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Poli e MIT criam sistema
para filtrar óleo de cozinha usado
13-06-2011
Por Valéria Dias - valdias@usp.br
Um grupo de alunos da Escola Politécnica (Poli)
da USP, do Instituto de Tecnologia da Aeronáutica
(ITA) e do Instituto de Tecnologia de Massachusetts
(MIT, na sigla em inglês), nos Estados Unidos,
desenvolveram um protótipo de um sistema de filtragem
para óleo de cozinha usado. Na última
semana, o grupo de estudantes ministrou oficinas na
Associação de Catadores de Arujá
e região (Cora) com o objetivo de testar o equipamento.
A cooperativa recolhe o óleo usado em quatro
restaurantes da cidade e também de residências,
por intermédio de pontos de coleta.
Atualmente, o óleo bruto é vendido para
empresas que produzem biodiesel ao preço de R$0,50
a R$0,60 o litro. Com a filtragem, o litro do óleo
poderá ser comercializado ao preço de
R$1,00 a R$1,25. “No total, recolhemos cerca de
duas toneladas de óleo de cozinha por mês”,
informa Carlos Henrique Nicolau, presidente da Cora.
Além de aumentar a renda de catadores de recicláveis,
a iniciativa vai evitar que esse óleo de cozinha
seja descartado no meio ambiente de forma inadequada.
Outro uso possível é a utilização
como combustível em caminhões com motores
convertidos.

Protótipo foi construído com materias
fáceis de encontrar e custou R$ 130
A iniciativa faz parte do Green Grease Project’s,
um projeto do MIT Community Innovator’s Lab que
envolve cooperativas da Rede CataSampa, associação
de cooperativas de catadores de materiais recicláveis.
O objetivo do Green Grease é buscar soluções
ambientalmente corretas para o óleo de cozinha
recolhido pelos catadores de recicláveis.
Além da Cora, outra entidade que recebeu os
alunos para uma oficina foi a Cooperativa de Reciclagem
Unidos pelo Meio Ambiente (Cruma), em Poá, na
Grande São Paulo. Outra participante da iniciativa
é a Cooperativa de Reciclagem de Matéria-Prima
do Alto Tietê (Cooperalto), de Biritiba-Mirim,
ambas na região metropolitana de São Paulo.
O protótipo do sistema de filtragem foi desenvolvido
pelas alunas do MIT Angela Hojnacki (engenharia mecânica)
que coordena o projeto com Tendelle Sheu (economia)
e Alexandra Fallon (MBA). Pelo ITA, participam os estudantes
Caio Braz, Isadora Kimura, Allison Schraier, John Lee,
Homero Esmeraldo, Antonio José Prado e Bernardo
Jacintho. A USP é representada pelos alunos Rafael
Machado, Denis Ferreira, Walter Volpini e André
Cerciari, todos do PET Mecânica, grupo de iniciação
científica da Poli que atua dentro e fora da
Universidade buscando integrar o tripé ensino-
pesquisa-extensão.
De acordo com Alexandra Fallon, do MIT, o protótipo
teve um custo de R$130,00 e foi produzido com materiais
fáceis de serem encontrados, como tambores, tecido
jeans, peneira usada em construção, mangueiras
de gás, etc, com o intuito de facilitar e baratear
a sua produção. “O óleo sai
da cozinha com restos de alimentos e outros resíduos
e a filtragem dessas impurezas agrega valor ao produto”,
aponta.
Segundo Alexandra, a filtragem é feita por meio
de dois tambores e leva de 3 a 4 dias para filtrar 50
litros de óleo. No primeiro tambor, o óleo
passa por uma peneira para retirar as impurezas maiores,
como restos de alimentos. “Esses resíduos
poderão ser comercializados para empresas produtoras
de ração animal”, explica a aluna.
No segundo tambor, o óleo é filtrado por
meio de um tecido de jeans. Nesta segunda filtragem,
é preciso deixar o tambor ao sol para o óleo
decantar e, quanto mais sol houver, mais rápida
será a filtragem.
Combustível para caminhões
Alexandra explica que no ano passado o grupo trabalhou
na conversão do motor de um caminhão da
Cooperalto e outro da Cruma para utilização
do óleo de cozinha bruto como combustível.
Esse projeto acabou sendo interrompido, pois um dos
caminhões se envolveu em um acidente e o outro
apresentou problemas no motor.
Por isso, o próximo passo do projeto é
realizar outras parcerias com outras universidades do
estado de São Paulo para ir aperfeiçoando
o sistema de filtragem a fim de tornar o óleo
filtrado cada vez mais adequado para uso em motores
de caminhões a diesel convertidos. “Percebemos
que este processo de filtragem é muito importante
para a utilização do óleo de cozinha
nos motores. Então quando este processo estiver
bem desenvolvido, pretendemos voltar para o Brasil a
fim de trabalhar na conversão de outros motores
de caminhão”, destaca.

Sistema de filtragem foi projetado por alunas do
MIT.
Estudantes da Poli e do ITA completam a equipe
A iniciativa tem a coordenação de Libby
McDonald, do MIT Community Innovator’s Lab e teve
suporte das professoras Tereza Cristina Carvalho, Assessora
de Projetos Especiais da Coordenadoria de Tecnologia
da Informação (CTI) da USP e coordenadora
do Laboratório de Sustentabilidade (Lassu) da
Poli e de Flavia Scabin, da Escola de Direito da Fundação
Getúlio Vargas (FGV). (Agência USP de Notícias)
Mais informações: (11) 3091-1092
(11) 9603-3790 ou email terezacarvalho@usp.br,
com a professora Tereza Cristina Carvalho, ou email
alexandra.fallon@sloan.mit.edu,
com Alexandra Fallon
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