Setor de serviços projeta 1º semestre aquecido

20-12-2010

Trinta e cinco por cento dos prestadores de serviços de todo o país acreditam que no primeiro semestre de 2011 o faturamento de suas empresas crescerá entre 7% e 10% ou mais na comparação com o mesmo período de 2010.

Encomendados pela Central Brasileira do Setor de Serviços – Cebrasse, os dados foram apurados em pesquisa Ipema realizada em novembro junto a federações e sindicatos que representam aproximadamente 25 mil empresas. No total, a Cebrasse reúne cerca de 80 entidades de empreendedores de serviços, que têm cerca de 200 mil empresas e que geram aproximadamente 8 milhões de empregos.

Avaliando os números coletados, o presidente da Cebrasse, Paulo Lofreta, lembrou-se de que no início de novembro a equipe econômica do governo avaliava que o Brasil deve crescer de 7,5% a 8% neste ano, ‘o melhor desempenho dos últimos 25 anos’. Para o empresário, “temos um terço dos nossos empresários associados calculando faturamento igual ou superior à média projetada para o PIB, o que é um otimismo astronômico, característico de tempos de muita solidez em várias economias do Planeta”.

Os motivos para tanta expectativa são vários. Entre eles, o fato de o país já estar se organizando para os preparativos da Copa do Mundo de 2014 e outros eventos esportivos, e também de a dinâmica dos serviços inserir-se intrinsecamente na cadeia produtiva de todos os setores de atividade econômica do mercado e também no setor público.

Excluindo aqueles 35% dos entrevistados bastante otimistas ao estimar crescimento entre 7% e 10% ou mais, outros empreendedores apostam em diferentes níveis de crescimento. Trinta e um por cento apontam a média de 5%, e 16% deles pontuam entre 1% e 3%. Doze por cento creem em manter os mesmos níveis registrados no primeiro semestre de 2010, e apenas 1% indica níveis abaixo dos daquele período.

Quanto aos 5% que não souberam informar, avalia-se que não consideram a possibilidade de redução de ganhos no comparativo entre os primeiros seis meses de 2010 e 2011, e que suas projeções reais podem estar em qualquer percentual.

Segmentação

Quarenta por cento dos empresários de informática e de merchandising esperam maior crescimento (10% ou mais) na comparação entre os dois semestres. Quase trinta por cento dos de segurança privada, 25% dos de manutenção elétrica e em torno de 20% dos prestadores de serviços gerais, engenharia e montagem e de contabilidade também apostam nessa média de aumento.

A média de 8% foi mais apontada pelos de informática (40%), manutenção mecânica (33%), trabalho temporário (26,3%).

Na área de contabilidade, 40% dos empreendedores apostam em crescer na média de 5%. Outros 40% têm, igualmente, expectativas de crescimento em torno de 10% e de 2%. Os demais escritórios contábeis acreditam em crescer em torno de 5%.

Serviços de administração de RH apontam equitativamente, em 33,3%, faturamentos médios de 2%, 5% e 8%. Outro segmento que vê com equidade (25%) os níveis de faturamento entre 2%, 5%%, 10% ou mais, e igualdade entre os dois semestres, é o de manutenção elétrica.

Os que mais pontuaram a média de 5% de incremento nos negócios foram os prestadores das áreas de engenharia (60%), merchandising (40%), manutenção predial (38,5%), limpeza e conservação (37,5%), trabalho temporário (37%), segurança privada (36%), e os de logística e de serviços especializados de predominância de mão de obra (28,6%).

O setor de telemarketing e call center é o que mais aponta para o primeiro semestre o menor índice de ganhos (entre 1% e 2%) ante o mesmo período em 2009: quase 67% dessas empresas. Cerca de 28% por cento das que operam em logística apontam o mesmo percentual.

Faturar menos que em 2009 foi previsão feita apenas por 7% dos empresários de segurança privada e por 3,6% dos da atividade de serviços especializados com predominância e mão de obra.

Empregabilidade

Na comparação entre os dois semestres, enquanto 82% dos prestadores apontam crescimento em ganhos, são em 76% os que preveem aumentar o número de seus empregados.

As médias de 8% e de 10% ou mais de novos contratos de trabalhos foram igualmente indicadas por 11% dos pesquisados. Para cinqüenta e quatro por cento dos empregadores, a expansão do número de funcionários, na comparação entre os dois semestres, deverá ser entre as médias de 2% e de 5%.

Outros 14% poderão manter, no ano que se inicia, o mesmo quadro de empregados que tinham em 2010. Dos 10% restantes, quatro por cento pensam que contratarão menos pessoas e 6% não souberam informar.

