Pessoas com deficiência estão insatisfeitas com cargos atuais

02-06-2011

A obrigatoriedade de cotas previstas em lei, o aquecimento do mercado e a falta de políticas de retenção de talentos aumentaram a rotatividade entre profissionais com deficiência. A conclusão é da Page PCD, unidade de negócios da Page Personnel, empresa do grupo Michael Page, que acabou de concluir uma pesquisa inédita sobre o mercado de trabalho para PCDs.

A consultoria ouviu 243 profissionais de todo o Brasil, a maioria com larga experiência profissional e mais de 10 anos de atuação no mercado formal. Dos entrevistados, 82% estão insatisfeitos com sua função atual e metade dos participantes pretende mudar de empresa nos próximos 2 anos.

A pesquisa também mostrou que existe qualificação nesse mercado, dado muitas vezes desconhecido pelas empresas. Dos participantes, 51% possui ensino superior, 19% pós-graduação e 2% mestrado ou MBA. Além da alta escolaridade, os profissionais mostram que têm se preparado para competir no mercado.

Metades dos entrevistados consideram-se únicos responsáveis pelo seu crescimento profissional e 35% reconhecem a importância compartilhada com a empresa. Mais de 90% afirma investir em seu desenvolvimento.

Apesar de qualificados, 36% ainda não foi promovido e a grande maioria ocupa cargos administrativos (58%). Somente 14% atuam em cargos de supervisão ou gerência.

Outra informação importante é a alta rotatividade: 33% dos profissionais já passaram por 5 empresas ou mais nos últimos dez anos. O dado, por um lado, aponta para a problemática da empresa em reter o profissional com deficiência, e por outro a dificuldade do profissional em construir uma carreira sólida. Quarenta e seis por cento afirmam ainda ter recebido uma oportunidade melhor e optado por sair da empresa.

Remuneração (98%), Clima Organizacional (47%) e Investimento da empresa em Treinamento & Desenvolvimento (45%) foram algumas das razões que justificaram a mudança de emprego. Apenas 2% dos entrevistados mencionaram exclusivamente a remuneração como um aspecto primordial para mudança.

“Os números mostram a importância das políticas de retenção, que incluem desde medidas para tornar o ambiente saudável e de respeito à diversidade, quanto a oportunidades de desenvolvimento e plano de carreira. As empresas ainda não conseguiram enxergar esses profissionais como alguém que vai galgar posições na companhia”, afirma Danilo Castro, diretor da Page PCD, que conduziu a pesquisa.

No ano passado, o número de contratações de Pessoas Com Deficiência representou 15% do total de contratações da Page Personnel e cresceu 260% referente ao ano anterior , o que mostra a tendência de investimento das empresas em melhorar o processo seletivo e conseqüentemente a retenção desses profissionais.

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