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Setor de alimentos pode
reutilizar resíduos da agroindústria
17-12-2010
Por Caio Rodrigo Albuquerque - caiora@esalq.usp.br,
da Assessoria de Comunicação da Esalq
Resíduos da agroindústria alimentícia
podem servir como fontes ricas de compostos bioativos.
Uma pesquisa realizada na Escola Superior de Agricultura
Luiz de Queiroz (Esalq) da USP, em Piracicaba, mostrou
que esses materiais podem conter antioxidantes e compostos
antimicrobianos naturais que podem ser utilizados pela
indústria de alimentos.

Resíduos da agroindústria podem substituir
compostos sintéticos atualmente utilizados
De acordo com Priscilla Siqueira Melo, formada em Ciências
dos Alimentos e uma das autoras do estudo, pesquisas
têm revelado que os antioxidantes sintéticos
utilizados atualmente pela indústria de alimentos
podem apresentar danos à saúde humana
dependendo da dose e do tempo de exposição.
Por isso, o projeto pretende fornecer subsídios
à indústria de alimentos para a utilização
de antioxidantes naturais.
“Os resíduos da agroindústria podem
ser considerados fontes potenciais desses compostos,
de modo que, ao serem aproveitados, resultam em maiores
ganhos econômicos, diminuindo simultaneamente
o impacto do seu descarte no ambiente”, conta
Priscilla. A pesquisadora analisou resíduos oriundos
do processamento vinícola, de tomate, de goiaba
e do setor cervejeiro.

Resíduos descartados são potentes
antioxidantes e antimicrobianos
Compostos encontrados
A pesquisa avaliou a atividade antioxidante por quatro
diferentes métodos in vitro e a atividade antimicrobiana,
além de identificar, por cromatografia gasosa
com espectrometria de massas (CG-EM), os compostos bioativos.
As análises confirmaram que potentes antioxidantes
são descartados em grande quantidade durante
as cadeias produtivas agroindustriais, já que
a maior parte das amostras analisadas, particularmente
os resíduos vinícolas, é rica em
compostos bioativos.
O perfil químico das amostras revelou que a
epicatequina foi o composto majoritário presente
tanto nos extratos etanólicos quanto aquosos
de todos os resíduos vinícolas. Já
para os bagaços de goiaba e tomate, a quercetina
foi o composto predominante. Outros compostos como ácido
gálico, ferúlico, caféico, vanílico,
sinápico, resveratrol e siríngico também
foram identificados.
“Diante disso, esses resíduos podem ser
considerados uma fonte barata e amplamente disponível
para extração de compostos antioxidantes.
Esses, por sua vez, são passíveis de serem
incorporados nas indústrias alimentícia,
cosmética e farmacêutica, sob evidente
respaldo de estudos de extração em escala
industrial e aplicação, gerando, assim,
maiores ganhos econômicos e menores impactos ambientais”,
aponta a pesquisadora.
Pesquisa em andamento
Concluído o trabalho de Priscilla, as amostras
de maior poder antioxidante estão sendo fracionadas
por técnicas cromatográficas e o composto
químico de interesse isolado a fim de elucidar
as substâncias responsáveis pela atividade
antioxidante verificada nos ensaios anteriores. Esta
nova etapa contempla um projeto de doutorado, atualmente
desenvolvido no Laboratório de Bioquímica
e Análise Instrumental da Esalq.
Os resultados deste estudo já foram apresentados
em 2009 no 8º Simpósio Latino Americano
de Ciência de Alimentos, em Campinas, e, em 2010,
nos eventos IFT Annual Meeting and Food Expo, em Chicago
e 25th International Conference on Polyphenols, em Montpellier,
na França.
O material utilizado para a pesquisa foi coletado em
diversas partes do País. Os da indústria
vinícola (bagaço, engaço e borra
da fermentação) foram adquiridos em Bento
Gonçalves (RS) e Petrolina (PE), em parceria
com a Embrapa Uva e Vinho e Embrapa Semi-Árido,
respectivamente. Os bagaços de tomate e goiaba
foram coletados em Monte Alto (SP), e o bagaço
de malte foi proveniente de uma cervejaria em Jacareí
(SP).
A pesquisa Prospecção e identificação
de compostos bioativos de resíduos agroindustriais
para aplicação em alimentos e bebidas
foi realizada como parte do programa de pós-graduação
em Ciência e Tecnologia de Alimentos da Esalq
e teve o apoio financeiro da Fundação
de Amparo à Pesquisa do Estado de São
Paulo (Fapesp).
Imagens cedidas pelo pesquisador
Mais informações: email alencar@esalq.usp.br,
com Severino Matias de Alencar
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