Em 2010, de acordo com dados do Caged, o setor de serviços foi o que mais gerou oportunidades de trabalho formal entre as 2,4 milhões criadas no acumulado dos 10 primeiros do ano. Apenas em outubro, respondeu por 86 mil (mais de 42%) das quase 205 mil vagas criadas no Brasil.

O setor de informática também está na dianteira na questão dos níveis de emprego projetados para o primeiro semestre de 2011 ante o de 2010: 40% das empresas apostam em aumentar em 10% ou mais o número de funcionários, e o mesmo percentual indica aumento médio de 5%. Sessenta por cento dos administradores de restaurantes pensam que terão cerca de 5% a mais de empregados, e vinte por cento desses empresários calculam a abertura de 10% ou mais em relação a 2010.

Cerca de 20% das prestadoras das atividades de engenharia e montagem deverão no próximo semestre manter o mesmo quadro de funcionários que tinham de janeiro a junho de 2010. Os 80% restantes equitativamente, aumentos médios entre 2% a 5%.

Entre as empresas de RH, 45% projetam contratar entre 4% e 5% a mais que no ano passado nesse período. Trinta e três por cento delas esperam incremento em torno de 8%, e pouco mais de 22% acreditam que terão média de 2% a mais de empregados na comparação entre esses dois primeiros semestres.

Dos prestadores de serviços contábeis, 60% apontam que terão média de 2% a mais de empregados na comparação entre os dois períodos. O restante deles indica que manterá o mesmo quadro de funcionário que tinha no primeiro semestre de 2010. Na área de telemarketing e merchandising, 67% dos empregadores vão empregar entre 1% e 3% a mais de pessoas. Os outros 33% calculam média 5% maior em relação ao quadro de funcionários que tinham no mesmo período de 2010.

Aumento médio de 2% dos empregados é esperado por quase 36% empresários de segurança privada. Quase 30% deles projetam ter cerca de 5% a mais de funcionários, e 14% deverão ter 8% a mais deles. Média de 7% desses empresários aposta, equitativamente, em abrir de 10% ou mais de vagas e em manter o seu número de funcionários igual ou abaixo dos que tinham no primeiro semestre de 2010.

A maioria (31%) das prestadoras de serviços de asseio e conservação vai empregar aproximadamente 2% a mais de pessoas. Vinte e oito por cento delas apontaram crescimento médio de 5% nas vagas e 22% acreditam em aumentar de 7% a 9% o número de funcionários. Dez por cento ou mais de oportunidades de emprego poderão estar disponíveis em cerca de 6% dessas empresas, sendo que pouco mais de 3% delas preveem para 2011 que manterão ou ficarão abaixo das oportunidades ofertadas no mercado de trabalho durante o primeiro semestre de 2010.

Qualificação

No setor que tem na mão de obra o seu maior insumo, cresce nitidamente entre empreendedores a preocupação em contratar e reter em seus quadros de funcionários pessoas com bom nível de qualificação.

A questão foi a mais pontuada quando os empresários indicaram os principais desafios internos, de gestão, que enfrentam na condução dos negócios - número que subiu de 27% em março para 70% em novembro de 2010.

Entre os segmentos pesquisados, a preocupação com a boa qualidade dos empregados foi a mais assinalada por 80% dos empresários de informática e de restaurantes. Depois foram os de segurança privada (71%), asseio e conservação (62,5%), serviços gerais (62%), serviços especializados com predominância em mão de obra (61%), trabalho temporário e jardinagem (58%), administradores de RH (56%) e de manutenção mecânica (50%).

A menor indicação do problema (20%) foi dada pelos serviços de contabilidade e de merchandising, seguidos de 22% dos prestadores de serviços administrativos e 25% dos de manutenção elétrica.

Carga tributária

De março a setembro de 2010, as pesquisas Cebrasse/Ipema junto aos empresários de serviços apontaram a alta carga tributária como o maior dos problemas de cunho externo enfrentados pelo setor. Vinham depois questões relativas à qualificação, informalidade, inflexibilidade das leis trabalhistas, infraestrutura e a falta de crédito e de pagamentos de clientes.

Em novembro, mesmo diante da eventualidade do retorno da CPMF para a engorda dos cofres públicos com a retirada de mais dinheiro dos contribuintes, empresários de boa parte das atividades colocaram a falta de pessoas qualificadas à frente de questões de ordem tributária, ao darem peso aos entraves oriundos de decisões oficiais e de mercado que afetam a saúde de seus negócios.

