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Escrever bem ajuda a
alavancar a carreira
23-12-2011
A importância crescente da comunicação
e a redução do número de secretárias
nas empresas levou à necessidade de muitos executivos
começarem a escrever suas próprias cartas,
e-mails e apresentações. E o resultado
disso tem sido um desastre, pois a maioria dos executivos
escreve mal. Há poucas pesquisas a esse respeito,
até porque pouca gente assume a autoria de textos
ruins, mas uma pesquisa realizada pela Associated Press
há duas décadas já mostrava a dura
face do problema: ouvidas mais de 400 empresas, em 80%
delas havia a certeza de que os executivos eram péssimos
na produção de textos.
Segundo Carlos Faccina, ex-diretor de RH da Nestlé
e consultor, durante bom tempo a prática de escrever
bem andou ligada à idéia de cultura inútil,
que não era fundamental para a produtividade
do profissional.
“Mas de uns sete ou oito anos para cá,
quando as empresas passaram a dar mais ênfase
à comunicação como um todo, ficou
visível o total despreparo dos executivos para
redigir um texto", diz.
Para Marcelo Maron, diretor executivo do Grupo PAR,
de Brasília, além de consultor e professor
da UniEURO, muitos executivos se preocupam com o inglês,
mas esquecem por completo a importância de escrever
bem na própria língua.
“Escrever corretamente e dominar seu próprio
idioma é condição básica
para crescer na vida profissional. Salvo raras exceções,
não há pessoas que cresçam em suas
carreiras sem saber redigir boas correspondências,
projetos ou mesmo contratos", diz.
"Há quem diga que para tanto servem os
assessores, advogados e secretárias. Com certeza,
é muito desejável que eles também
saibam, mas um verdadeiro profissional tem de saber
colocar suas ideias no papel, com clareza e objetividade.
Caso contrário, não fará uso adequado
de suas próprias aptidões”.
Maron, que aplica teste de redação nos
processos de seleção dos profissionais
que contrata, diz-se impressionado com a quantidade
de candidatos a cargos gerenciais que simplesmente não
escreve com clareza ou mesmo precisão.
“Não me refiro ao português formal
e absolutamente irretocável, mas ao domínio
da língua de uma forma correta, limpa e clara,
mesmo que um tanto coloquial. É o mínimo
que se pode exigir de alguém que ocupe um cargo
de liderança. Isso não quer dizer que
aqueles que não têm cargos de chefia podem
relaxar no que diz respeito ao bom português,
porque escrever é básico, é cartão
de visita de qualquer pessoa, física ou jurídica",
diz.
"Muitas coisas ali são reveladas, tais
como equilíbrio, preparo, capacidade de exposição
e síntese, imagem, objetividade, criatividade,
entre muitas outras qualidades e até problemas”,
explica.
A clareza no uso do idioma, assinala Maron, que contrata
em média 350 profissionais por ano, é
fator decisivo para o sucesso em uma carreira, seja
ela onde for.
“Infelizmente, é muito comum encontrar
comunicados empresariais que dariam vergonha a qualquer
bom aluno de ensino fundamental. As mensagens eletrônicas,
tão utilizadas hoje em dia, são de uma
pobreza linguística que causa tristeza. Embora
curtos e muito focados, os ditos e-mails já revelam
a qualidade da linguagem do seu autor. Erros de ortografia
e concordância são muito comuns. Erros
de pontuação estão quase sempre
presentes e, no meu entender, são os piores,
uma vez que dificultam a interpretação
e podem mudar completamente o sentido das frases",
diz.
"Mas, sobretudo, falta às pessoas a clareza
necessária para se fazerem entender na linguagem
escrita. Difícil encontrar quem construa um texto
de forma adequada aos seus objetivos, mesmo com 'erros
perdoáveis'. Possivelmente, por terem pouca carga
de leitura ao longo da vida, aliada à falta de
prática, há muitas pessoas potencialmente
competentes, mas que pecam na escrita. Vivemos nas empresas
um verdadeiro apagão linguístico."
Segundo ele, são raras as empresas que possuem
empregados que efetivamente sabem escrever. "Já
vivi casos em que profissionais problemáticos
mantinham seus empregos pelo simples fato de dominarem
a linguagem escrita”, revela Maron, que recomenda
a aplicação de redações
em português nos processos de seleção.
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