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Anúncio de alimento
não saudável predomina na televisão
21-01-2011
Por Júlio Bernardes - jubern@usp.br
Na Faculdade de Saúde Pública (FSP) da
USP, uma pesquisa mostra que peças publicitárias
de alimentos na televisão induziram diversas
crianças a acreditar que esses produtos eram
bons e saudáveis. O estudo também acompanhou
os anúncios exibidos e aponta que nenhum deles
mostra alimentos saudáveis. O nutricionista Alexander
Marcellus, que realizou o trabalho, defende que o Congresso
Nacional regulamente a publicidade de alimentos para
crianças, que não possui lei ampla sobre
esse assunto no Brasil.
Entre as crianças, 40% assistem mais de
6 horas de televisão nos fins de semana
Participaram do trabalho 15 crianças de 10 a
12 anos e 15 mães, entrevistados para avaliar
a maneira como percebem a publicidade de produtos alimentícios
na televisão. Também foi analisada a programação
dos dois canais de maior audiência para o público
infantil, de segunda à sexta-feira. “Entre
as crianças pesquisadas, 26% viam mais de 3 horas
de televisão durante a semana, e 40% assistiam
6 horas ou mais no final de semana”, conta Alexander.
O tipo de alimento mais veiculado foi o fast-food,
também apontado como o preferido pelas crianças,
ao lado dos refrigerantes e dos produtos lácteos.
“Elas possuem uma memória voltada para
aquilo que aparece na televisão”, diz o
nutricionista. “Embora já diferenciem a
propaganda do restante da programação,
sentem vontade de consumir os produtos e pedem aos pais
para comprar.”
Nenhum dos alimentos anunciados no período acompanhado
pela pesquisa é considerado saudável,
aponta Alexander. “A publicidade transmite uma
ideia errada sobre a qualidade nutricional, ludibriando
crianças que alimentos ricos em açúcar
ou gorduras são saudáveis, por exemplo”,
afirma. O pesquisador relata que em alguns casos, apesar
da veiculação de informações
verdadeiras, não há honestidade nos anúncios,
o que fere a ética publicitária. “Mostra-se
que um suco de frutas não tem conservantes, mas
é omitida a presença de outros aditivos
que podem ser prejudiciais à saúde.”
Influência
As mães entrevistadas na pesquisa não
souberam identificar os publicitários como responsáveis
pelos anúncios de alimentos. “Entretanto,
40% não concordam que a publicidade tenha que
ter apelo à criança”, observa Alexander.
“É importante resssaltar que os pais não
apenas estão entre os responsáveis pelos
hábitos alimentares dos filhos como também
servem de influência, por isso, precisam de orientação.”
Alexander alerta que o Brasil é um dos poucos
países do mundo que não possuem regulamentação
séria sobre a publicidade de alimentos e bebidas
para crianças até 12 anos. “A lei
deve vir em respeito à fase de formação
da criança, que está compreendendo o mundo
em sua volta para se comportar como consumidor”,
destaca. “No último dia 17 de dezembro,
mais 50 entidades da sociedade civil lançaram
a Frente pela Regulamentação da Publicidade
de Alimentos, para reivindicar junto ao Poder Público
a regulamentação do tema”.
A publicidade institucional do governo federal é
outro caminho apontado pelo nutricionista para incentivar
o consumo de alimentos saudáveis. “Anualmente
são gastos 6 bilhões de reais em publicidade,
sendo que com apenas 1% desse valor seria possível
colocar seis inserções semanais na televisão
de anúncios mostrando os benefícios de
alimentos como frutas, verduras e legumes”, calcula
Alexander. “O governo tem a obrigação
não só de educar como de cuidar da saúde
das crianças.”
O nutricionista mantém na internet o blog NUTRItodos,
que divulga informações sobre alimentação
saudável e oferece orientação aos
pais sobre os produtos anunciados na televisão.
O endereço é . A pesquisa faz parte da
dissertação de Mestrado de Alexander,
defendida em outubro do ano passado, com orientação
da professora Isabel Maria Teixeira Bicudo do Departamento
de Prática de Saúde Pública da
FSP. (Agência USP de Notícias)
Mais informações: email alexander@usp.br
ou no blog http://www.nutritodos.com.br
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