Indicaram essa situação os segmentos limpeza e conservação, manutenção predial e elétrica, jardinagem e paisagismo, gestão de RH, trabalho temporário, serviços gerais, logística e da área contábil.

A atividade que mais se ressente da questão da qualificação comparada a dos impostos é a de telemarketing (respectivamente 100% para a primeira situação e 33% para a segunda). A que menos denota esse problema é o de engenharia e montagem: 100% deles pontuam a carga tributária e apenas 60% a qualificação.

Setores que mais contratam

Gerando muito emprego e com escalada crescente na composição do PIB (no acumulado de 2009, a atividade cresceu 2,6%, enquanto a indústria teve queda de 5,5%, a agropecuária também recuou), o setor de serviços tem importante atuação em toda a cadeia produtiva no mercado e nos setores da administração pública.

Em novembro, 58% dos prestadores de serviços pesquisados pela Cebrasse tinham a indústria como sua principal contratante. A seguir, os próprios serviços (45%), o comércio (41%), órgãos públicos (30%), setor financeiro (17%), telecomunicações (16%); e outros, com 31%.

Os fatores que mais influenciam as decisões de compra são: preço, para 81% dos entrevistados; qualificação técnica, para 49%; histórico de mercado, para 44%; referências, para43%; emprego de tecnologia, para 30%; e localização da empresa, para 6% deles.

Serviços mais contratados

A administração pública foi a maior contratante (75%) de serviços de manutenção elétrica (75%) e predial (69%), telemarketing (67%), jardinagem e paisagismo (58%), segurança privada e serviços gerais (57%), e manutenção mecânica (50%).

Telemarketing e call center tiveram 100% de suas atividades prestadas para a indústria, que aqueceu também o faturamento das prestadoras de serviços de logística e distribuição ((86%), jardinagem (79%), asseio e conservação e gestão de RH (78%), serviços gerais (76%), segurança privada e trabalhos com predominância de mão de obra (71%); trabalho temporário (68,5%), manutenção mecânica (67%), manutenção predial (61,5%), informática, merchandising e serviços contábeis (60%), serviços administrativos (56%), manutenção elétrica e outros (50%).

O setor financeiro contratou 64,3% dos serviços de segurança privada, e 50% dos de manutenções elétrica e mecânica.

O de telecomunicações garantiu 60% do que faturaram serviços de merchandising, 56% dos administrativos e metade dos de manutenção elétrica.

Oitenta por cento dos contratos de serviços de merchandising foram com o comércio, responsável também por 78% dos de administração de RH, 67% dos de telemarketing, 63% dos trabalhos temporários, 60% de gestões de restaurantes, 56% de serviços administrativos, 54% de manutenção predial, e 50% de manutenção elétrica e outros serviços.

Prestadores de serviços contrataram serviços de outros prestadores: 80% das atividades de administrações de restaurantes e de RH e serviços contábeis, 78% de serviços administrativos, 68% de atividades com predominância de mão de obra especializada, 67% de telemarketing, 61,5% de manutenção predial, 60% de engenharia e montagem, 58% de jardinagem e paisagismo e 50% de manutenção elétrica.

Eleições

Aplicada no mês seguinte às eleições gerais em todo o País, a pesquisa Cebrasse/Ipema apurou que para 32% dos prestadores de serviços a eleição de Dilma Rousseff, governadores, senadores e deputados não terá qualquer influência no desempenho de seus setores.

Ficaram próximos os resultados das avaliações de influências negativa (22%) e muito negativa (4%); e positiva (18%) e muito positiva (6%).

O segmento que mais apontou ausência completa dessa influência (60%) foi o de serviços contábeis, seguido do de logística (43%). A Influência negativa foi indicada por 40% dos prestadores de serviços de informática e de administração de restaurantes.

A atividade de telemarketing e call center foi a única a, na totalidade, indicar 100% de influência positiva das eleições em seus negócios, seguida de 44,5% dos empresários de RH, 40% dos de merchandising e engenharia e montagem, e 36% dos de segurança privada.

Do total de 6% de empresários que acreditam na influência altamente positiva das eleições, 20% são dos segmentos de administração de restaurantes e de engenharia e montagem; 15,5% são de manutenção predial e 14% dos de serviços especializados com predominância de mão de obra.

Quanto à influência altamente negativa, pontuada por 4% dos pesquisados, 25% estão na atividade de manutenção elétrica, 22% nos serviços administrativos, 20% nos de contabilidade, e 17% na manutenção mecânica.

Serviço:

A íntegra da pesquisa, respondida por universo representativo de aproximadamente 25 mil empresas, pode ser acessada clicando-se aqui
Site www.cebrasse.org.br

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