os quais destacam-se os setores automotivo, químico
e petroquímico, imobiliário, agronegócios,
comércio atacadista, vestuário, tecnologia
e bens de consumo.
Serviço:
A integra da pesquisa Processo da construção
do valor para a sua empresa estará disponível
no link http://www.ey.com/Publication/vwLUAssets/Pesquisa_-_Construcao_de_Valor_-_2010/$FILE/Pesquisa_IPO_28102010_v5.pdf
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